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Análise ao Clássico de Alvalade

No 1º clássico da edição 2020/21 da Liga NOS, Sporting CP e FC Porto, repartiram pontos em Alvalade.

Com uma entrada inicial mais forte, mais pressionante e fazendo uso de uma das suas principais armas (bola parada), a equipa azul e branca poderia ter inaugurado o marcador logo no 1º minuto de jogo: Pepe a desviar livre lateral de Sérgio Oliveira ao 1º poste e a obrigar Adán a defesa apertada.

Sem bola, o Porto ia se mostrando mais agressivo que o Sporting nos minutos iniciais da partida (essencialmente nos primeiros 5’), contudo, más ligações entre a construção-criação portista, permitiam ao Sporting recuperar a bola em zonas médias-altas e rapidamente sair em transição: maior acionamento do corredor esquerdo com Nuno Santos e Nuno Mendes a acelerar rapidamente o jogo após recuperação da bola.

A partir desse melhor ímpeto inicial dos dragões, os comandados de Rúben Amorim, iam procurando ter mais tempo a bola em sua posse e iam se mostrando mais agressivos no momento da perda e nos duelos: Palhinha em destaque neste momento do jogo – bem posicionado para encurtar e pressionar portador após perda, mostrando sempre ser agressivo nos duelos.

Numa dessas recuperações em zona alta, e na sequência de um lançamento, o Sporting chega ao golo (1-0) através de Nuno Santos.

Solto de marcação ao 2º poste – última linha do Porto muito balanceada para a zona do cruzamento – Manafá, elemento mais próximo de Nuno Santos a dar demasiada distância ao extremo leonino que num remate de primeira inaugura o marcador a favor dos de Alvalade.

Após o golo sofrido, o Porto, ia procurando estabilizar o seu jogo e com isso foi encontrando espaços para sair em construção (aproveitando, sempre que oferecido, os espaços deixados no 1º momento de condicionamento/pressão alto por parte do Sporting) e ia conseguindo ligar o seu jogo mais à frente ou mesmo em transição (mais recuperações no meio campo do Sporting a esta altura).

Numa dessas situações, em que houve espaço para ligar, a equipa de SC acabou mesmo por chegar ao golo do empate: Ligação inicial à direita com Mbemba-Otávio-Uribe-Manafá, a bola acaba jogada (Sérgio Oliveira bem posicionado para preparar o momento da perda) para o corredor esquerdo, onde Zaidu com tempo e espaço para executar coloca a bola na área onde surge Uribe (desde trás e a criar igualdade – 3×3 – na área) a desviar para o 1-1.

Dentro da origem do golo, fica uma má leitura do lance e um mau posicionamento/alinhamento por parte de Coates, em relação à última linha defensiva: a procura de acompanhar individualmente o movimento de Uribe ao invés de travar esse acompanhamento com um deslocamento lateral atrasado, fez com que o colombiano estivesse em jogo e habilitado para fazer o golo.

Após o empate, o Porto equilibrou a partida também em termos táticos (maior encaixe), e as duas equipas a esta altura dispuseram de algumas situações para chegar à vantagem, contudo, foram os campeões nacionais que acabariam por chegar ao 2º golo, após um canto a favor dos leões: Pedro Porro, último elemento da linha (demasiado subida) de equilíbrio remata contra Luís Diaz, a bola sobra para o colombiano que em aceleração e em progressão com bola (já depois de vencer o duelo com Nuno Mendes – depois de não ter conseguido afastado a bola para fora) acaba por entrar na área leonina, a bola sobra para Corona que com um ligeiro desvio faz a bola entrar na baliza de Adán, 1-2 aos 45’.   

Na 2ª parte, e em desvantagem, o Sporting voltou a entrar mais pressionante com e sem bola, a ganhar mais duelos e consequentemente a chegar ao último terço adversário com maior frequência.

Por seu lado, o Porto ia dando a iniciativa de jogo ao Sporting e procurava manter o controlo e gerindo os ritmos do jogo, procurava igualmente não dar espaços entre as suas linhas – bloco mais baixo e compacto nesta fase – obrigando o adversário a solicitações mais longas em busca da profundidade.

Esse aparente controlo da partida e do resultado acabou por sair caro aos dragões.

A equipa baixou ainda mais as suas linhas na parte final e ia deixando o Sporting circular a bola pelos 3 corredores, permitindo alguns cruzamentos e esticões mais longos na frente: numa dessas situações, e após ganho de bola por parte de Palhinha (mais rápido e agressivo sobre a bola do que Felipe Anderson), espaço para Pedro Gonçalves à direita tirar cruzamento para Sporar desviar para defesa de Marchesín e na recarga, Vietto a restabelecer a igualdade e a definir o resultado final, 2-2.