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AS Roma – À procura de reforços para Mourinho

Indiscutivelmente o melhor treinador português de todos os tempos e um dos melhores de sempre a nível global, José Mourinho assinou contrato com a Roma, com a responsabilidade de devolver um dos principais clubes italianos à luta por títulos e ao panorama europeu, tal como fez pelo Inter.

Inicialmente a decisão da direção dos “Giallorossifoi algo contestada pelos adeptos, derivado do passado de Mourinho como treinador de um dos rivais de Milão. Ainda assim, toda a contestação se esvaiu logo nos primeiros dias e na chegada a Roma, José foi recebido em êxtase e com uma enorme expectativa pelos adeptos, que reconhecem que um dos mais incontornáveis treinadores da história do futebol tem capacidade para voltar a colocar a Roma no local onde tanto merece, o topo do futebol europeu.

O entusiasmo dos adeptos é grande, mas, ainda assim, o plantel que Mourinho tem ao seu dispor não tem o nível da grande Roma campeã em 2000-2001, nem o nível da Roma que chegou à semi-final da Champions League na época 17/18, tendo eliminado pelo caminho o Barcelona.

O plantel da Roma já viu algumas mudanças nestes dois meses da janela de transferências, com muitas saídas e algumas entradas, mas algumas posições ainda “chamam” por um reforço. Segue-se assim uma análise às posições mais carenciadas e a alguns jogadores que podem ser solução para os “Giallorossi”.

O plantel de Mourinho

No início da pré-época, José Mourinho decidiu que a equipa precisava de mudanças e deu guia de marcha a vários jogadores. Pedro saiu para a Lazio e Florenzi saiu emprestado ao Milan. Juan Jesus e Bruno Peres também não entravam nos planos e foram dispensados para o Nápoles e Trabzonspor, respetivamente. Pau López e Cengiz Ünder foram emprestados ao Marselha, enquanto que Edin Dzeko rumou finalmente ao Inter. Resta assim a saída de Steven Nzonzi e Javier Pastore, que aguardam colocação.

Dos nove nomes aqui apresentados, muito deles têm um longo passado ao serviço dos romanos, mas a chegada de Mourinho parece indicar o fim de um ciclo e o início de outro. Para além disso, a saída destes jogadores reduz em muito a folha salarial do clube romano.

Tiago Pinto, ex-diretor desportivo do SL Benfica e atual diretor desportivo da Roma, é um dos principais responsáveis por estas mudanças e tem trabalhado em conjunto com José Mourinho, para garantir que o plantel tem o melhor nível e profundidade possível.

Nas entradas, a Roma foi buscar Rui Patrício para a baliza, um jogador experiente, compatriota de Mourinho e que pode ajudar dentro e fora de campo. Matias Viña foi recrutado para a lateral esquerda e Eldor Shomurodov, a estrela uzbeque, foi contratado para o ataque. Por fim, a grande contratação é Tammy Abraham, que chegou do Chelsea a troco de 40M€.

Neste momento, tendo em conta as saídas e os reforços, a Roma tem um plantel com qualidade, mas algumas posições ainda precisam de um reforço. A defesa no geral está bem ocupada, existe profundidade e qualidade, ainda que nenhum nome seja de relevo e muito experiente.

No meio-campo, as opções são menos e na eventualidade da saída de Diawara, algo abordado pela imprense internacional, a situação torna-se pior, pelo que é preciso um médio defensivo.

No ataque, a posição de avançado centro está bem ocupada, mas para extremos as opções são mais curtas. Neste momento, Nicolò Zaniolo e Henrikh Mkhitaryan são os jogadores que assumiram a titularidade nos primeiros jogos oficiais já jogados. Assim, sobra El Shaarawy e Pérez. Enquanto que a contribuição que o extremo italiano pode dar é sempre uma dúvida, o jogador espanhol não será indicado para assumir a titularidade caso necessário, ainda que tenha entrado para o onze inicial no jogo contra o Salernitana em detrimento de Zaniolo que havia sido expulso no jogo anterior. Para além disso, o plantel romano beneficiaria de ter um extremo com um perfil diferente do que existe, algo que irá ser abordado de seguida.

Assim, estão definidas as duas posições mais necessitadas, seguindo-se uma análise a alguns jogadores que podem ser hipóteses para a equipa de Mourinho.

Médio Defensivo

Tal como referido, não existe no plantel da Roma nenhum médio defensivo de raiz, considerando obviamente a eventual saída de Diawara. Nesse caso, sobraria Veretout, Villar e Cristante. Para além de serem poucos jogadores para dois lugares no onze, todos privilegiam a bola e destacam-se predominantemente no momento de construção e ofensivo. Deste modo, falta um verdadeiro médio defensivo, um perfil mais combativo, de choque e com boa capacidade de recuperação.

Assim, segue-se uma pequena análise a dois jogadores, um deles bem conhecido do futebol português, que podem ser opção para a equipa de José Mourinho.

João Palhinha

Produto da formação do Sacavenense, João chega ao Sporting em 2013, na altura com 17 anos. Teve sempre em bom destaque nas camadas jovens ao serviço dos leoninos mas a chegada ao futebol sénior dá-se 2015 pelo Moreirense. De seguida foi emprestado mais um ano, dessa vez ao Belenenses-SAD e depois foi novamente emprestado, dessa vez por dois anos ao SC Braga. Em 2020, regressa ao Sporting e sob o comando de Rúben Amorim ganha um papel preponderante na equipa leonina, sendo um dos jogadores mais importantes e fundamentais da conquista do título.

João Palhinha tem o perfil que falta ao meio-campo de Mourinho. É um jogador muito combativo, forte nos duelos e que se destaca pela capacidade de desarme e recuperação de bola. Para acompanhar, possui uma capacidade de antecipação e leitura defensiva muito positiva, conferindo bastante equilíbrio a toda a equipa. Com bola tem vindo a melhorar e é agora um jogador também bastante capaz neste momento de jogo. Tem um bom passe, curto e longo, uma boa visão de jogo e uma capacidade de progressão em condução também muito positiva. Fisicamente é muito forte e faz dessa característica uma das suas principais armas.

Para concluir, Palhinha é um médio defensivo bastante forte, que se tem destacado no campeonato português e seria uma adição fantástica ao plantel de José Mourinho. No aspeto financeiro, o Sporting não irá facilitar no processo de negociação do jogador, pelo que o preço será por volta dos 30M, algo que pode ser demasiado para o atual estado financeiro da Roma mas, ainda assim, fica aqui a recomendação do jogador.

Denis Zakaria

Internacional suíço em mais de 30 ocasiões, aos 24 anos Zakaria é uma das peças fundamentais da sua seleção e do Borussia Borussia Mönchengladbach. Denis tem raízes da RD do Congo, mas foi na Suiça que cresceu e despontou para o mundo do futebol. Realizou toda a sua formação ao serviço do Servette, tendo-se transferido para o Young Boys ainda com 18 anos. Esteve dois anos num dos principais clubes helvéticos, mostrou-se a um nível excelente e foi transferido para a Alemanha a troco de 12M€. Ao serviço do Gladbach, Denis tem sido um dos principais jogadores da equipa e nos últimos dois anos vê o seu nome associado a vários gigantes europeus.

Zakaria é um médio defensivo com 1,91m, muito forte fisicamente, bastante possante e rápido. Possui um desarme muito bom e uma capacidade de antecipação também muito positiva, algo que o torna muito forte nos duelos divididos. É um médio de choque e bastante forte na recuperação, pelo que se destaca assim no processo defensivo. Ainda assim, Denis é também bastante capaz com bola, é forte na resistência à pressão adversário, tem uma condução de bola muito positiva, uma boa visão de jogo e um bom passe.

Para concluir, Denis Zakaria é um médio com muita qualidade que já se afirmou totalmente na Bundesliga. É, à semelhança de Palhinha, um jogador diferente das opções atuais de Mourinho, pelo que seria uma excelente adição ao plantel romano. Em termos financeiros, Zakaria tem um valor de mercado relativamente alto, mas resta-lhe apenas um ano no seu contrato, pelo que é uma solução acessível e realista à realidade da Roma, tanto que tem sido notícia na imprensa italiana de um alegado interesse por parte dos “Giallorossi”.

Extremo

Para as alas do ataque existem quatro opções diferentes, ainda assim o equilíbrio num onze inicial e num plantel é algo fundamental para o funcionamento de uma equipa e falta assim um jogador com um perfil de jogo mais vertical e agressivo, e com mais golo, que possa dar soluções diferentes ao jogo da Roma.

Zaniolo e Mkhitaryan são jogadores que se destacam pelo processo de criação. El Shaarawy e Carles Pérez são extremos mais puros, de desequilíbrio, mas ainda assim não são soluções ideais e não encaixam no perfil de jogador mais vertical e direito que foi abordado.

Assim, segue-se novamente uma pequena análise a três jogadores que podem ser solução para José Mourinho.

Luis Díaz

A velha história entre o FC Porto e os jogadores colombianos tem um novo capítulo, sendo Luis Díaz o mais recente protagonista. O jovem extremo, formado no Junior Barranquilla, chegou aos Dragões em 2019, na altura com 22 anos. Os titulares foram saindo e agora, aos 24 anos, Luis é uma das estrelas do ataque azul e branco. O jogador “cafetero” acabou a época 20/21 em grande forma, realizou uma Copa América de um nível muito elevado, tendo até sido incluído no melhor onze da competição, e tem tido um excelente início de campanha 21/222. Por tudo isto, tem sido dos nomes mais badalados do mercado português e o interesse dos grandes clubes das principais ligas europeias é mais que óbvio.

Díaz é um extremo canhoto que joga da esquerda para o meio. Tecnicamente é muito forte, possui um drible muito bom e é também dotado de uma boa capacidade de finalização, ainda que o principal problema dele seja a falta de compostura em frente à baliza, algo que por vezes o leva a falhar, mas ainda assim a evolução é clara e está cada vez mais competente nesse aspeto. Luis é um extremo muito criativo, mas sempre bastante vertical e direto em todas as suas ações. No aspeto tático, a evolução é clara, algo também já abordado pelo próprio Conceição, e está agora totalmente entrosado com a equipa e com as suas dinâmicas, e já adaptado ao futebol europeu.

Por tudo isto, Luis Díaz poderia oferecer a Mourinho algo que nenhum extremo da Roma oferece. O contexto também seria interessante para o jogador, que continuaria aos comandos de um treinador português e incluído num grupo com vários jogadores ibéricos e sul-americanos. Ainda assim, Díaz é uma das peças fundamentais do Porto para a temporada que agora começou e certamente que os Dragões não iriam libertar o jogador por menos que 30-35M€, um preço que pode ser algo inacessível aos cofres romanos.

Jérémie Boga

Produto da formação do Chelsea, Boga fez o caminho que tantos outros fizeram. Aos 18 anos, Jérémie foi emprestado ao Rennes. Um ano depois foi emprestado ao Granada e depois ao Birminghan. Não se conseguiu afirmar, nunca ganhou um lugar na equipa principal dos Blues e foi vendido em 2018 ao Sassuolo por cerca de 10M€. Ao serviço dos “Neroverdi” realizou 91 jogos, marcou 18 golos e assistiu 8 vezes, números não muito positivos mas que não refletem totalmente a qualidade do jogador.

Boga é um extremo canhoto que, à semelhança de Luis Díaz, joga da esquerda para o meio. O jovem costa-marfinense é muito forte tecnicamente, possui uma capacidade de drible fenomenal, associada à sua aceleração muito forte e ao controlo de bola também excelente. Tem uma técnica de remate também positiva mas ainda tem muito espaço para melhorar neste capítulo. É um jogador bastante criativo e imprevisível, não é tão vertical como Díaz mas é um jogador com um perfil agressivo e que acelera o jogo sempre que toca na bola.

Por fim, Jérémie é um bom jogador, adaptado ao futebol italiano, e ainda com uma margem de progressão grande. Tem realizado boas épocas ao serviço do Sassuolo mas poderá ainda não estar pronto para dar o salto para um patamar mais elevado. Ainda assim, Boga tem apenas mais um ano de contrato e pode ser uma opção acessível e interessante para Mourinho.

Antony

Nascido em São Paulo, foi ao serviço de um dos principais clubes da cidade e do futebol brasileiro que Antony realizou grande parte do seu processo de formação e deu os primeiros passos no futebol sénior. Pelo clube tricolor realizou 37 jogos, marcou 4 golos e assistiu 6 vezes, números suficientes para lhe valerem uma transferência milionária para a Europa. Em 2020, reforçou o Ajax a troco de quase 16M€, numa transferência semelhante à de David Neres. Nesta última temporada, com apenas 21 anos foi um dos principais destaques do futebol holandês, e é agora um dos principais jovens extremos do futebol mundial.

Antony é um extremo destro que joga da direita para o meio, o inverso de Luis Díaz e Boga. É um extremo com uma capacidade técnica muito boa, é muito forte no drible e em condução, sendo dotado de uma excelente aceleração e de uma velocidade também muito positiva. O jogador brasileiro tem também uma técnica de remate muito boa e é muito capaz no processo de criação. Ainda assim, no aspeto mental e tático ainda tem espaço para crescer, algo derivado da sua idade e da pouca experiência. Em comparação a Díaz, não é tão agressivo e vertical com bola e para além disso joga mais colado à ala, mas é um jogador que acelera muito o jogo e bastante desequilibrador.

Para concluir, Antony é um extremo com muita qualidade, tem uma margem de potencial muito grande e tem tudo para ter um grande futuro. Tal como Díaz, o jovem extremo oferece diferentes soluções a Mourinho e seria uma excelente opção para o plantel romano, onde teria espaço e oportunidades para crescer.

Conclusão

Por fim, o mercado de transferências da Roma tem sido agitado, mas algumas posições ainda precisam de ser reforçadas. No meio-campo falta um perfil mais defensivo e combativo que ofereça a Mourinho algo que os atuais jogadores não ofereçam. No ataque, as soluções para o centro são de grande nível, mas para as alas falta também um perfil diferente do que existe. Mkhitaryan e Zaniolo são excelentes opções, mas ambos privilegiam a bola e destacam-se pela capacidade de criação. El Shaarawy e Carles Pérez são bons suplentes, mas não serão ideais para eventualmente assumir a titularidade.

Palhinha e Zakaria são excelente opções e ambos relativamente acessíveis e realistas. Em relação aos extremos, Luis Díaz parte claramente à frente dos restantes, mas Boga e principalmente Antony são também excelentes alternativas para o plantel romano.

Para concluir, a expectativa em torno da Roma e de Mourinho é enorme e independentemente de haverem ou não mais reforços, o plantel tem qualidade suficiente para atacar os lugares europeus, sendo o título um objetivo mais distante. Por tudo isto, os “Giallorossi” são uma das principais equipas a acompanhar na temporada que agora começou, a nível interno e continental.



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