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Antevisão Chelsea – Controlar o jogo e atacar com liberdade

O Chelsea é o próximo adversário do SL Benfica na UEFA Women’s Champions League. O confronto dos 16-avos de final da prova é realizado a duas mãos, com a primeira partida agendada para esta quarta-feira, em Lisboa.

Ao longo do artigo, vamos procurar conhecer um pouco melhor a equipa treinada por Emma Hayes. Começamos então pelos esquemas-base desta equipa londrina.

O 4x2x3x1 e o 4x3x3 são esquemas onde se vê o Chelsea ao longo do jogo com frequência. Também o 4x4x2 é por vezes utilizado pela equipa londrina, sobretudo quando Pernille Harder deixa o seu papel à direita para desempenhar a função de segunda avançada. O 4x2x3x1 pode surgir com Sophie Ingle e Melanie Leupolz lado a lado, deixando a coreana Ji So-yun mais adiantada no terreno. Contudo, o posicionamento de Leupolz é a chave na transição entre o 4x2x3x1 e o 4x3x3 que se assiste na equipa do Chelsea, já que a internacional alemã aproxima-se muitas vezes de So-yun e deixa Ingle como médio mais defensiva.

PROCESSO OFENSIVO

Mobilidade é uma palavra que assenta bem ao ataque do Chelsea. Jogadoras como Erin Cuthbert, Pernille Harder e Samantha Kerr não se dão à referência para a defesa adversária e estão em constante movimentação, quer com movimentos interiores, quer com movimentos de rotura. No caso específico de Samantha Kerr, a avançada australiana aproveita muitas vezes o espaço deixado vazio pela movimentação interior de Erin Cuthbert para receber a bola sozinha no flanco esquerdo. Este, de resto, é um movimento muito caraterístico do Chelsea, que aproveita esta troca posicional para tentar desequilibrar à esquerda.

Mapa com as posições onde Samantha Kerr recebeu a bola em 2020/21

A equipa de Emma Hayes gosta de jogar com um bloco alto, no qual as duas centrais – habitualmente Millie Bright e Magdalena Eriksson – jogam à entrada do meio-campo adversário. Com praticamente 10 jogadoras no meio-campo ofensivo, a equipa do Chelsea opta, acima de tudo, pelo ataque organizado. Também pelo facto de colocar muitas jogadoras no processo ofensivo, o conjunto inglês é paciente – tem uma média de 17 segundos por posse de bola, registo que em Inglaterra apenas é superado pelo Manchester City (18) – e procura sempre o melhor passe, de forma a impedir perdas de bola que possam resultar em transições rápidas.

Outro aspeto ofensivo da equipa do Chelsea é que joga a toda a largura do campo. Essa largura é maioritariamente conferida pelas laterais, Maren Mjelde e Jonna Andersson, que oferecem ainda profundidade e aproveitam o espaço deixado vazio pelos movimentos interiores das extremos Erin Cuthbert e Pernille Harder.

Regressando às defesas centrais, Millie Bright e Magdalena Eriksson, estas têm indicações para procurarem passes verticais para o espaço entre linhas. Estes passes têm como principais destinatárias as duas extremos que jogam por dentro: Erin Cuthbert e Pernille Harder. Assim, a equipa do Chelsea consegue jogar quer por dentro, quer por fora. As duas centrais assumem um papel muito importante na construção e participam com frequência nos ataques.

Por último, a saída de bola londrina. Millie Bright e Magdalena Eriksson são defesas centrais mais do que capazes de iniciar a jogada e muitas vezes fazem-no sozinhas. Contudo, existe uma variação que o Chelsea utiliza muitas vezes na saída de bola, com uma saída a três. Isto é feito sobretudo com Melanie Leupolz, que recua no terreno para junto das centrais e assume a primeira fase de construção. As laterais (Mjelde e Andersson) projetam-se, Bright e Eriksson abrem nos flancos, Leupolz assume a posição mais central para receber bola. Mais à frente, as extremos (Harder e Cuthbert) fogem para dentro, a médio ofensiva (So-yun) recua para mais perto da médio centro (Ingle) e a avançada (Kerr) fica como referência na frente.

Animação da saída de bola a três do Chelsea
A saída a três, com Leupolz no meio das centrais, Pernille Harder por dentro para receber.

PROCESSO DEFENSIVO

Na hora de defender, a equipa do Chelsea transforma-se muitas vezes para um 4x4x2, que permite à equipa pressionar alto e tentar recuperar de imediato a bola.

A coreana Ji So-yun junta-se a Samantha Kerr na pressão às defesas centrais e, mais atrás, é formada uma linha de quatro com Pernille Harder, Melanie Leupolz, Sophie Ingle e Erin Cuthbert. O processo defensivo do Chelsea destaca-se sobretudo pela urgência na pressão. O facto de jogar em bloco alto quase que obriga a equipa de Emma Hayes a “matar” de imediato qualquer transição da equipa contrária, sob pena de ver as adversárias tirarem proveito do espaço concedido na profundidade.

O facto de ter muitas unidades em zona central deixa a equipa do Chelsea preparada para reagir de imediato à perda, com papel especialmente importante de Leupolz e Ingle, que empurram a equipa para a frente e encurtam o espaço para a equipa contrária sair a jogar.

No que toca ao posicionamento defensivo no momento em que a equipa adversária se prepara para sair a jogar, por exemplo, num pontapé de baliza, o Chelsea mantém o bloco alto e procura que a bola seja batida na frente. Harder e Cuthbert defendem por dentro, So-yun e Kerr estão em linha para pressionar as centrais, Leupolz dá passos em frente para se juntar à pressão e Ingle fica responsável por dar equilíbrio e fazer as compensações.

No vídeo abaixo seguem algumas jogadas onde se percebe a reação agressiva à perda da bola por parte do Chelsea no jogo frente ao Arsenal, a contar para o campeonato inglês.

De um modo geral, o SL Benfica não tem uma tarefa fácil pela frente. No entanto, existe uma possibilidade da equipa encarnada conseguir causar estragos. Para isso, é preciso que a equipa portuguesa consiga saltar a primeira linha de pressão londrina e depois explore a profundidade com a velocidade de jogadoras como Cloé Lacasse e Nycole.



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