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João Palhinha: Números de Seleção

Dada a época que João Palhinha está a realizar, não é absurdo imaginar uma possível convocatória do médio do Sporting para o Euro2020. Tem sido um dos pilares do sucesso de Rúben Amorim e tem feito exibições de qualidade, com uma boa consistência ao longo da temporada.

A concorrência, contudo, continua a ser forte. Danilo é o 6 que Fernando Santos aposta mais e a transferência do médio para o PSG dá garantias de competitividade num patamar acima daquele que o Sporting se encontra. William Carvalho joga mais a 8 na Seleção, embora a presente temporada não esteja a ser tão regular como de costume. Por fim, a outra opção é Rúben Neves. É um médio com características raras de encontrar que, apesar de jogar a 6, as suas qualidades ofensivas oferecem outro tipo de recursos a Fernando Santos.

Percebendo um pouco mais do contexto da concorrência que Palhinha pode enfrentar na convocatória para o Europeu, veremos o que a estatística diz acerca destes 4 médios.

Comparação estatística

A nível do passe, por jogo Palhinha é aquele que menos passes realiza. No entanto, no que diz respeito à percentagem de passes acertados está atrás apenas de Danilo, que tem 93%, enquanto Palhinha tem 88%. A percentagem tanto de William (88%) como de Rúben Neves (87%) não difere muito. Qualquer um destes quatro jogadores tem boa qualidade de passe, mas temos de ter em conta que Palhinha e Danilo são mais conservadores que William (a jogar a 8) ou Rúben (passes longos).

A capacidade de recuperação de bola é, obviamente, extremamente importante num médio defensivo. Palhinha destaca-se neste capítulo, sobretudo, na quantidade de vezes que recupera a bola no meio campo ofensivo, ou seja, no meio campo do adversário.
Esta temporada o ex-Braga já recuperou um total de 50 vezes a bola nessa zona do campo (1.96 p/jogo). Apenas Danilo se aproxima com 38 (1.15 p/jogo), enquanto William (20; 0.73 p/jogo) e Rúben Neves (28; 0.88 p/jogo) estão mais atrás que o médio do Sporting.
Apenas como nota, se formos a ver as recuperações no meio campo defensivo, Danilo e Rúben Neves dão uma abada aos outros: 124 para o médio do PSG e 119 para o jogador do Wolves. (62 para Palhinha e 43 para William).

No desarme é João Palhinha que leva a melhor no campo da estatística. Por jogo, realiza 6 desarmes, praticamente 5x mais que William (1,92) e Danilo (1,36). Apenas Rúben Neves se aproxima dele com 3,9 desarmes por jogo.
Mas não basta procurar o desarme, há que ter eficácia, e mesmo assim Palhinha continua a ser o mais eficaz com 3 desarmes bem-sucedidos por jogo. Novamente, só Rúben Neves chega perto com 2, enquanto Danilo e William estão atrás com apenas 1.

Palhinha é também o médio que menos bolas perde no meio campo defensivo. No total, perdeu esta época 26 bolas nessa zona do campo, menos que Danilo (27), William (27) e Rúben Neves (30). No meio campo ofensivo é o segundo que menos bolas perdeu (53), superado apenas por Danilo (41) e superando William (75) e Rúben Neves (110).

A nível de duelos Palhinha também se destaca da concorrência. É aquele que mais duelos tem por jogo (17) e tem apenas menos 1% de duelos ganhos que Danilo (64% vs 65%). No entanto, Danilo tem “apenas” 7 duelos por jogo, ou seja, apesar de ter mais 1% de eficácia, a diferença na quantidade de duelos é muito significativa, mostrando que Palhinha tem uma alta percentagem de eficácia tendo em conta os números apresentados.

Mostra muita capacidade também nos duelos aéreos. Tem 4 por jogo, mais do que Rúben Neves (1.94), Danilo (2.2) e William (2.6). Tem apenas menos 2% de duelos aéreos ganhos que Danilo (68% vs 70%), mas também tem quase o dobro destes duelos por jogo que o médio do PSG.

Por fim, destaca-se novamente nos duelos defensivos. Por jogo, tem 11 destes duelos contra os 4,8 de Danilo. Vence-os mais vezes que o jogador do PSG: 6 contra 3,1. A nível de percentagem, Danilo leva a melhor com 64%, apenas mais 5% que João Palhinha, mas tem muito menos destas ocasiões por jogo.

João Palhinha, dos quatro, é aquele com melhor estatística no drible. 1.68 dribles por jogo sendo que 1.4 deles são eficazes, dando uma percentagem de 83%, dados bem superiores aos concorrentes.

Conclusões

A estatística vale o que vale, mas mostra que João Palhinha está a jogar a um nível altíssimo e que não fica atrás da sua concorrência. Comparando a Danilo, que é mais defensivo que William e Rúben Neves, Palhinha supera-o em vários capítulos importantes como as recuperações de bola, as perdas no meio campo defensivo e o desarme. Mesmo na questão dos duelos, Palhinha tem muitos mais destes por jogo que Danilo e a nível de percentagem estão praticamente idênticos. Ou seja, mais situações destas por jogo e uma eficácia praticamente semelhante.

Mas a convocatória de Palhinha não será definida apenas pela estatística, ou aquilo que poderemos retirar dela. Há que ter em conta que Danilo já tem experiência de Seleção e, sobretudo, está rotinado com William Carvalho. Este é um fator muito importante visto que as Seleções raramente têm tempo para treinos aquisitivos. William e Rúben Neves são médios diferentes do que Palhinha e Danilo, e ambos oferecem recursos interessantes, tanto a nível ofensivo como defensivo, que são importantes para Fernando Santos ter na Seleção. No entanto, na decisão do médio defensivo, aquele 6 puro, o selecionador nacional poderá ter dores de cabeça na hora da convocatória.



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