Menu Close

Benfica e Sp. Braga encontraram-se na última quarta-feira no Estádio da Luz. O Benfica viu-se privado de 10 jogadores, entre internacionais e lesionados, e teve de apresentar uma dupla de centrais inédita. O jogo acabou por terminar 2-1 para as águias, que jogaram os últimos 20 minutos com 10 elementos, fruto da expulsão de Taarabt.

Quanto ao Sp.Braga de Carlos Carvalhal, e naquele que foi o primeiro jogo televisionado dos minhotos, puderam-se observar algumas ideias evidenciadas pela sua anterior equipa- o Rio Ave. O treinador português montou um sistema de 3x4x3 em organização ofensiva, algo que se verificou nos jogos mais complicados da época passada (como por exemplo na deslocação ao Dragão a 7 de março). A defender, o sistema oscilou entre o 3x5x2 e o 4x4x2, como vamos ter oportunidade de verificar mais à frente.

Fiel ao seu 4x4x2, Jorge Jesus alinhou com André Almeida e Ferro no centro da defesa e Carlos Vinícius foi a novidade na frente (acabou por responder à chamada com dois golos). O brasileiro teve Pizzi nas suas costas a apoiá-lo.

Benfica

Pressão alta e recuperações de bola enquanto houve pulmão

Uma das marcas que Jesus imprime nas suas equipas é a alta intensidade em todos os processos. A equipa do Benfica entrou para dominar, e no primeiro quarto de hora foi acumulando situações de golo, quase todas após recuperações de bola no meio-campo adversário, resultado de um esforço conjunto, de um bom posicionamento, orientação de apoios e timing na altura de encurtar espaços. De salientar os lances de perigo de Rafa e de Pizzi, ainda dentro dos primeiros 10 minutos.

O Benfica teve sempre um mínimo de sete jogadores no meio campo do Sp.Braga, o que permitiu condicionar o portador, e em caso de recuperação de bola, atacar a baliza com igualdade ou superioridade numérica.

No último clipe verifica-se o desgaste acumulado dos jogadores encarnados, algo normal tendo em conta a quantidade de jogos de preparação realizados nos últimos dias e o número de ausências no plantel principal. O posicionamento continua correto, mas a falta de velocidade de antecipação e de capacidade de reação fazem com que Ricardo Esgaio consiga sair da zona de pressão, e o Sp.Braga crie uma situação perigosa.

Sp.Braga

Organização Defensiva em 3x5x2 ou 4x4x2

O Sp. Braga foi variando o sistema em organização defensiva, dependendo por onde o Benfica atacou, e em que zona tinha a bola controlada. A linha de cinco defesas era desfeita caso o Benfica atacasse pelo flanco direito, ou estivesse em primeira fase de construção (ainda no seu meio-campo). Aí, Murilo aproximava ao portador da bola, e fechava uma segunda linha de quatro homens à frente dos quatro da defesa.

Se o Benfica atacasse pela direita ou já tivesse a bola no meio-campo bracarense, Esgaio não desmontava a linha, mantendo cinco homens no setor mais recuado de proteção à baliza. Quando o Benfica teve bola no último terço, não foi incomum ver Castro a juntar à linha da defesa, fechando-a ainda mais.

Organização Ofensiva- Exploração dos três corredores com variações rápidas

O Sp.Braga criou as suas oportunidades através de ataques em que procurou explorar eficazmente os três corredores. O objetivo foi atrair o adversário para uma zona de espaço reduzido, e rapidamente variar o centro de jogo. O extremo e o lateral do lado contrário estiveram sempre bem abertos, dando a largura necessária para que isso acontecesse.

No primeiro vídeo, a forma como Paulinho chega ao golo é um bom exemplo disso, com o passe para André Horta a atravessar o campo todo. No segundo lance é também observável a paciência dos jogadores minhotos que tentam utilizar os três corredores até que surja espaço de penetração, conseguido por Gaitán (com uma maravilhosa receção).

O jogo acabou por cair para o Benfica, mas fica a sensação que se acabaram as pilhas cedo de mais. O Sp.Braga soube-se adaptar, e sofreu os dois golos quando já tinha tirado quase a totalidade do 11 de dentro de campo. O Benfica, com jogo europeu dentro de 12 dias, terá de alargar o bom período de 15 minutos que teve neste jogo, para levar de vencida os gregos.