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Quando se pensa em jogadores “underrated”, o nome de Benzema surge imediatamente nas nossas cabeças. Durante anos formou uma parceria de luxo com Cristiano Ronaldo e foi uma das chaves para o sucesso do português. Afinal, por muito bom que se seja a nível individual, o futebol é um jogo tão complexo que só com coesão coletiva se consegue triunfar. Benzema pode não fazer 50 golos por época ou ter muita presença nos “highlights” do jogo, mas quem gosta de ver futebol com outro olhar, sabe que é dos melhores avançados do mundo.

É uma das (se não a mais) peças importantes do ataque do Real Madrid. Era assim com Cristiano, mas era normal que o protagonismo fosse para o craque português. No entanto, Benzema é a definição de avançado trabalhador. Não se limita a procurar receber a bola em zona de finalização ou até mesmo atacar esse espaço. O francês tem um papel associativo muito importante: ao recuar, consegue atrair defesas e mexer com as linhas adversárias.

Por vezes procura entrar e receber dentro do bloco adversário (e são vários os que defendem com linhas juntas em bloco baixo) para conseguir combinar com um médio. Estas movimentações criam espaços noutras zonas do campo e é isso que Benzema pretende. O espaço criado por ele recuar, pode ser aproveitado por um movimento interior de um extremo. Mas quando ele decide abrir parece que força o adversário a bascular e isso cria espaço para a chegada de um dos médios à entrada da área.

Tem a capacidade de análise para entender onde se deve posicionar para ser apoio dos colegas e facilitar a circulação do Real Madrid. A leitura de jogo ofensiva é interessante, apesar de por vezes falhar no momento de definição por má execução técnica. Voltando às movimentações, a mobilidade que oferece é interessante e permite que o Real tenha um ataque dinâmico e que mais jogadores se envolvam no processo ofensivo.

Cada jogador tem responsabilidades individuais e coletivas dentro do modelo do treinador. Benzema é aquele avançado cujas responsabilidades individuais passam por beneficiar mais o coletivo. Talvez daqui a uns anos consigamos olhar para trás e entender o quão inteligente era o francês e o quão o devíamos ter valorizado.