Menu Close

Liga BPI 2020/21: as equipas e as principais caras a seguir

A edição 2020/21 da Liga BPI arranca este fim de semana, na estreia do novo formato da competição. Esta época, o principal escalão do futebol feminino português será composto por 20 equipas, divididas em duas séries – Norte e Sul – de dez cada.

A Norte, o SC Braga é, na teoria, a equipa mais poderosa. As bracarenses venceram o campeonato em 2018/19 e, devido à pandemia de Covid-19 ter interrompido a edição passada antes da sua conclusão, não chegaram a perder oficialmente o título.

Para além da turma minhota, o FC Famalicão apresenta-se como outro candidato a vencer a Série Norte. A equipa famalicense, criada na época passada, subiu este ano ao primeiro escalão e o plantel representa um investimento notório, reforçado para a estreia na Liga BPI através de contratações como a de Rute Costa.

A Série Norte apresenta ainda conjuntos que já atuavam na primeira divisão na época passada, como são os casos da Ovarense, do Valadares Gaia, do Cadima e do Clube de Albergaria. A juntar a estes emblemas, Boavista, Condeixa, Gil Vicente e Fiães SC acompanharam o FC Famalicão na subida de divisão.

A Sul, o SL Benfica e o Sporting CP são os crónicos candidatos à vitória, não só da série como posteriormente da competição. O mercado de transferências tem sido bem mais mexido nesta série, com os clubes a investirem mais para apetrechar os plantéis.

CF Benfica, A-dos-Francos, Atlético Ouriense, Estoril Praia e Marítimo são os integrantes da Série Sul que já disputavam a Liga BPI em 2019/20. A estas formações juntam-se os recém-promovidos Damaiense, Torreense e Amora FC, numa série que recebeu muitas atletas vindas do estrangeiro.

SÉRIE NORTE

BOAVISTA: A equipa do Bessa assegurou a subida ao principal escalão do futebol feminino português. É um conjunto na sua maioria jovem – média de idades inferior a 22 anos – mas que tem em Paula Santos (45 anos) e Rita Lima (31) as suas fontes de experiência. O plantel é maioritariamente nacional e várias atletas já representavam as axadrezadas na época passada. Para esta época, o conjunto boavisteiro sentiu a necessidade de acrescentar atletas de fora e, nesse sentido, chegaram as norte-americanas Michaela Mouse, Arden Holden e Emily Sands.

CADIMA: A equipa do Cadima não é desconhecida da Liga BPI. A formação de Cantanhede já esteve no principal escalão na época passada. A época não estava a correr nada bem, com apenas uma vitória em 15 jornadas. Para esta temporada, o Cadima apresenta algumas mudanças no plantel, com a chegada de algumas jogadoras que atuavam no Clube de Albergaria. A base é jovem e a experiência do plantel é conferida por dois elementos: Sónia Almeida, de 40 anos, e Maria Amaro, de 30. Inserida na Série Norte, a formação do Cadima não deverá ter uma época fácil pela frente.

CLUBE DE ALBERGARIA: O Clube de Albergaria é já um histórico do futebol feminino português. A equipa tem andado pelo meio da tabela no passado mais recente e vai atacar 2020/21 com um plantel praticamente semelhante ao da época transata. As mudanças são poucas, mas a saída de Júlia Mateus vai fazer-se sentir em Albergaria-a-Velha. O plantel tem uma média de idades a rondar os 25 anos e é todo ele português, exceção feita à defesa grega Danai Kaldaridou, uma das reforços para a presente época.

CONDEIXA: O Condeixa é um dos conjuntos recém-promovidos e que se reforçou de forma cirúrgica. A base do plantel manteve-se e as contratações feitas foram, na maioria, de jogadoras que pertenciam a plantéis da Liga BPI. Do Atlético Ouriense chegaram a guarda-redes Petra Niceia e a médio Jéssica Pastilha, do SL Benfica chegou Tita, que tornou a mudança para Condeixa-a-Nova definitiva, e do Cadima chegou a avançada Luana Marques, internacional jovem por Portugal e um dos talentos a ter em atenção. Rafaela Pereira (ex-Gil Vicente) e Glenda Falcão (ex-FC Felgueiras 1932) completam o lote de reforços para um Condeixa que procura ter uma época tranquila e que deverá andar pela metade da tabela.

FC FAMALICÃO: Aqui está a equipa que se coloca na linha da frente, juntamente com o SC Braga, para lutar pela coroa a Norte. O investimento realizado pela equipa famalicense desde que foi criada diz bem daquilo que é o objetivo: lutar por um lugar ao sol no futebol feminino português. Nesse sentido, o plantel orientado por João Marques possui vários nomes a ter em conta, desde Gabi Morais, Solange Carvalhas ou Maria Negrão, que transitam da época passada, às reforços Rute Costa (ex-SC Braga), Mariana Azevedo (ex-Sporting CP), Mylena Freitas (ex-Avaí Kindermann) ou Vitória Almeida (ex-Hebei Elite).

Mylena Freitas vai realizar a primeira época ao serviço do FC Famalicão

FIÃES SC: Uma época difícil deverá ser aquilo que espera a equipa do Fiães SC. As recém-promovidas apresentam um plantel longo – 29 jogadoras – e muito jovem, com os testes de pré-temporada a mostrarem que talvez a Liga BPI seja um nível demasiado acima para estas jogadoras ainda em crescimento. A médio Tininha, de 32 anos, é a mais velha num plantel cuja média de idades é inferior a 21 anos.

GIL VICENTE: O Gil Vicente garantiu uma das vagas de acesso à Liga BPI e aponta a uma época tranquila e, eventualmente, com uma luta pelo top-5 a Norte. Paulinha e Diva Meira, sem espaço no SC Braga e no SL Benfica, respetivamente, chegam a Barcelos à procura de se afirmarem e são dois nomes a ter em atenção. Telma Pereira, que faz a transição do futsal – onde se sagrou campeã olímpica da juventude por Portugal – para o futebol, é outro nome que causa curiosidade no sentido de se perceber o que poderá fazer numa modalidade diferente.

OVARENSE: A Ovarense é já uma velha conhecida do primeiro escalão, que nos últimos anos tem estado quase sempre envolvida numa luta acérrima pela manutenção. O plantel da formação de Ovar foi reforçado para a presente época, com a norte-americana Mary Reilly a ser o nome mais sonante e a juntar-se a Betinha e Ana Rocha, dois nomes que se mantêm no plantel aveirense e que continuam a ser para ter em conta.

SC BRAGA: A equipa bracarense “desmontou” grande parte do plantel da última campanha e procurou reforçar de forma cirúrgica as posições mais necessitadas. O plantel encurtou, perdeu várias referências, entre elas a capitã Vanessa Marques. No entanto, o técnico Miguel Santos e o departamento de scouting voltaram a colocar mãos à obra e descobriram quatro reforços que prometem: Nágela, que veio ocupar o lugar deixado vago pela saída de Jana na defesa, e as atacantes Myra Delgadillo, Cindy König e Jermaine Seoposenwe, que vêm reforçar um setor que sofreu muitas saídas, das quais se destacam Francisca Cardoso e Chinaza Uchendu. Para além disso, Maria Gaspar, Eduarda Silva e Beatriz Barbosa foram promovidas à equipa principal e são nomes de futuro.

Myra Delgadillo chega a Braga vinda do Spartak Subotica e promete dar trabalho às defesas

VALADARES GAIA: A equipa do Valadares Gaia destacou-se sempre ao longo das últimas épocas por fazer muito com o que seria teoricamente pouco. Esta época, Mara Vieira não será a técnica da equipa gaiense, ela que nos anos anteriores realizou grandes trabalhos com jovens. Nuno Pereira foi o escolhido para assumir o comando técnico. À procura de fazer um campeonato tranquilo e que permita andar nos lugares cimeiros, foi realizado um investimento considerável em jogadoras estrangeiras e com alguns nomes a ter em conta. Do campeonato brasileiro chegaram Rayssa Rodrigues (defesa, ex-Atlético Mineiro), Thayla Carioca (médio, ex-Fluminense) e Palominha (avançada, ex-Botafogo). Para além disso, o regresso de Lúcia Alves (emprestada pelo SL Benfica) é também um acrescentar de qualidade ao conjunto nortenho, que assegurou ainda quatro atletas junto do Paio Pires.

SÉRIE SUL

SL BENFICA: A equipa do SL Benfica, por ser líder quando o campeonato foi interrompido, vai representar Portugal na Liga dos Campeões em 2020/21 e parte também como favorita para conquistar o campeonato. O plantel foi reduzido, a aposta em produtos da formação reforçada e as contratações foram feitas ao pormenor. Para a defesa chegaram Carole Costa (ex-Sporting CP) e Matilde Fidalgo (ex-Manchester City), duas atletas internacionais portuguesas e cujas carreiras falam por si. Joline Amani é uma aposta para o meio-campo, vinda da Holanda, e Jassie Vasconcelos regressou à Luz depois de um ano em França. Entre atletas regressadas de empréstimos e jovens promovidas ao plantel principal, há um nome que salta à vista e que deve ser tido com muita atenção: Francisca Nazareth. A jovem de 17 anos é a “next big thing” do futebol feminino nacional e deverá ter muitos minutos ao longo do ano.

SPORTING CP: Reforçar? Na formação. Este é o lema do Sporting CP para 2020/21. A equipa orientada por Susana Cova manteve a espinha dorsal do plantel, reforçou-se apenas com a experiente Mónica Mendes (ex-AC Milan) e promoveu várias jovens ao plantel principal. A equipa leonina é, obviamente, candidata ao título e entre os nomes a ter em conta estão a brasileira Raquel Fernandes, a sérvia Nevena Damjanovic ou Tatiana Pinto. O regresso de lesão da norte-americana Carlyn Baldwin vem também em boa altura. Para além disso, existe ainda a expectativa em relação à mexicana Amanda Pérez, que chegou na época passada mas pouco foi utilizada. Em relação aos produtos da formação, muita atenção a dois nomes em particular: Alicia Correia e Marta Ferreira.

A-DOS-FRANCOS: A equipa da A-dos-Francos teve uma época muito complicada em 2019/20 e, tivesse o campeonato chegado ao fim, a despromoção seria o cenário mais provável. De forma a assegurar uma equipa mais competitiva e que possa lutar pela manutenção de forma tranquila, a equipa de Leiria reforçou-se com várias atletas, tanto estrangeiras como nacionais. Dentro da Liga BPI, o Atlético Ouriense foi a principal fonte de reforços para as leirienses e, desse lote, o nome de Cláudia Tecedeiro salta à vista. A francesa Amon Scheers, vinda do FC Fleury 91, é outro nome a ter em atenção nesta equipa.

AMORA FC: A equipa do Amora FC continua a construir um plantel de boa qualidade a partir de atletas cujo espaço nos maiores clubes se foi reduzindo. Esta política de contratações permitiu ao clube garantir a subida de divisão e possuir um coletivo muito interessante. Nomes como Nadine Cordeiro e Sara Brasil, que procuram minutos que não tinham no Sporting CP e no SC Braga, respetivamente, são de destacar nesta formação. Júlia Mateus, vinda do Clube de Albergaria, é o principal nome a ter em conta nesta equipa, juntamente com a goleadora Mafalda Marujo, que é uma ameaça séria às redes adversárias.

Júlia Mateus deu nas vistas ao serviço do Clube de Albergaria e esta época vai jogar no Amora FC.

ATLÉTICO OURIENSE: A equipa de Ourém perdeu algumas jogadoras para a nova temporada, mas ainda assim possui um coletivo que deverá permitir uma época tranquila. O Paio Pires foi a principal fonte de reforços para o Atlético Ouriense, que assegurou as brasileiras Thays Ferrer e Laura Spenazzatto. A médio Anita Santos, muito evoluída tecnicamente, é uma das “one to watch” da equipa.

DAMAIENSE: Recém-chegado à Liga BPI, o Damaiense promete ser muito competitivo, ao mesmo tempo que é palco para várias jovens portuguesas crescerem. O clube reforçou-se sobretudo junto do SL Benfica, tendo recebido um grande lote de jogadoras por empréstimo. Nomes como Lara Pintassilgo, Carolina Santana, Ana Assucena e Madalina Tatar prometem acrescentar qualidade a um coletivo que possui em Bárbara Marques e Madalena Ferreira a experiência de primeiro escalão. Aliás, a antiga jogadora do CF Benfica é o nome mais sonante desta equipa, onde poderá assumir-se como uma líder dentro das quatro linhas.

TORREENSE: A equipa de Torres Vedras apresenta um plantel com um misto de jogadoras portuguesas e brasileiras. No entanto, é no banco que a equipa pode ganhar muito em relação às adversárias, não fosse Nuno Cristóvão o treinador. O técnico, que venceu vários campeonatos pelo Sporting CP, tem muita experiência acumulada e muitos ensinamentos para transmitir a um plantel jovem, que deverá ter uma época tranquila na estreia na Liga BPI.

MARÍTIMO: O Marítimo tem sido um dos conjuntos mais interessantes ao longo dos últimos anos e tem tudo para o voltar a ser em 2020/21. Cada vez mais profissional, a equipa madeirense conta com uma das melhores guarda-redes da liga: Bárbara Santos. Para além disso, as jovens Tânia Mateus e Telma Encarnação são outros dois nomes a ter em conta. Para esta época, as insulares receberam alguns reforços vindos do estrangeiro, dos quais se destaca a goleadora portorriquenha Karina Socarrás, que já tem experiência de futebol europeu e que deixou bons apontamentos na sua passagem pelo Málaga.

A portorriquenha Karina Socarrás chega ao Marítimo com credenciais de goleadora.

CF BENFICA: A equipa do Fofó tem-se mostrado como uma das melhores equipas na “segunda linha” do futebol feminino português, logo a seguir aos crónicos candidatos SL Benfica, SC Braga e Sporting CP. Orientadas pela talentosa Madalena Gala, de apenas 27 anos, as atletas do CF Benfica têm condições para voltar a fazer um bom campeonato e andar na luta pelos lugares da primeira metade da tabela no Sul. Edite Fernandes (40 anos), Andreia Silva (35) e Sílvia Brunheira (45) conferem experiência mas também qualidade individual, assim como a médio Catarina Realista, de 25 anos, que é um nome ao qual devem estar atentos.

ESTORIL PRAIA: As estorilistas apresentam-se em 2020/21 com praticamente o mesmo plantel da época transata. À semelhança de 2019/20, a equipa da Amoreira tem condições para fazer uma época tranquila e lutar pelos lugares da primeira metade da tabela, ao lado de CF Benfica e Marítimo. Ana Viegas é o principal nome a destacar, pelos atributos técnicos que apresenta e por ser o principal motor da equipa no processo ofensivo.