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No jogo final para definição do campeão de inverno, o Sporting Clube de Braga conseguiu conquistar a sua segunda Taça da Liga. O seu novo timoneiro Rúben Amorim tornou-se no jogo de ontem o primeiro técnico a conquista-la como treinador e como jogador (já a havia vencido no Benfica).

Ainda no que a dados históricos diz respeito, o Futebol Clube do Porto continuou a sua saga com a quarta final disputada da prova, sem que conseguisse levantar o troféu em qualquer uma delas. E mais, gorada ficou a hipótese de desforra portista que em 2013 tinha perdido outra final com o mesmo adversário de ontem.

Titulares

Final em campo neutro mas com equipa da casa presente

Os Guerreiros do Minho procuraram desde o início do encontro aproveitar-se do facto de poder disputar esta final no seu estádio:

  • Braga exercendo desde o primeiro minuto de jogo pressão alta e agressiva sobre o portador da bola (pressão tanto sobre os centrais portistas como sobre o jovem guarda redes Diogo Costa, pouco habituado a jogar de início na equipa principal)

  • Objetivo claro de quando não tinha bola: recupera-la rapidamente e condicionar ao máximo que o adversário pudesse jogar;
  • Com bola, sempre com paciência e critério na posse e circulação.

Mudanças de Sérgio Conceição

Procurando não cometer os mesmos erros do mais recente jogo entre ambas as equipas no Estádio do Dragão e para tentar surpreender, a equipa técnica dos azuis e brancos também realizou algumas alterações:

  • Corona na posição de lateral direito e inclusão de Luis Díaz com objectivo claro de dar maior criatividade, lances de 1×1 e velocidade (sobretudo através do colombiano), colocando em sentido os cinco defesas dos bracarenses;
  • Reforço do meio campo com Danilo, Sérgio Oliveira e Otávio como médios centrais num sistema tático de 1-4-3-3. Desta forma, procurou superioridade nessa zona do campo, impedindo assim o transporte de Fransérgio e controlar os recuos do avançado Paulinho nos espaços entre linhas.

Mudanças do Braga

  • Já a equipa contrária apresentou nesta final o mesmo sistema tático com que visitou a cidade invicta: 1-5-4-1 a defender que se ia desdobrando em 3-4-3 no processo ofensivo;
  • Alterações apenas de Wilson em troca com Galeno e Trincão em detrimento de Ricardo Horta. Contudo, as missões táticas mantinham-se inalteradas, mudando apenas os corredores de jogo onde actuavam.

Primeiro tempo intenso e disputado

  • Com o Porto a querer também assumir o jogo (num bloco subido e pressionante, a tentar condicionar ao máximo o jogo adversário) foi natural e previsível a presença de vários duelos divididos;
  • Um dos exemplos desses duelos ao longo da partida foi entre Corona vs Galeno, num binómio entre quem defende e quem ataca.

  • Marega e Luis Díaz foram dois dos mais sacrificados pela intensidade e necessidade de controlar as subidas dos alas contrários, desgastando-se em tarefas defensivas e dando muitas vezes a sensação de ofensivamente não terem a vitalidade necessária para poderem desequilibrar.

Qual o antídoto para desmontar um bloco adversário composto por vários elementos?

Esta seria a grande preocupação de Sérgio Conceição no estudo que fez de antevisão a esta final e certamente presente nos treinos planeados durante a semana.

  • A solução pensada passou sobretudo por explorar as saídas rápidas pelos corredores laterais: havia mais espaço para conseguir jogar e tentar explorar as costas dos alas adversários nas transições ataque/defesa (sempre muito ativos, subidos no terreno com bola e envolvidos no processo ofensivo)
  • Com esta solução, obrigou a defesa da cidade dos Arcebispos a ser exposta por diversas vezes, numa defesa a três e evitar que se reorganiza-se e fechasse confortavelmente na defesa a cinco
  • Numa defesa a três era obrigada a constantes compensações defensivas, em detrimento do controlo da largura e forte presença numérica dentro da área

Segundo tempo

Após uma primeira parte disputada e equilibrada, a segunda metade trouxe um pouco mais do mesmo. De realçar o posicionamento defensivo num pressing alto exercido pelos comandados por Rúben Amorim.

Contudo, estrategicamente e fruto também de algum desgaste físico, a equipa do Braga ia aos poucos recuando no terreno:

  • Privilegiava a sua organização defensiva mais numerosa;
  • Importância dos defesas centrais para nos períodos de maior instabilidade conseguir manter a equipa no jogo através das suas coberturas e dobras laterais;
  • O principal problema na segunda parte do jogo não passou pelo recuo no terreno de jogo, mas sobretudo pelas dificuldades de controlar em posse e circulação de bola. Ao contrário do primeiro tempo, perdeu alguma capacidade para ligar o jogo, principalmente entre defesa – meio campo e em zonas de perigo (meio campo defensivo e defesa).

Futebol Clube do Porto procurou manter as forças

  • As mexidas efectuadas por Conceição visaram essencialmente o reforço do meio campo com a inclusão de Baró, Uribe e mantendo a agressividade de Otávio. Por trocas com Danilo e Sérgio Oliveira, procurou segurar o jogo pela força física e manter um bloco alto e compacto que continuasse a impedir o Braga de entrar no seu meio campo e defesa;
  • O Porto ao longo de toda a partida, poucas vezes conseguiu encontrar a capacidade de último passe e explorar a profundidade nas costas da defesa contrária, algo que no estádio do Dragão e mesmo apesar da derrota, conseguiu.

E quando já tudo esperava pelos pénaltis, a taça encontra o seu dono: Sporting Clube de Braga

Quando adeptos e até as próprias equipas equipas técnicas já iam delineando o momento dos pontapés de 11 metros, eis que num lance aos 95 minutos, com falhas claras da linha defensiva azul e branca, Ricardo Horta consegue isolar-se e garantir a taça para o museu do clube arsenalista.

Diríamos mesmo que até os próprios jogadores do Porto ja esperavam pela decisão dos penaltis, tal foi a facilidade, descoordenação e desconcentração da linha defensiva que permitiu a Horta surgir em posição legal e apenas com o guardião Diogo Costa pela frente para finalizar com êxito.