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Atlético de Madrid: Líder de pólvora seca. O momento ofensivo dos 3 primeiros da La Liga

La Liga 20/21: as três equipas do costume ocupam os lugares cimeiros, e com alguma surpresa, o Atlético é líder com menos três jogos (!) que Real Madrid e Barcelona.

Para que isso se justifique, fomos perceber algumas coisas. Quais as diferenças entre as três cores no momento ofensivo?  Como atacam? Que tipo de movimentos são recorrentes? Quais os denominadores comuns? Com recurso a dados estatísticos e análise de vídeo, este artigo pretende:

  • Analisar individualmente o momento ofensivo de cada uma das equipas,
  • Compará-las na forma e nos dados estatísticos,
  • Perceber se há alguma relação entre a posição na tabela que ocupam e o que fazem na baliza adversária.

«Os ataques ganham jogos, as defesas ganham campeonatos»

Desde logo salta à vista o facto de o Barcelona (3.º classificado) ter o maior número de golos e remates. Pressupõe um maior caudal ofensivo, sustentado na sua posse de bola média (61,4%).

Em Madrid, o Real é a equipa que recupera mais bolas no meio-campo ofensivo, um indicador de pressão alta sustentado em análise de vídeo.

Já o líder Atlético é quase sempre último na análise comparativa das equipas. Faz menos passes, menos dribles, entra poucas vezes no último terço com bola, mas é a equipa que menos oportunidades precisa para fazer golo. A cada 5 remates, um vai parar ao fundo das redes. Este dado pode explicar a presença no topo da liga, apesar de ser o ataque menos concretizador, com 29 golos apenas.

E qual a percentagem dos ataques (por corredor) que acabam em remate?

Ainda na análise, há dados que nos podem explicar como as equipas atacam:

  • Real Madrid depende da qualidade individual dos seus jogadores para criar (12,1 dribles por jogo)
  • Atlético dá iniciativa aos seus adversários explorando transições rápidas (49,3% posse de bola média)
  • Barcelona pratica futebol apoiado sustentado em passes curtos (81% do total dos passes), e entradas no último terço com a bola controlada (49,44 por jogo).

Atlético de Madrid

Os colchoneros são neste momento os líderes de La Liga. Com três jogos em atraso, a equipa de Diego Simeone pode cavar um fosso difícil de recuperar.

Os comandados de Simeone privilegiam os equilíbrios defensivos na forma de atacar, e talvez por isso acabem por marcar poucos golos. o 4x4x2 é o sistema favorito com dois avançados móveis capazes de aparecer em movimentos de rotura, e sobretudo responder a cruzamentos no interior da área.

Os laterais envolvem à vez, sendo que os extremos são responsáveis pelas sobreposições interiores, para criarem mais uma linha passível de situação de cruzamento.

Real Madrid

A equipa de Zinedine Zidane dá preferência ao ataque organizado, procurando a velocidade e a qualidade de passe dos seus jogadores para criar oportunidades de golo.

Procuram um equilíbrio na alternância entre passe curto e longo, no sentido de atrair os adversários para o centro de jogo e variar rapidamente o mesmo, aproveitando as constantes desmarcações de rotura dos extremos e avançados, ou mesmo dos laterais que têm um papel fundamental no momento ofensivo da equipa.

Os extremos e laterais alternam muito o seu posicionamento ofensivo, o que permite diferentes dinâmicas de ataque. Com os extremos por fora, Zidane dá liberdade aos interiores para subirem e procurarem movimentos de rotura nos espaços lateral-central.

Este movimento é suportado pelas desmarcações e roturas constantes de Benzema. Os laterais procuram também sobreposições exteriores, (quando os extremos optam por diagonais interiores) ou um posicionamento mais interior, para equilibrar as subidas dos médios– Kroos, Modric ou Valverde.

Em fase de criação, aproveitam as vantagens qualitativas verificadas em muitas situações, com os extremos como Rodrygo, Vinícius ou Asensio a optarem pelo 1vs1, no sentido de criarem situações de finalização ou assistir colegas em melhor posição.

Juntam processos simples e combinações diretas e indiretas constantes à criatividade dos seus jogadores.

Barcelona

Uma equipa muito bem organizada, que procura controlar o jogo em todos os seus momentos e que privilegia um ataque organizado e temporizado.

Prefere o passe curto a todos os outros tipos e é uma equipa que valoriza muito a bola, esperando pacientemente até encontrar espaços para ferir o adversário.

Atua predominantemente num 1-3-4-3 ou 1-2-5-3 em organização ofensiva. Os jogadores mais adiantados apresentam-se muito móveis, tornando qualquer sistema que seja identificável bastante aberto, com permutas e trocas posicionais constantes entre jogadores.

Quando em primeira ou segunda fases de construção, procuram uma saída muito apoiada, a dois ou a três, algo que depende do número de jogadores que compõem a primeira linha de pressão adversária. Quando optam por uma saída a 3 (“saída lavolpiana”), um dos médios interiores baixa para junto dos centrais. O excelente jogo de pés de Ter Stegen ajuda neste processo.

Procuram ferir o adversário através de movimentos de atração para criar espaço, quer seja através de movimentos interiores e de apoio frontal dos extremos, para desmarcação de rotura dos alas em corredor lateral, como também através de movimentos de rotura simples pela frente ou “lado cego” do adversário direto, com muito jogadores posicionados perto da linha defensiva. Procuram atrair em espaços curto para criar espaços fora do centro de jogo muitas vezes materializada na conexão Messi-Alba.

Chegam a zonas de finalização com um elevado número de jogadores, procurando atacar espaços em igualdade ou superioridade numérica.

Messi

Este texto não ficava completo sem falar de Lionel Messi. O argentino é o motor desta equipa e apresenta muita mobilidade de movimentos, procurando desequilibrar e fixar o maior número de jogadores possível. Todos sabemos a sua importância no Barcelona, mas talvez este ‘heatmap’ ajude a perceber a sua relevância no momento ofensivo.

Três formas distintas de atacar – a transição, a individualidade e a posse – e a La Liga a pender para a equipa que até agora tem a ‘pólvora seca’.

O Atlético remata menos, marca menos, mas é mais líder. Confirma-se o chavão: «Ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos».



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