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Andrea Pirlo – “IL CALCIO CHE VORREI”

Andrea Pirlo foi, surpreendentemente, nomeado como treinador principal da Juventus. Sem conhecermos, na prática, a capacidade de Pirlo para treinar uma equipa, tomámos como base a sua tese de conclusão do curso de treinador. Assim, analisámos a tese e os três primeiros jogos da Juventus esta temporada, tentando decifrar o trabalho feito pelo maestro italiano.

“A ideia fundadora do meu futebol é baseada na vontade de um futebol objetivo, de posse e de ataque. Gostaria de jogar um futebol total e coletivo, com 11 jogadores ativos na fase ofensiva e defensiva. Ao manipular espaços e tempos, temos a ambição de comandar o jogo nas duas fases.”

Andrea Pirlo in “IL CALCIO CHE VORREI”

É desta forma que o novo treinador da Vecchia Signora introduz a sua tese: futebol de posse, ofensivo e objetivo.

Começando pelos traços gerais, Andrea Pirlo procurou reformular a estrutura tática da Juventus. No jogo inaugural da Serie A, diante da Sampdoria de Claudio Ranieri, montou um 3-5-2 com variâncias ao longo do jogo. No segundo jogo, diante da Roma de Paulo Fonseca, a Juve entrou em campo com um 4-4-2 base (2-3-5 em processo ofensivo), sendo este alterado no decorrer da partida para um 3-4-1-2 com Cuadrado a adiantar-se mais no terreno.

Nos dois jogos analisados, a Juventus procurou ser a equipa mais dominadora no jogo. Assumir as rédeas da partida, ter bola e chegar perto da baliza adversária. No primeiro jogo, diante da Sampdoria, obtiveram uma percentagem de 66% de posse de bola, no segundo encontro, diante da Roma, mesmo com menos um jogador, tiveram uma posse de bola de 60%.

“Atacar bem, para defender bem”

A Juventus procurou construir jogo desde trás, utilizando o guarda redes (3º homem) na 1ª fase de construção. Assim, é possível superar a primeira linha de pressão, utilizando um dos princípios do futebol, que é o da superioridade numérica.

Andrea Pirlo define o processo de construção como uma subida compacta, ir progredindo no terreno de jogo, superando linhas de pressão, sem forçar a verticalização ou lançamentos longos.

No momento da organização ofensiva, o treinador italiano exige uma posse de bola dinâmica, com o objetivo de desorganizar o adversário, fazê-lo sair da sua posição. O processo de construção tem de ser em movimento contínuo, movimentação para ocupação de espaços. Se o portador da bola está livre e com espaço, os colegas de equipa afastam-se, se o portador da bola está pressionado e sem espaço, os colegas de equipa aproximam-se. Deste modo, Andrea Pirlo entende que conseguirá, não só ter sempre uma linha de passe disponível para superar a pressão adversária, como conseguirá ter superioridade numérica na zona da bola.

“Sem pressa mas sem pausas”

Na fase de criação ofensiva, Andrea Pirlo define três macro princípios para se atacar de forma efetiva:
1) Largura máxima
2) Busca contínua pela finalização
3) Ataques constantes à profundidade

1. Largura máxima

Andrea Pirlo defende a ideia de largura máxima e amplitude oposta, tendo uma opção sempre aberta pronta a receber bola.

Esta ideia de largura máxima e amplitude oposta cria dificuldades à defesa adversária, na medida em que os defesas têm duas opções: permanecer abertos e acompanhar o marcador direto ou fechar linhas. Assim, caso optem por permanecer abertos, acompanhando o jogador da Juventus, vão criar espaços interiores para serem aproveitados pela equipa italiana. Por outro lado, se optarem por fechar os espaços interiores e manter as linhas e unidades próximas, vão chegar mais tarde às mudanças de flanco, permitindo a progressão e a criação de desequilíbrio.

2. Finalização

Na sua tese, o atual treinador da Juventus descreve o alinhamento posicional de como conseguir chegar ao objetivo central de um jogo de futebol: o golo.

Em termos posicionais, as instruções são para estarem sempre dois jogadores entre a linha defensiva e a linha média adversária + dois jogadores extra no apoio a estes dois jogadores. Aliado a este posicionamento centralizado, o treinador salienta a importância de ter sempre dois jogadores no ataque à profundidade.

3. Profundidade

No modelo de jogo do maestro italiano, a profundidade e a busca intensa por este espaço apresenta-se com uma elevada importância para o sucesso das suas ideias.

O ataque à profundidade tem de ser uma constante no jogo da Juventus, onde são definidos três objetivos para atacar a profundidade:
1) obrigar a baixar a defesa adversária
2) manter os defesas adversários mentalmente ocupados
3) atacar o espaço – receber – marcar

“Acredito, porém, que nos últimos 3 metros a criatividade e o talento individual devem ser privilegiados, com os jogadores livres para se expressarem, procurando apostas decisivas.”

Andrea Pirlo in “IL CALCIO CHE VORREI”

No processo defensivo, como é natural, existem dois macro objetivos: não sofrer golo e recuperar a bola o mais rápido possível. Andrea Pirlo estabelece duas formas de encarar o processo defensivo. Se a bola estiver no meio campo ofensivo, tem de existir uma pressão alta imediata. Se a bola estiver no meio campo defensivo, a equipa baixa linhas e espera pelo adversário.

Pressão alta, linha defensiva alta e agressiva. No momento da transição ofensiva, se a bola é recuperada no meio campo ofensivo, existe o objetivo de atacar imediatamente a baliza adversária (aproveitar eventual desorganização defensiva adversária). Se no espaço de 5-10 segundos não conseguirem materializar o ataque à baliza adversária, mantêm a posse de bola e retomam a estrutura organizacional.

“O futebol é um desporto de pontuação muito limitada, ao contrário de outros desportos importantes (como basquetebol ou o voleibol). Essa diferença “pequena, mas grande” determina que às vezes não é a equipa que mereceu vencer que leva para casa o resultado final.”

Andrea Pirlo in “IL CALCIO CHE VORREI”

Andrea Pirlo será como treinador, aquilo que foi como jogador, uma pessoa de ideias vincadas, mas de um profundo romantismo. O pragmatismo terá de estar presente, mas o futebol bonito e atrativo terão de ser ingredientes fundamentais no futebol das equipas de Pirlo.