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Belotti é o jogador do momento do futebol italiano. Líder isolado na tabela dos melhores marcadores do campeonato, com 22 golos, em 26 jogos (mais 2 golos que Mauro Icardi e Edin Džeko), o “Galo”, alcunha pelo qual é conhecido em Itália, conta ainda com 2 golos na taça de Itália, em 3 jogos disputados, mais 3 golos em 7 internacionalizações pela seleção transalpina, motivo mais que suficiente para ter despertado a atenção dos principais clubes europeus, sendo, inclusive, pública a recusa, por parte da equipa de Torino, de uma oferta do Arsenal em torno dos 65 milhões de euros.

Andrea Belotti, nasceu a 20 de dezembro de 1993, em Calcinate, tem 1,81 m e pesa 71 quilos. Formado no modesto AlbinoLeffe, o número 9 chegou ao Torino, proveniente do Palermo, no Verão de 2015, com uma média de 1 golo em cada 4 jogos. No primeiro ano a representar a equipa de Turim, o jovem ponta de lança italiano realizou 36 jogos, nos quais fez balancear as redes por 12 vezes, o que revela melhorias graduais nos seus números, sobretudo se considerarmos os 24 golos em 29 jogos na presente época. Belotti apresenta também um rico historial ao nível das seleções de base italiana, tendo apontado 15 golos em 35 jogos (sub 19, sub 20 e sub 21), com dados Transfermarkt.

Belotti é o típico ponta de lança italiano, cínico e letal no momento da finalização. Muito forte nas três dimensões do jogo (física, técnica e psicológica) o jovem italiano destaca-se ao nível da velocidade, aceleração, força e sobretudo impulsão (aspetos físicos), revelando uma técnica de finalização acima da média (com os dois pés e de cabeça), uma boa capacidade de condução de bola em velocidade e bastante eficácia no 1×1 (aspetos técnicos), sendo ainda de destacar a sublime movimentação sem bola, determinação, antecipação, compostura e inteligência na tomada de decisão (aspetos psicológicos).

Contudo, o “Galo” demonstra também algumas lacunas no seu jogo, que pode e deve melhorar, nomeadamente ao nível da receção e do passe, devendo ser um pouco mais incisivo no momento do condicionamento da primeira fase de construção do adversário.

Organização ofensiva

Belotti é um ponta de lança que tanto pode jogar sozinho na frente de ataque, como acompanhado. Quando joga sozinho, função que assume regularmente na equipa de Turim, que joga em 1-4-3-3 (e por vezes na seleção italiana no 1-3-4-3), Belotti procura constantemente explorar a profundidade concedida pelos defesas adversários que, na tentativa de o retirar do seu habitat natural (muito perigoso dentro de área) sobem a sua linha defensiva. Normalmente, o jogador italiano procura “encostar-se” ao defesa central contrário à zona onde está a bola, para de seguida movimentar-se na diagonal, arrastando esse homem da sua posição (e abrindo um espaço vazio) e penetrando nas costas do defesa central posicionado na zona da bola (que estando concentrado no centro de jogo, é surpreendido pela sua movimentação).

Quando a equipa adversária opta, ou é obrigada, a baixar linhas, Belotti coloca-se ao 2.º poste, procurando jogar nas costas do defesa central oposto à zona da bola, sempre que existe a possibilidade de cruzamento para a área, sendo raras as vezes em que procura o primeiro poste. Quando a bola se encontra na zona central, o jogador italiano raramente procura dar soluções de jogo apoiado, optando por esperar (entre os centrais) por passes de rotura para as alas, para de seguida atacar rapidamente (e com bastante qualidade) a profundidade na zona central.

Em situações de desvantagem no marcador, Belotti é várias vezes solicitado a jogar na companhia de Maxi López, num 1-4-4-2 clássico, sistema no qual também já jogou na seleção italiana (fazendo dupla com o avançado completo, Ciro Immobile). Nesta situação, o “Galo” revela uma inteligência tática e um jogo sem bola extraordinário, sendo capaz de combinar na perfeição com o seu parceiro de ataque, nomeadamente através de trocas posicionais diagonais, seja na procura de zonas de finalização, seja para abrir espaços e/ou assistir os seus colegas de ataque.

Na companhia de outro jogador na frente de ataque, Belotti exponencia outra das suas principais qualidades, a capacidade de segurar jogo. A sua constituição física e uma excelente leitura de jogo fazem do ponta de lança italiano um jogador perigosíssimo neste momento de jogo.

Por último, podemos ainda realçar a forte impulsão e o respetivo jogo de cabeça. Não tendo uma estatura muito elevada para o típico ponta de lança italiano, Belotti compensa este aspeto com uma impulsão fora do normal que é dinamizada por um excelente jogo de cabeça.

As capacidades de jogo citadas (jogo em profundidade e dentro de área, sozinho na frente de ataque ou acompanhado), aliadas aos atributos individuais referidos, causam inúmeras dificuldades à equipa adversária que nunca consegue condicionar verdadeiramente o seu jogo. Contudo, Belotti revela algumas fragilidades ao nível do passe e da receção o que retira à equipa a possibilidade de jogar apoiado com o ponta de lança, limitando desta forma o seu jogo interior, aspeto especialmente visível na equipa do Torino, quando em 1-4-3-3.

Organização defensiva

Tal como já foi referenciado, o jovem ponta de lança italiano necessita ser um pouco mais incisivo no condicionamento da primeira fase de construção do adversário. Quer na seleção italiana, quer na equipa de Turim, Belotti raramente pressiona de forma persistente os defesas adversários, optando por manter um posicionamento centralizado e “apenas” condicionar linhas de passe. Nos 2 jogos observados, não foi visível nenhuma ação defensiva que obrigasse os defesas adversários a errar, atitude que foi contrária à dos seus colegas de ataque (Ciro Immobile na seleção Italiana e Maxi López na equipa do Torino).

Pela capacidade demonstrada na luta por segundas bolas, ou na disputa de bola após lançamentos em profundidade, há margem para Belotti ser mais agressivo no momento do pressing.

Obs: No vídeo é possível visualizar Belotti a deixar-se ficar no chão, após recuperar a bola e endereça-la para um colega de equipa, quando poderia levantar-se rapidamente para dar apoio. Com 22 minutos de jogo disputado, esta situação não pode ser explicada por um eventual cansaço, deixando indicações menos positivas quanto ao espírito de sacrífico, agressividade e disponibilidade para ações defensivas.

Transições

No momento das transições verifica-se um aspeto curioso no jogo do jovem ponta de lança italiano. Apesar de não ser um jogador muito agressivo no momento do pressing, Belotti revela ser um jogador muito inteligente no posicionamento que deve ocupar no terreno do jogo, quando sem bola. Sempre que um jogador adversário está a ser pressionado por um colega de equipa e revela dificuldades na progressão, sendo obrigado a reciclar jogo e jogar atrás, Belotti aproxima-se da zona de ação, procurando condicionar linhas de passe e auxiliar no processo de recuperação de bola, para, posteriormente, sair rápido em transição com a bola controlada. Refira-se que a capacidade de condução de bola em velocidade demonstrada pelo italiano é bastante interessante, sendo ainda de destacar a rapidez de execução e tomada de decisão em diferentes tipos de situação (1×1 seguido de remate; 1×1 seguido de cruzamento ou 1×1 para ganhar metros e/ou ganhar uma falta ou um canto/lançamento).

Bolas Paradas

Para além de todos os aspetos já mencionados, o “Galo” assume-se como um jogador extremamente importante nas bolas paradas, nomeadamente nos livres e cantos ofensivos. Em ambos os casos, os movimentos preferidos do jogador passam por, ou ocupar o segundo poste e explorar bolas endereçadas nas costas dos defesas, ou efetuar movimentações circulares, recuando nas costas do defesa para de seguida atacar a sua frente.

Estrela emergente

Andrea Belotti é atualmente um jogador chave na equipa do Torino e, apesar de ainda só ter 7 internacionalizações pela seleção transalpina (4 delas a titular nos últimos 5 jogos), parece já ter conquistado o seu espaço, assumindo-se como um jogador importante para a equipa. Trata-se de um jovem jogador com potencial para se tornar num dos melhores pontas de lança do mundo, num espaço temporal de 2 a 3 anos, e honrar nomes como Silvio Piola, Paolo Rossi, Christian Vieri, ou Filippo Inzaghi.

Tendo já o seu nome associado a grandes clubes europeus, nomeadamente aos gigantes do futebol inglês (entre os quais o Manchester United de José Mourinho), Andrea Belotti parece ter um futuro risonho no futebol europeu. O que é certo é que quem quiser contar com os seus serviços terá, obrigatoriamente, de abrir os cordões à bolsa, já que o jovem italiano renovou recentemente o seu contrato com o clube de Turim, o qual é válido até 2021 e contém uma cláusula de rescisão de €100 milhões, para ofertas provenientes de clubes estrangeiros.

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