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Terminado mais um Campeonato Europeu de sub-19, é hora de fazer o balanço, de elencar os destaques da competição.
 
Começando pela selecção vencedora, a França. Constituída por jogadores bastante evoluídos em termos físicos e alguns em termos técnicos, foi a equipa mais regular e foi evoluindo com o decorrer dos jogos. Para isso contribuiu e muito a passagem de Augustin para a posição de ponta de lança e com a entrada de Blas para o 11. Esta alteração deu à equipa mais capacidade para criar jogadas de perigo e maior capacidade de finalização no ataque. Outra alteração que permitiu maior exploração dos três corredores foi a entrada de Maouassa que deu maior largura à ala esquerda do que o adaptado Boscagli. Defensivamente, sem ser um conjunto excepcionalmente organizado, soube povoar muito bem o corredor central, interceptando muitas bolas e impedindo a construção adversária, sendo um conjunto muito agressivo e concentrado. É verdade que deixavam algum espaço entre a linha defensiva e a linha média, mas, tirando a selecção portuguesa e a croata a espaços, não houve perigo criado devido a isso.

Os destaques individuais desta equipa são vários:

Diop, central pelo lado esquerdo na maioria dos jogos, que primou pela qualidade ao nível dos duelos, antecipação e capacidade física para ir buscar bolas que lhe caíssem nas costas;

Michelin, lateral direito, muito participativo no ataque, com excelentes cruzamentos e com um pontapé forte, mais aproveitador de espaços do que um criador de desequilíbrios através da progressão. Revelou agressividade e qualidade no desarme;

Tousart, o capitão e o líder de todo o processo defensivo, era ele que definia onde é que a equipa devia pressionar e revelou sempre muita competência na quantidade de lances adversários que destruiu, tendo também revelado alguma qualidade de passe ao iniciar as jogadas ofensivas;

Harit, a grande surpresa gaulesa. Fortíssimo com bola, no passe e no transporte, mostrou criatividade e uma dinâmica assinalável. Um dos primeiros jogadores a mostrar-se na altura seguinte à perda da bola, nunca virando a cara ao trabalho defensivo;

Mbappe, o desequilibrador nas faixas. Tremenda mudança de velocidade que deixou os laterais perdidos, boa capacidade de drible e remate forte são as notas de destaque deste jovem jogador;

Augustin, o matador. Veloz e potente, aproveita muito bem os espaços para poder finalizar. Não é tecnicamente muito dotado, mas a sua velocidade e força fazem a diferença neste contexto.

Notas: Blas e Poha são nomes que também devem ser acompanhados para o futuro 
  
 
A Itália conseguiu atingir a final sem ter perdido um jogo até então e terminou a competição sem ter marcado um golo num lance de bola corrida. Numa altura em que muito se fala sobre a ausência de um lote de jogadores promissores e que se teme pelo futuro da Squadra Azzurra no futuro, vários nomes apareceram como possíveis figuras do país nos próximos anos. A sua estratégia passou por dar a iniciativa de jogo aos adversários e procurar sair em ataques rápidos. Na maioria dos jogos, com excepção da final, mostram uma coordenação defensiva muito boa e com grande capacidade para neutralizar os ataques adversários. Demonstraram pouca capacidade em termos defensivos, não só pela pouca qualidade que os elementos da frente demonstraram, mas devido às escolhas do treinador que privilegiou.

Meret, guardião com reflexos extraordinários, muito forte entre os postes e muito rápido a reagir. Ágil, cobre muito bem a zona da baliza, movendo-se bem de um poste ao outro;

Romagna, o capitão da equipa e aquele tipo de central que o público em geral só valoriza passado uns anos. Discreto e sóbrio, faz da inteligência o seu principal atributo, algo que o permite estar quase sempre bem posicionado e interceptar muito lances;

Coppolaro, o durão. Se Romagna é um representante da classe, Coppolaro é a antítese. Sem medo de sujar os calções, faz de cada duelo um lance de vida ou de morte. E a verdade é que ainda tem vidas após esta competição, o que mostra a qualidade que o jovem transalpino revela nestas situações.

Dimarco, o goleador improvável. Lateral  esquerdo que se destacou pela qualidade na cobrança de bolas paradas. Defensivamente muito agressivo sobre a bola, revelou ainda apetência para subir no corredor e tirar cruzamentos perigosos.

Locatelli, o cérebro. Jogador por onde todas as jogadas ofensivas passavam. Fortíssimo no passe com os dois pés, revelou alguma lentidão na forma como executa e alguma dificuldade na reacção à perda, algo que num modelo de jogo que o proteja pode ser remediado. Contudo, a sua qualidade técnica é soberba.

Notas: Minelli e Cassata foram elementos com poucos minutos, mas que mostraram pormenores interessantes e que merecem ser seguidos. 
 
 
Portugal conseguiu a 4º presença em Mundiais de sub-20, após o apuramento para as meias-finais, onde foi derrotado pela selecção francesa. Uma equipa com vários valores bem interessante, mas que adoptou uma postura que não beneficiou o estilo das suas principais individualidades. Revelou qualidade para jogar em ataque posicional durante mais tempo, mas remeteu-se à defesa, o que evidenciou a falta de organização na cobertura dos espaços, com os jogadores algo dispersos pelo campo. Ofensivamente, mostraram-se algo dependentes da qualidade e criatividade no passe de Pedro Rodrigues e da capacidade de criação de João Carvalho.

Pedro Silva revelou qualidade a guardar a baliza. Elasticidade, bons reflexos e capacidade no 1×1 foram os principais atributos do jovem guardião, que evidenciou alguns problemas com o controlo do espaço aéreo e no jogo com os pés.

Francisco Ferreira apresentou um bom nível, qualidade nos duelos, quase sempre de uma forma limpa e capacidade para realizar aberturas com passes longos diagonais. Porém, revelou-se algo errático quando tentou sair de forma curta.

Pedro Rodrigues mostrou a qualidade de passe, a visão de jogo e a criatividade que o caracterizam na construção do jogo desde trás. Mostrou algumas dificuldades quando pressionado de forma mais intensa, fruto de uma velocidade de execução não muita alta, mas que conseguiu solucionar amiúde com a sua superior qualidade técnica.

João Carvalho revelou muita qualidade na movimentação e capacidade para pegar no jogo da equipa entre linhas. Muito forte a definir os lances, assistiu e tentar marcar. O seu talento é exponenciado quando joga em zonas interiores e quando tem mais apoios por perto.

Notas: Gonçalo Rodrigues mostrou alguns bons apontamentos. Rúben Dias também merece atenção, embora não tenha estado muito feliz no único jogo televisionado que realizou. Diogo Dalot precisa de ser sujeito a estímulos superiores, de jogar com jogadores mais velhos, de modo a evoluir principalmente a nível defensivo e deixar de confiar tanto no seu físico para anular as iniciativas adversárias. Caso isso aconteça, poderá ter bastante futuro no seu clube e na selecção. 
 
 
Inglaterra apresentou-se com o melhor lote de individualidades, na minha opinião, mas esteve algo abaixo daquilo que se esperava em termos exibicionais, com uma equipa algo desgarrada e com poucas ideias em organização defensiva, dependendo dos fogachos de Brown, Onomah e Ojo. Procuraram entrar fortes nos encontros e resolvê-los cedo, algo que conseguiram em pelo menos 2 dos jogos que realizaram. Defensivamente não se mostraram muito organizados e forçaram muito a ocorrência de duelos individuais, confiando na capacidade física dos centrais.

Os principais destaques foram:

Onomah, o principal construtor de jogo, auxiliava na 1ª fase de construção, foi peça fundamental na 2ª fase, transportando a bola ou procurando o apoio dos laterais nos flancos. Revelou-se algo errático no passe, não por falta de qualidade no gesto técnico, mas por alguma displicência em algumas das acções;

Brown, o criativo inglês, que deambulava da faixa esquerda para o meio e o último recurso para criar situações de finalização quando a movimentação colectiva na resultava. Mostrou qualidade na movimentação, capacidade no 1×1 e diagonais com perigo. Pareceu que podia dar mais do que aquilo que fez ao longo da competição, não deixando, no entanto, de ter sido uma das principais figuras britânicas;

Solanke, o ponta-de-lança, que mostrou o seu instinto de finalização, capacidade para atacar a profundidade e qualidade na ligação com o meio-campo, mostrando assertividade no passe após receber em apoio frontal.

Notas: Ojo, Rossiter e Oxford, este se aprender a posicionar-se e controlar a impetuosidade, podem ser nomes relevantes no panorama inglês no futuro. 
 
 
A Alemanha, selecção anfitriã, mostrou, uma vez mais, que o modelo de jogo das equipas alemãs, independentemente do valor das individualidades, procura sempre o protagonismo e o gosto pela bola no seu poder. Não mostraram ideias muito incisivas no momento de organização ofensiva, mas tentaram sempre manter a bola e chegar à baliza de diversas formas, tendo sido mesmo o colectivo que mais quis valorizar esse momento e que mais o procurou. Defensivamente, mostraram ser uma equipa que reagia bem à perda, recuperando várias bolas, mas, o risco que corriam em termos ofensivos, pagaram-no defensivamente, onde se mostraram algo desorganizados.

O principal destaque foi Henrichs, o faz tudo da equipa e o melhor intérprete da orquestra alemã. O melhor jogador em termos ofensivos e defensivos. Forte no passe e no transporte de bola, revelou ainda alguma criatividade nas suas acções, tentando fazer passes de ruptura entre os jogadores adversários, quando as linhas de passe não pareciam existir. Defensivamente, revelou uma excelente reacção à perda.

Notas: Mittelstadt, Horn, Gul, Besuschkow e Ochs revelaram alguns pormenores interessantes e que valem uma olhada nos seus clubes. 
 
 
A Áustria é uma equipa sobre a qual pouco se pode dizer porque apenas um jogo foi transmitido. Baseando-me nesse jogo, a equipa demonstrou alguma fragilidade a nível defensivo pelos três corredores e alguma incapacidade para sair em transição. Por isso, não haverá destaques sobre a Áustria, apenas dois jogadores como nota: Jakupovic e Schlager. 
 
 
A Holanda mostrou, como é hábito, jogadores de elevada qualidade técnica e possuidores de argumentos para desequilibrar a nível ofensivo, mas algo desequilibrados a nível defensivo, pouco organizados nesse momento e, acima de tudo, pouca disponibilidade para se movimentarem de modo a roubar a bola ou proteger a sua baliza. Mesmo a nível ofensivo, tirando o jogo contra a Croácia, estiveram sem grandes ideias para desmontar as organizações adversárias, dependendo quase em exclusivo de Nouri.

O principal destaque foi Nouri, o pensador, o criador de jogo holandês. Sempre disponível para dar uma linha de passe e para assumir a bola, gizou passes geniais, fez dribles mágicos, espalhou magia. Defensivamente, mostrou pouco interesse por essas tarefas.

Nota: Bergwjin, Lammers, Schuurman foram homens que mostraram qualidade no seu jogo, mas pecaram pela inconstância. 
 
 
A Croácia foi a selecção que mais me desiludiu porque não conseguiu fazer funcionar o eixo BalicMoro e Brekalo, os três jogadores mais promissores deste grupo que esteve na Alemanha. Muita indefinição no meio campo levou a uma desorganização no momento defensivo e ofensivo. Defensivamente não existiam coberturas e homens na posição certa para conter os ataques contrários e ofensivamente, não havia ordem na forma como a equipa queria sair a jogar, com jogadores muito iguais a fazerem os mesmos movimentos.

Os principais destaques foram:

Brekalo, com a sua capacidade técnica tentou desequilibrar de todas as formas e feitios, mas abusou dos lances individuais e procurou pouco a solução colectiva para resolver os problemas nas zonas de criação;

Moro, com a sua capacidade de assumir o jogo entre linhas, de fazer a bola circular, de conduzir, rematar de longe, mostrou argumentos que o podem catapultar para um nível superior.

Notas: Balic, Knezevic, Lovren e Soldo mostraram alguns pormenores interessantes para se imporem no futebol sénior. 
 
 
Posto este pequeno resumo daquilo que foi a competição de cada uma das equipas, aqui fica os 18 melhores da competição:

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