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João Henriques – A primeira batalha

João Henriques estreou-se no comando técnico do Vitória SC com uma vitória no Bessa. Em jogo a contar para a 4ª jornada da Liga NOS e após a saída de Tiago Mendes dos vitorianos, as expetativas eram muitas, ainda para mais frente ao Boavista FC de Vasco Seabra.

“Em Portugal, olha-se muito para o embrulho e pouco para o conteúdo.”

João Henrique no II Scout Talks

O embrulho foi bonito, vitória por 1-0 sobre o Boavista, mas e o conteúdo? Neste artigo analisamos as principais ideias apresentadas por João Henriques e a prestação da equipa na sua primeira batalha.

O onze inicial

Em relação ao último onze apresentado por Tiago Mendes, na receção vitoriosa ao Paços de Ferreira, João Henriques operou duas alterações. O defesa direito Sacko ficou impedido de ir a jogo, devido ao testo positivo para o Covid-19, sendo substituído por Zié Ouattara. A segunda alteração foi a saída de Pepelu, dando entrada ao criativo Rochinha, esta foi a alteração de maior visibilidade. Rochinha oferece maior criatividade e capacidade ofensiva do que Pepelu.

João Henriques estruturou a equipa num 4x2x3x1, com Mikel Agu e André André a formarem uma dupla de médios defensivos, dando liberdade de movimentos a Rochinha

A construção

O Vitória SC apresentou bastantes dificuldades no momento da construção ofensiva, muito por causa do adversário em questão. O Boavista é uma equipa organizada, pressionante e que não permite que o adversário saia a jogar com tranquilidade. Neste jogo não foi diferente.

Notou-se que o Vitória SC tinha duas situações trabalhadas: caso o Boavista não pressionasse e permitisse a saída a jogar, o Vitória iria construir com três jogadores (Jorge Fernandes e Suliman + André André ou Mikel Agu), projetando os laterais; em caso de o Boavista pressionar alto e não permitir que o Vitória SC saia a jogar, iriam projetar os laterais, atrair a pressão do adversário e colocar a bola nos corredores laterais, onde estariam em vantagem numérica (lateral + extremo).

“Na preparação do jogo, o nosso objetivo é diminuir ao máximo a incerteza relativamente ao adversário e conseguir criar perigo ao adversário com as várias soluções para chegarmos ao golo.”

João Henrique no II Scout Talks

Mikel Agu & André André – Motor V2 em Guimarães

João Henriques formou uma nova dupla no meio campo vitoriano. Reformulou as dinâmicas da equipa e colocou Mikel Agu e André André lado a lado.

Dois médios com um bom equilíbrio entre capacidade ofensiva e defensiva. Mikel Agu é, sem dúvida, um recuperador de bolas. Defensivamente é um pilar neste Vitória, conseguindo destruir muito do jogo adversário, ganhando muitos duelos (21 duelos) e recuperando bastantes bolas (7 recuperações de bola). André André é um jogador à Vitória, que deixa tudo dentro de campo. É um jogador agressivo, combativo, com uma boa entrega ao jogo, mas que consegue aliar todas estas capacidades psicológicas às duas capacidade técnico/táticas. Oferece bons equilíbrios à equipa, tem capacidade de passe, envolvimento e visão de jogo, conseguindo em poucos toques desbloquear o jogo da equipa.

Defender é diferente de atacar

Se no momento ofensivo o Vitória estruturou-se num 4x2x3x1, em processo defensivo a equipa moldou-se num 4x4x2. Rochinha subia no terreno e juntava-se a Bruno Duarte, formando a primeira linha de pressão.

Foram definidos estímulos de pressão por parte de João Henriques. Sabendo, à priori, que o Boavista iria procurar sair a jogar, com Javí Garcia a integrar a 1ª fase de construção, o Vitória não pressionava o espanhol, baixando e fechando linhas de passe. No momento em que a bola entrava num dos centrais, a equipa vitoriana saía toda em pressão ao portador da bola, evitando uma saída de bola limpa por parte do Boavista e obrigando o adversário a jogar para trás e, consequentemente a utilizar a bola longa como mecanismo de superação da pressão do Vitória.

Criatividade é palavra de honra

No capítulo ofensivo, João Henriques terá capacidade e possibilidade de explanar as suas ideias. Com Ricardo Quaresma e Marcus Edwards na equipa, o novo treinador do Vitória só tem de proporcionar liberdade de movimentos e criativa aos dois jogadores. Dotados de uma capacidade técnica diferenciadora dos demais, o dois jogadores terão um papel fulcral no desenvolvimento ofensivo do jogo da equipa. Serão os faróis do desequilíbrio na manobra estrutural de João Henriques, prova disso é o golo do Vitória frente ao Boavista: saída a jogar pelo guarda redes, jogo lateralizado com o lateral projetado, procura da profundidade através do ataque às costas da defesa e depois é pura criatividade.

“É, insistentemente, pedido aos jogadores que sejam criativos nos momentos da criatividade, mas que essa criatividade nunca fuja daquilo que é a nossa organização coletiva.”

João Henrique no II Scout Talks

Bruno Varela – Segurança na muralha

Bruno Varela está num momento de forma bastante interessante. É um jogador importante na forma de jogar do Vitória, seja entre os postes ou na construção ofensiva. De pé esquerdo ou pé direito, Bruno Varela demonstra boa capacidade de passe, sendo fundamental para ultrapassar a primeira linha de pressão do adversário. Neste jogo, inclusive, foi quem desbloqueou a jogada de golo com um passe longo para Zié Ouattara que estava projetado no corredor lateral. Entre os postes, Bruno Varela demonstra ser um guarda redes seguro, confiante e que dará pontos à sua equipa.

“Vamos arriscar, mas com segurança.”

João Henrique no II Scout Talks