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O contra-pressing (também denominado por Gegenpressing) está cada vez mais presente nos relvados Europeus. Este é um tipo de pressão que se faz após a perda da bola, e ao contrário da maioria das equipas que após perder a posse de bola faz recuar as linhas e tenta equilibrar-se rapidamente atrás, as equipas que fazem o contra-pressing fazem precisamente o oposto. Após perderem a bola, avançam no terreno e tentam recuperar o mais rapidamente possível a bola. A pressão é imediata. O jogador mais perto da bola tem de pressionar e, o adversário com bola, não pode respirar e tem de ser cercado ou orientado para uma determinada zona do terreno que seja favorável. Também será vantajoso que o adversário coloque a bola longa na profundidade sem grande critério, sendo assim recuperada depois pelos jogadores mais recuados.

Quanto mais alto no terreno a bola for recuperada, mais próximo (na teoria) estaremos do sucesso, pois a baliza adversária estará mais próxima. Esta também é uma boa altura para a recuperação, pois a equipa adversária abre-se após recuperar a bola, o que deixará espaços a ser aproveitados assim que se consiga voltar a ter posse. Isto exige muito fisicamente das equipas durante todo o jogo.

Os riscos também são grandes, já que se a pressão for ultrapassada, o espaço que há nas zonas recuadas é grande, assim como os elementos serão diminutos. Há várias formas de ser feita: cortando o espaço ao adversário numa determinada zona logo com superioridade numérica, tapando todas as linhas de passe ou espaços para progredir (alguns espaços estratégicos podem, no entanto, ficar abertos); pressionando com um jogador o elemento com bola e colocando outros a pressionar todos os adversários perto, através de referências individuais; fechando várias linhas de passe e abrindo outras para uma zona previamente definida e onde depois se intercepta o passe e recupera a bola. A forma como as equipas pressionam está também relacionada com a forma como atacam. Por exemplo, dirá a relação de jogadores próximo da bola para pressionar após a perda.

O número de treinadores que tem colocado em prática este tipo de estratégia tem sido crescente, incluindo alguns dos maiores nomes do futebol mundial. Desde Klopp a Guardiola, passando por Tuchel ou Sampaoli. O expoente máximo ao nível de selecções é a Alemanha, onde o Gegenpressing é uma imagem de marca. Há treinadores que usam esta estratégia para atacar logo a baliza adversária após recuperar a bola, e outros apenas para voltar a ter rapidamente a bola e começar o ataque posicional.

A Bundesliga é a principal liga Europeia no que toca a contra-pressing, onde podemos observar um grande número de equipas a usar esta estratégia, e a cada ano que passa crescem os seus praticantes. Um exemplo disso tem sido o Bayer Leverkusen de Roger Schmidt, ou o Hoffenheim de Julian Nagelsmann (nova sensação dos treinadores da Bundesliga). Quem esta época chegou à Bundesliga foi o RB Leipzig, comandado por Ralph Hasenhüttl. Foi precisamente esta equipa que se deslocou à BayArena para defrontar o Bayer Leverkusen num dos jogos da Bundesliga em Novembro, onde se esperava um jogo de contra-pressing constante dos dois lados do campo.

 

Bayer Leverkusen

Para falar deste contra-pressing constante de ambas as equipas, foram colocados no Sistema de Observação do VideObserver vários parâmetros, a fim de se medirem alguns comportamentos de ambas as equipas quando perdiam a bola no meio-campo ofensivo. O Bayer Leverkusen apresentou-se muito forte a reagir à perda da bola como era esperado. Em posse de bola, e quando perdida no meio-campo ofensivo, pressionava logo o adversário com bola, independentemente da zona do campo (corredor central ou corredores laterais), tentando ter superioridades numéricas na zona activa da bola, fechar as linhas de passe e recuperar a bola.

Não pressionavam individualmente, mas sim, com muitos jogadores junto à zona da bola tentando asfixiar o portador da bola. Quando conseguiram recuperar (das muitas vezes que o conseguiram com a pressão), faziam-no muito rapidamente, tentando depois atacar a baliza adversária.

Grande parte dos jogadores participava nesta acção de reacção, deixando poucos elementos em zonas recuadas. Os defesas laterais adiantavam-se muito no terreno para pressionar, assim como os médios centro e os extremos.

A linha defensiva estava muito subida, fazendo com que Tah (defesa central) conseguisse várias recuperações também. Como é uma equipa que coloca muitos jogadores no meio-campo ofensivo quando ataca, fazia com que houvesse praticamente sempre elementos para reagir à perda da bola.
 
 

Bola perdida no corredor lateral direito, e pressão intensa nessa mesma zona a tentar recuperar a bola por parte do Bayer Leverkusen, deixando espaço no corredor central e estando a defesa muito subida no campo. O lateral direito a subir para pressionar junto aos médios.
 
 

Enorme pressão depois de perderam a bola no último terço ofensivo do campo, colocando 4 jogadores na zona activa da bola e o resto da equipa bem subida.
 
 

Pressão intensa dos jogadores do ataque depois da bola ser perdida no corredor central. Médio sai na pressão ao jogador com bola, deixando só a linha de passe para o defesa central. Imediatamente dois jogadores vão cair no defesa central adversário, obrigando-o a bater logo para a profundidade sem qualquer critério.
 
 

Os perigos quando a pressão era ultrapassada. 5 jogadores logo batidos e inferioridade numérica no contra-ataque adversário. Na sequência deste lance, o RB Leipzig empatou o jogo.
 
 

RB Leipzig

Assim como o Bayer Leverkusen, o RB Leipzig utilizou a mesma fórmula, pressionando constantemente após perder a bola em zonas atacantes, embora algumas (poucas) vezes tenha preferido baixar as linhas (como quando passaram para a frente do marcador). Sempre muitos jogadores colocados na zona activa da bola, tentando ter superioridade numérica e com os defesas laterais a subirem no terreno ou a fecharem por dentro quando a equipa pressionava o corredor lateral contrário.

Conseguiram recuperar muitas vezes a bola poucos segundos após a perder, fruto de uma grande intensidade na procura da mesma e de um grande trabalho de Keita (elemento mais forte na pressão) e dos jogadores mais adiantados. Quando pressionavam, deixavam pouca gente atrás, correndo assim riscos na procura da bola. Os corredores laterais do lado contrário estavam quase sempre vazios, assim como o espaço entre a linha de pressão e os elementos mais recuados.
 
 

Muita pressão a procurar a bola, fazendo com que a equipa adversária fique em inferioridade numérica. Defesa central a subir na pressão e o lateral esquerdo a fechar por dentro.
 
 

Igualdade numérica em zona mais recuada e 7 jogadores a rodearem o portador da bola no corredor central, tentando recuperar a bola. Defesa bem subida no campo.
 
 

Pressão imediata no corredor central, com 4 jogadores a chegar rapidamente ao adversário que recuperou a bola e obrigando-o a bater longo para o ataque sem muito critério.
 
 

Keita muito rápido a chegar ao corredor lateral no último terço do campo, onde deixam o Bayer Leverkusen em inferioridade numérica e recuperam a bola. Ilsanker (lateral direito) a subir com o extremo adversário, colocando pressão nas costas dele caso este receba a bola.
 

Recuperações de bola

As muitas recuperações de bola de ambas as equipas, após perderem a bola quando estavam no meio-campo atacante.

Mais recuperações nos corredores laterais, assim como várias em zonas mais recuadas fruto da pressão que obrigava a equipa contrária a colocar a bola longa no ataque com pouco critério, como referido anteriormente.
 
 
Foi um jogo muito forte de contra-pressing este entre as duas equipas, onde ambas procuraram recuperar intensamente a bola depois de a perder. Conseguiram muitas vezes isso mesmo, transformando rapidamente lances defensivos em lances ofensivos em zonas subidas do terreno, mas também com a qualidade que havia em ambos os conjuntos para sair da pressão, os espaços deixados em outras zonas devido ao elevado número de jogadores a fazer pressão trouxeram alguns dissabores.

 

Link: blog.videobserver.com/counter-pressing-bayer-leverkusen-vs-rb-leipzig/

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The counter-pressing (or the so called Gegenpressing) is growing in European football. This is a kind of pressure made after loosing the ball, and unlike most of the teams that after losing the ball try to move back the lines and readjust quickly on the back, teams practising counter-pressing do exactly the opposite. After losing the ball, they get up on the field and try to get the ball back as quickly as possible. The pressure is immediate. The player closer to the ball applies pressure, surrounding the opponent and guiding him to a specific area more favourable to recovery. It will also be good for the team if the opponent tries the long pass, in depth, leaving it to the players in the back to recover it.

The highest on the field the ball is recovered, closer (in theory) to the success we are, because we are near the goal. This is also a good time to recover the ball because the opponent opens space in order to prepare the attack, space that can be used to get the ball back by the other team. This is physically very demanding.

Risks are also high as if the pressure is overtaken, there will be a big space on the back and few players.  There are multiple ways to do it, for example: covering the space of the opponent in a specific area with numerical advantage, closing the passing lines or spaces to progress (some spaces can be, strategically, open); one player pressing the opponent holding the ball and putting others to pressure every player close to the ball through an individual reference strategy; closing multiple passing lines and opening a previously defined zone where the pass is intercept and the ball recovered. How teams pressure is related to how they attack. It can tell how the players relate to the ball after losing possession.

The number of coaches putting this kind of strategy into practice has been increasing, including some of the most famous in world football. From Klopp and Guardiola, to Tuchel and Sampaoli. The major reference of this strategy at national teams level is Germany, where Gegenpressing is the brand mark. There are coaches using this strategy to attack the opponent´s goal, immediately after recovering the ball, others use it to recover the ball quickly and start the positional attack.

Bundesliga is the main European league in regards to counter-pressing, with a large number of teams adopting this strategy, growing every year. A good example is Roger Schmidt’s Bayer Leverkusen, or Hoffenheim’s Julian Nagelsmann (the new coaching sensation from Bundesliga). RB Leipzig is debuting in Bundesliga, led by Ralph Hasenhüttl. It was precisely this team who traveled to BayArena to challenge Bayer Leverkusen in November, where counter-pressing was expected  from both sides.

 

Bayer Leverkusen

To discuss this constant counter-pressing from both teams, we created multiple parameters in the observation system of VideObserver, in order to measure both team’s behavior when they lost the ball in the offensive midfield. Bayer Leverkusen showed really strong reacting to the lost balls as expected. At ball possession, when the loss occurred in the offensive midfield, they pressured the ball carrier immediately, regardless of the field zone (side lane or central lane), trying to create numeric advantage in the active zone of the ball, closing the passing lines and regain the ball.

They didn’t pressure individually but with a lot of players in the ball zone, trying to strangle the opponent with the ball. When they got the ball back (in most of the times they did it with pressure), they did it quickly, trying to attack the goal after that.

Most of the players took part in this reaction to the lost ball, leaving few elements in the back. The full backs got up on the field to pressure, as well as the central midfielders and the wingers.

The defensive line was up on the field, making Tah (central defender) recovering a lot of balls. Being a team that puts a lot of players in the offensive midfield when attacking, there were almost always players available to react every time they lose the ball.

 
 

Lost ball on the right side with intense pressure in that same area, with Bayer Leverkusen trying to recover the ball, leaving space in the central lane and with the defense high on the field. The right back is up on the field to pressure with the midfielders.
 
 

High pressure after losing the ball in the last offensive third, putting 4 players in the ball’s active zone and the rest of the team up on the field.
 
 

Intense pressure from the players in the attack after losing the ball at the central lane. The midfielder pressures the ball carrier, only leaving a passing line to the central back. Immediately two players step onto the opponent’s central back, making him put a long ball in depth with no criteria.
 
 

The dangers when the pressure is surpassed. 5 players were beaten by the opponent´s attack, with the defense in numeric inferiority. In this play, RB Leipzig draw the match.
 
 

RB Leipzig

As well as Bayer Leverkusen, RB Leipzig used the same formula, pressing constantly after losing the ball, in offensive zones, although (a few) times they had preferred to get the lines down (like when they got in advantage). Always with a lot of players in the active ball zone, trying to create numeric advantage and the full backs getting up on the field and closing the inside when the team pressured the opposite side.

They get the ball back many times, few seconds after loosing it, due to a great intensity in the search of the ball and a great job from Keita (strongest player in the pressure) and the forward players. When they pressured, they left few players behind, taking some risks. The side wings on the opposite side of the ball were empty most of the time, as well as the space between the line of pressure and the players in the back.

 
 

A lot of pressure searching for the ball, giving numeric disadvantage for the opposite team. Central back getting up to pressure and the left back closing inside.
 
 

Numerical equality in a backward zone and 7 players surrounding the ball carrier in the central lane, trying to take the ball back. Defense is up on the field.
 
 

Immediate pressure in the central lane with 4 players getting quickly to the player who recovered the ball and making him play a long ball with no criteria.
 
 

Keita is really fast getting to the side lane in the last third of the field where they left Bayer Leverkusen in numerical disadvantage and recover the ball back. Ilsanker (right back) getting up on the field with the opponent right winger, putting pressure in the back if he receives the ball.
 

Ball Recovery

Many of the recoveries from both teams after losing the ball when they were in the ofensive midfield.

More recoveries from the side lanes, as well from multiple zone in the back due to the high pressure, that ade the opponent play a long ball without criteria, as mentioned above. 
 
 
It was a really strong game of counter-pressing, where both teams tried intensively to recover the ball. Many times they did it, quickly turning some defensive plays into offensive at higher zones on the field. On the other side, the quality from both teams getting out of pressure, and the spaces left in other zones due to the pressure with a lot of players, brought some troubles.

 

Link: blog.videobserver.com/counter-pressing-bayer-leverkusen-vs-rb-leipzig/

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