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Em quatro jogos oficiais, o técnico português soma duas derrotas e duas vitórias, tendo sido eliminado da Taça da Alemanha pela equipa sensação do 3º escalão, Lotte, que também deixou para trás Leverkusen e Werder Bremen. Apesar dos resultados pouco positivos até ao momento, Vítor Pereira é um homem de convicções e não desiste de implementar a sua ideia de jogo na Alemanha num campeonato onde muitas vezes a capacidade física leva a melhor.

Na ideia de jogo de Vítor Pereira existe uma obsessão excessiva pelo rigor táctico, disciplina, organização e controlo dos momentos de jogo. Percebemos isto quando lemos a recente entrevista que concedeu ao Expresso. No seu estilo arrojado, desconcertante mas também ambicioso e demonstrativo de uma grande personalidade. Vítor Pereira abre as portas ao regresso ao futebol português mas para já o seu futuro passa pela Bundesliga II, onde terá como objectivo a manutenção do TSV 1860 Munchen.

O treinador português acredita que a jogar da seguinte forma fica mais perto de ter sucesso. As ideias e a concepção do modelo de jogo de Vítor Pereira em análise.

“(…). Primeiro, em organização defensiva temos de perceber claramente os momentos de pressão. Quando e como pressionar. Não quero uma equipa… e aqui até tenho de lhes meter travão, porque eles querem pressionar, só que pressionam de forma acéfala.”

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Imagem 1: Equipa organizada defensivamente 1x5x2x3. Neste momento Olic a recuar no terreno para ajudar e a fechar mais por dentro como terceiro homem mas numa situação pontual.
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Imagem 2: Pressão mais acentuada quando o centro de jogo tende para os corredores laterais. Comportamento colectivo bem identificado com a equipa a reagir rápido e a procurar situações de superioridade numérica para recuperar a posse de bola.

“ Quero uma equipa organizada, num ritmo lento, a convidar a determinado comportamento, e de repente vum!”

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Imagem 3: Uduokhai com grande protagonismo na construção da manobra ofensiva. Um central jovem para seguir com atenção. Assume o risco, demonstra boa relação com bola e capacidade de decisão. A equipa sempre a oferecer linhas de passe. Três neste exemplo mas mais duas no flanco direito que servem para variar o sentido de jogo.

“Quero o mais depressa possível meter o passe vertical para matar a pressão que chegar. Se não é possível, porque eles se fecharam, aí sim, é preciso guardar a bola. O que quero é que a equipa perceba os momentos em que tem condições para acelerar, se for possível acelerar.“

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Imagem 4: 1ª fase de construção com a equipa a ter a preocupação de jogar no meio-campo adversário. Saída com futebol apoiado e sempre por intermédio dos três centrais. Uduokhai com linhas de passe seguras mas a optar por um passe em profundidade para Wittek.

 

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Imagem 5: Liendl a entrar na partida e a mexer com o jogo. Critério, qualidade de passe e inteligência táctica. O médio austríaco a recuar e a esticar o jogo para as costas da defesa contrária quando tinha linhas de passe mais segura. Um risco calculado e que permite à equipa acelerar.

“Portanto é preciso a equipa aprender a identificar os momentos em que tem condições para ir rápido e os momentos em que tem de guardar a bola e circular e jogar à largura”

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Imagem 6: Novamente Liendl como centro da acção do jogo. A assumir o controlo da partida e a promover a circulação da bola. Uduokhai a subir no terreno e a apoiar no processo ofensivo, Lumor, médio ala bem aberto na esquerda e Claasen a pedir bola entre linhas. Do outro lado, Lacazette sem oposição para poder receber e virar para a direita.

 

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Imagem 7: 1ª fase de construção com Mauersberger a sair com a bola controlada e com três linhas de passe bem definidas. Bola a ser jogada para a esquerda para Uduokhai receber de forma orientada e aproveitar o espaço para conquistar metros ao adversário. Espaço para progredir e imprimir velocidade.

Nos lances de bola parada a equipa ainda demonstra falta de organização o que fez com que no jogo contra o Bielefield a equipa sofresse dois golos neste momento de jogo.

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Imagem 8: Mesmo em superioridade numérica a equipa demonstra algumas falhas de coordenação e organização neste momento de jogo. Dois jogadores a disputarem a mesma bola e a perderem e depois falta de reação permite o remate do adversário dentro da área. O físico a vencer à organização.

Vítor Pereira enfrenta um dogma futebolístico e assume que para ele só existe um caminho: ganhar a jogar bem.

“Porque tu podes jogar um jogo muito bonito mas se tu não ganhares os jogadores não vão acreditar no teu jogo. É esse equilíbrio entre o ganhar e o jogar bem que tem de existir. Quer dizer, há treinadores que não se preocupam muito com o jogar bem, mas se a minha equipa ganhar e jogar mal, eu fico podre. Mas se a minha equipa jogar bem e perder, fico ainda pior”

“Um treinador não se pode prostituir a si próprio, às suas ideias, mas tem de conseguir adaptá-las à realidade com que é confrontado.”

”Agora estou a jogar numa estrutura diferente, em 3-4-3. Eh pá e está-me a dar um gozo bestial. Sabes porquê? Porque tem dinâmicas completamente diferentes daquelas que estava habituado a trabalhar.”

É com este discurso que o técnico natural de Espinho apresenta as suas ideias e convicções. Um modelo de jogo assente num 1x3x4x3 com um bloco coeso e organizado. Uma equipa com jovens talentos mas com experiência à mistura com Olic de 37 anos a ser o jogador mais cotado, para além de Liendl, Boenisch e Mauersberger.

A partir de trás, o guarda-redes Ortega, procura sempre tocar curto para um dos três centrais, Uduokhai, Ba, Boenisch ou Maursberger. Os médios alas, Lumor, antigo jogador do Portimonense, na esquerda e Stojkovic na direita, ou Wittek que alinha nos dois corredores, já projectados no meio-campo ofensivo, oferecem linhas de passe para dar seguimento às jogadas. Com capacidade de explosão, irreverência e técnica são jogadores complicados de travar quando partem de trás.

As dificuldades aparecem no meio-campo. Com apenas dois homens a funcionarem como os ponteiros da equipa, o clube alemão precisa de rotação e dinâmica neste sector. Lacazette oferece essa qualidade mas precisa de outro elemento ao seu lado para controlo os momentos do jogo. Adlung é um médio com capacidade de passe mas não apresenta os mesmos argumentos de Liendl que consegue chegar perto do bloco ofensivo, finalizar (7 golos na Bundesliga II), controlar o ritmo de jogo e perceber o momento certo para jogar curto, variar o centro de jogo ou esticar na frente através da sua visão de jogo e inteligência táctica. Outra das opções possíveis para fazer dupla com Lacazette, é o experiente Bulow que também pode alinhar a central.

Na frente, o veterano Olic tem lugar na faixa esquerda, partindo para dentro e apoiando Gytkjaer que desempenha o papel de referência ofensiva, sendo que Olic também pode actuar nessa posição ou então Ribamar. O outro extremo, mais vertical e virtuoso pode ser Aigner, Aycicek, Claasen que costuma entrar no decorrer da segunda parte para agitar o jogo ou o ex-Portimonense, Amilton.

A equipa apresenta uma excelente capacidade de organização defensiva e também de circulação e construção na primeira fase, com uma saída a três, mas a qualidade na organização ofensiva tem sido posta em prova devido à falta de critério, disciplina, dinâmica e sobretudo entrosamento das ideias colectivas. O conjunto germânico apresenta ainda dificuldades em encontrar soluções defensivas quando os seus adversários mostram outro tipo de argumentos defensivos e apresentam-se em campo de forma organizada com um bloco compacto. Apesar disso, os talentos individuais perspectivam que o clube pode crescer neste capítulo no curto-prazo.

O 1860 Munchen é uma equipa que já mostra ter o dedo de Vítor Pereira. Os germânicos caminham para a imagem do seu treinador mas ainda existe um longo caminho a percorrer.

O técnico português promove um debate ideológico. Procura encontrar soluções para levar a melhor sobre o físico através da técnica. Uma fábula que tem como base a história de David e Golias. Os “pequenos tecnicistas e guardadores da bola” superam os “atléticos e possantes jogadores de futebol aéreo”. Com esta visão, Vítor Pereira pretende romper com um padrão táctico e uma ideia pré-concebida do futebol alemão, deixando o seu nome na história. Uma aventura em terras germânicas que promete dar que falar.

Link: Blog VideObserver

[:en]With four official matches for TSV 1860 München, the Portuguese manager has 2 defeats and 2 victories, having being eliminated from the German Cup by the 3rd division sensation team, Lotte, that also left behind Bayer Leverkusen and Werder Bremen. Despite the poor results so far, Vítor Pereira is a man of convictions, persisting on bringing his own game ideia to a German championship where physical abilities prevail.

His game ideia is characterized by an excessive obsession for the tactical accuracy, discipline, organization and control. That was noticed reading his recent interview to the newspaper Expresso. With his bold, disconcerting but also ambitious and revealing a great personality style, Vítor Pereira leaves open the possible return to the Portuguese league but for now his future is in Bundesliga II, where he is focused on avoiding relegation with TSV 1860 München.

The Portuguese coach believes that playing this way, he’ll  be closer to success. His ideas and game model conception now under analysis:

“(…). First, in defensive organization we need to clearly understand the moment to pressure. When and how to press. I don’t want a team… and I even need to put a damper, because they want to press, but press in a brainless way.”

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Image 1 – Team organized defensively in a 1-5-2-3. In this moment Olic gets back on the field to help and close inside as the 3rd man, but in an occasional situation.
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Image 2 – Intensive pressure when the ball gets on the sides. Collective behavior well identified with the team reacting and searching for numerical advantage situations to recover the ball possession

“I want a team organized, in a slow rhythm, tending to a determined behavior, and suddenly bam!”

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Image 3 – Uduokhai with great relevance to the construction of the offensive maneuver. A young center back to follow closely. He takes risks, shows good ball relation with decision-making capacity. The team always offering passing lines – three in this example but two more in the right wing to help vary the center of the game.

“I want as soon as possible to put the vertical pass to kill the pressure that comes. If it is not possible, because they have closed, then yes, it’s necessary to keep the ball. I want the team to realize the moments with conditions to speed up, if it is possible to speed up.”

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Image 4 – 1st phase of construction with the team concerned in playing at the offensive midfield. Starting with a supported play and always through the three center backs. Uduokhai with safe passing lines but choosing a depth pass for Wittek.
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Image 5 – Liendl getting in the match and changing it. Discretion, passing quality and tactical intelligence. The Austrian midfielder stretching the game to the back of the opponent’s defense when he had secure passing lines. A calculated risk that allows the team to speed up.

“Therefore it is necessary for the team to learn to identify the moments with conditions to go fast and the moments to keep the ball, circulate it and to play in width.”

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Image 6 – Again Liendl in the center of attention. Assuming the control of the game and promoting ball circulation. Uduokhai getting up on the field and supporting the offensive process. Lumor, wide open on the left as a left midfielder and Claase asking for ball between lines. On the other side Lacazette without opposition to receive and turn the play to the right.
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Image 7 – 1st phase of construction with Mauersberger getting up with the ball controlled and three passing lines well defined. The ball being played to the left for Uduokhai to receive it and take advantage of the space to conquer meters to his opponent. Space to progress and speed up.

In the set plays the team shows lack of organization.  As a result, for instance, they suffered 2 goals against Bielefield.

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Image 8 – Even with numerical advantage the team shows some lack of coordination and organization in this moment of the game. Two players attacking the same ball and losing it, and then the lack of reaction allows the opponent to shot inside the area. The physical wining organization.

Vítor Pereira faces a soccer dogma and assumes that for him there is only one way: win and play well.

“Because you can play very well but if you don’t win the players won’t believe in your game. The balance between winning and playing well must exist. I mean, there are coaches that don’t care much about playing well, but if my team wins and plays poorly, I get upset. If my team plays well and loses, I get even worse.”

“A coach can not prostitute himself, his ideas, but you have to be able to adapt them to the reality at stake.”

“Now I’m playing with a different formation, 1-3-4-3. Hey man, it’s giving me an amazing pleasure. You know why? Because the dynamics are completely different from those I used to work with.”

This is how Vítor Pereira presents his ideas and convictions. A model based in a 1-3-4-3 with a cohesive and organized block. A team with some young talents but also with experienced players such as Olic, 37 years old, the most rated player, and also Liend, Boenisch and Mauersberger.

Starting in the back, the goalkeeper Ortega, searches for the short pass to one of the center backs – Uduokhai, Ba, Boenisch or Mauersberger. The wingers, Lumor – former Portimonense player – on the left and Stojkovic on the right, or Wittek that plays on both sides. Already projected to the offensive midfield, they offer passing lines to follow the play. With explosive capacity, irreverence and technique these players are hard to stop coming from behind.

Things get complicated in the midfield. With only 2 man working as the clock of the team, the German club needs more dynamic and intensity in this sector. Lacazette offers these skills but needs another element on his side to control the moments of the game. Adlung is a midfielder with passing ability but doesn’t have the same abilities as Liendl, who can get closer to the defensive block, score (7 goals in Bundesliga II), control the rhythm of the game and understand the right moment to play short, shift the side of the game or play direct in the front due to his vision and tactical intelligence. Another possible partner for Lacazette is the experienced Bulow that also plays as a center back.

In the front, the veteran Olic takes place on the left, coming inside and supporting Gytkjaer – the offensive reference, role that also Olic and Ribamar can take. The other winger, more vertical and gifted that usually starts playing in the second half to shift the game, can be Aigner, Aycicek, Claasen or the other former Portimonense player, Amilton.

The team reveals and excellent defensive organization ability, and also circulation and construction on the 1st phase, with a 3-man build-up. However, the quality of the offensive organization has been put to test due to the lack of discretion, discipline and especially collective ideas understanding. The German team is still struggling to find defensive solutions when the opponents come up with different defensive abilities presenting themselves in a compact and organized block. Nonetheless, individual talents have us believe the club will progress in this matter in short-term.

1860 München is a team that already reveals the hand of Vítor Pereira. The Germans progress to be the image of their coach but there’s still a long way to go.

The Portuguese manager promotes an ideological debate. He is seeking solutions to overtake the physical through the technique. A fable that is based on the story of David and Goliath. The “the small technicians and ball guardians” overcome the “athletic and powerful aerial soccer players”. With this approach, Vítor Pereira intends to break with a tactical pattern and a pre-conceived idea of German soccer, putting his name in history. An adventure in German lands that will set tongues wagging.

Link: Blog VideObserver

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