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Da descida ao topo da Liga: como joga o Aston Villa

O Aston Villa garantiu a permanência na principal divisão Inglesa. Não foi fácil, mas o treinador Dean Smith conseguiu-o.

Depois de passar quase a temporada inteira abaixo da linha de água, a equipa de Birmingham venceu de forma surpreendente o Arsenal no Villa Park na penúltima jornada.

No cair do pano da Premier League, bastou um empate aos Villains na deslocação ao Olímpico de Londres. 1-1 frente ao West Ham, pemanência garantida.

Esta foi também uma prova de sacrifício de Dean Smith, que perdeu o pai para o coronavírus, e ainda assim foi buscar forças para manter a equipa no escalão máximo do seu país.

Esta temporada, e com um plantel bastante jovem (apenas dois jogadores acima dos 30 anos), a equipa atingiu o pleno em quatro jogos, tendo agora perdido frente ao Leeds, outra equipa sensação desta época..

O 7-2 (!) ao Liverpool pôs o Aston Villa nas bocas do mundo, mas a confirmação do poder da equipa capitaneada por Jack Grealish chegou na jornada seguinte: 1-0 ao Leicester, fora de portas.

Modelo tático

Dean Smith tem mostrado uma enorme fidelidade aos jogadores titulares nas primeiras quatro jornadas disputadas. A única alteração prende-se com a contratação de Ross Barkley, que chegou a tempo de vencer o Liverpool e o Leicester.

A chegada do ex-Chelsea significou o recuo de McGinn para a posição antes ocupada por Hourihane, que saiu do 11.

O Aston Villa apresenta-se num 4x3x3 clássico.

Ainda assim, o modelo varia para um 4x2x3x1 quando a equipa tem bola na primeira fase de construção.

Neste momento, é recorrente ver Douglas Luiz e o médio que o acompanha (McGinn ou Hourihane) baixarem para criar superioridade.

Isto tem como objetivo libertar o terceiro médio [Barkley] para criação de oportunidades (delegando-se-lhe a 2.ª fase de construção).

No momento defensivo, a aquisição de Barkley trouxe uma mudança substancial, patente na alteração do 4x5x1 para duas linhas de quatro a defender, com Watkins e Barkley na frente, pacientemente a aguardar uma situação de ataque rápido –4x4x2.

Momento Ofensivo

O Aston Villa sente-se confortável em dar a posse ao adversário pois privilegia as transições e ataques rápidos como forma de ataque à baliza adversária. Nesse cenário, o jogo frente ao Liverpool exaltou todas as potencialidades da equipa.

Foi um resultado surpreendente, mas confirmou o foco da equipa na exploração da transição defensiva deficitária dos seus adversários.

A gestão da posse nem sempre é feita através de passes curtos. O importante é chegar à frente de forma rápida. Aí, a principal estrela da companhia- Jack Grealish- vai mostrando porque é um dos jogadores mais cobiçados da Premier League.

Outra solução explorada passa pela introdução da bola longa em Watkins– descaído para a linha na tentativa de disputar a bola aérea com um lateral e não com um central- para que Grealish capte a segunda bola já de frente para a baliza adversária e possa criar situações de golo.

A mobilidade e características dos jogadores da frente pedem este estilo de jogo mais vertiginoso. Tanto Watkins como Trezeguet têm na velocidade uma das suas principais armas, e por isso não faria sentido uma construção lenta e consequente tentativa de domínio da posse.

Construção dos médios lado a lado

Já referido, o 4x3x3 de Smith transforma-se muitas vezes em 4x2x3x1. Douglas Luiz é quem se apresenta no papel como médio mais recuado, mas também Hourihane/McGinn baixa para criar superioridade e libertar os quatro homens da frente para a segunda fase de construção.

Hourihane aparece mais no último terço (até já marcou), mas é Douglas Luiz que constrói, e isso tem muito a ver com as características de ambos.

O brasileiro tem muita qualidade no passe longo, condução de bola e reação à perda– até é ele normalmente o primeiro médio a encostar quando os adversários recebem de costas no ‘miolo’- e Hourihane, mais físico, aparece melhor em zonas de finalização.

Em primeira fase de construção, o recuo de ambos até aos centrais é seguido de um movimento vertical de afastamento da zona da bola (por parte de um deles), na tentativa de afastar um dos elementos da pressão alta adversária.

Com a introdução de Barkley, McGinn recuou para ocupar a  posição de Hourihane, e o futebol do Villa passou a viver ainda mais de transições rápidas, também fruto das características do jogador, que tenta sempre orientar no sentido da baliza adversária, introduzindo o ‘caos’ a nível de intensidade ao meio-campo do Aston Villa.

Momento Defensivo

O Villa defende preferencialmente em 4x5x1, quando o portador da bola adversário ataca pelo corredor esquerdo.

Nesse cenário, Trezeguet e Grealish baixam para a linha dos três médios, trancando a baliza. Watkins fica na frente, na tentativa de conseguir bolas na profundidade.

Se o adversário atacar pelo corredor de Grealish, as coisas mudam de figura e o Villa apresenta-se num 4x4x2 assimétrico. Aí, a linha de cinco médios é desfeita com Trezeguet a defender mais a frente, mas encostado à linha, na tentativa de fixar pelo menos dois defesas, pois Watkins aproxima-se dele para uma eventual segunda bola.

Esta análise é apenas válida para os dois primeiros jogos da Liga, sendo que no últimos frente a Liverpool e Leicester, Barkley fechou na frente com Watkins, e aí, Trezeguet e Grealish viram-se recolhidos à linha média, organizando-se a equipa num comum 4x4x2.

Por fim, e em pressão alta, a equipa de Birmingham pressiona com três homens na frente, com o médio mais avançado a aparecer nas costas do avançado, para tentar roubar a bola ainda no meio-campo adversário.

O Aston Villa conseguiu a atenção da europa depois de bater o Liverpool, e com um modelo de jogo apurado em torno das características individuais do seu ataque, e com um Grealish a continuar no momento de forma que atravessa, a expetativa é alta para os homens de Dean Smith.

Este ano, ao que parece, os Villains não vão andar com a corda presa à garganta até final, e até podem causar surpresa na Premier League.