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Águia voa bem alto na Europa – Anderlecht x SL Benfica

Depois da derrota pesada frente ao Sporting CP por 0-3, o SL Benfica precisava de dar uma resposta imediata. A equipa encarnada viajou até à Bélgica para jogar a continuidade na Liga dos Campeões frente ao Anderlecht, uma equipa teoricamente favorita a seguir para os 1/16 de final. No entanto, a equipa portuguesa rapidamente mostrou que o favoritismo belga era apenas isso mesmo: teórico. Com uma exibição bem conseguida, as águias venceram por 1-2 e conquistaram o apuramento.

Para este embate, Luís Andrade adotou mais uma variação do 4x4x2. Desta vez o técnico encarnado não optou pelo losango, ao contrário do que fez na eliminatória frente ao PAOK, e montou a equipa num 4x4x2 clássico. Andreia Faria fechou o flanco direito, Ana Vitória fechou o flanco esquerdo e Cloé Lacasse juntou-se definitivamente a Nycole na frente de ataque.

BLOCO MÉDIO/BAIXO, COMPACTO E A ESPERAR PELO ERRO

A receita para a vitória encarnada passou exatamente por aqui: por um bloco médio/baixo, com a linha de quatro no meio-campo bem junta e à espera do erro na construção por parte das belgas.

O Anderlecht teve muitas dificuldades em adaptar-se à estratégia encarnada. A linha média do SL Benfica recuperou imensas bolas durante o encontro, sobretudo na primeira parte, altura em que as águias estiveram efetivamente mais perigosas e conseguiram manter as adversárias longe da baliza de Carolina Vilão. Com o bloco bem fechado, as belgas não tinham mais opções do que procurar o jogo direto, o que facilitou imenso a tarefa de Sílvia Rebelo e Carole Costa, que dominaram nas alturas.

Assim que a bola era recuperada, os olhos das jogadoras encarnadas voltavam-se de imediato para duas jogadoras: Cloé Lacasse e Nycole, que procuraram sempre atacar a profundidade. As duas dividiram ainda as tarefas defensivas. Assim que a bola chegasse a uma lateral, a avançada desse lado fechava a linha de passe para a defesa central e a avançada do lado contrário recuava no terreno para fechar a ‘6’ belga.

O Benfica sofreu cedo na segunda parte, mas manteve-se fiel ao 4x4x2 clássico. A equipa procurou colocar mais jogadoras na frente quando em posse de bola e eventualmente chegou ao empate num lance onde ficou, uma vez mais, patente a maior agressividade da linha média encarnada em relação às adversárias.

Com a melhor reação possível ao golo sofrido, o SL Benfica nunca pareceu desconfortável na partida. A equipa encarnada manteve-se tranquila, confiou na estratégia e saiu premiada com mais um momento genial de Nycole.

Em resumo, a exibição encarnada foi muito consistente e este terá sido um dos melhores, senão o melhor jogo do SL Benfica esta temporada. Em termos defensivos a equipa pareceu sempre segura e, quando sofreu o primeiro golo, conseguiu manter a estabilidade emocional e partiu para uma reviravolta histórica para o futebol feminino português.