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Lille campeão: a obra de Galtier

O Lille sagrou-se campeão francês, um título que fugia desde 2010/2011. A equipa do Norte de França colocou fim ao domínio do PSG com 3 títulos consecutivos, mas foi preciso esperar até à última jornada para a equipa de Christophe Galtier garantir o campeonato com um ponto de vantagem. 83 pontos contra os 82 da equipa de Paris.

XI Base

O campeão francês alinhou em 4-4-2 ao longo de toda a temporada. O seu XI base sofreu poucas alterações mas apresentou alguma versatilidade de soluções. Luiz Araújo foi um jogador muito utilizado no lado direito do ataque, Renato Sanches jogou muito no meio campo ou como médio interior e Xeka somou muitos minutos no sector intermédio. As outras opções incidiram em Tiago Djaló que jogou nas sobras de José Fonte e Sven Botman, Domagoj Bradaric que foi muitas vezes opção a lateral esquerdo, Yusuf Yazici que jogou como extremo ou avançado móvel e Timothy Weah que alinhou na frente de ataque.

Um plantel coeso com opções nos vários sectores mas com um XI base muito rotinado e com poucas mudanças ao longo da temporada.

Processo Defensivo

A equipa de Galtier caracterizou-se por jogar com um bloco médio-alto, com linhas compactas e numa estrutura coesa e organizada. O 4-4-2 do Lille não permitiu espaços entre linhas para as equipas contrárias explorarem no momento de organização defensiva. Boa ocupação do corredor central, forçando a que o adversário tivesse de explorar os corredores. A estabilidade defensiva foi um dos principais argumentos da conquista do título. A defesa menos batida do campeonato com 23 golos sofridos e 21 jogos sem sofrer golos. Um registo impressionante na competitiva Ligue 1.

A dupla da frente conseguiu pressionar de forma intensa e eficaz mas nem sempre procuraram uma pressão alta. Yilmaz e Jonathan David reagiam bem aos indicadores de pressão e condicionaram a saída contrária mas quando percebiam que o adversário tinha condições favoráveis para criar situações de superioridade numérica, baixavam no terreno e ajustavam o seu posicionamento, assim como a restante equipa. Quando existia uma pressão alta, as linhas subiam e aproximavam-se dos elementos mais adiantados para não permitirem espaços para as saídas rápidas e bolas entre linhas.

Foi no momento de transição defensiva que a equipa sentiu mais dificuldades. O Lille nem sempre reagia bem ao momento da perda e com o envolvimento ofensivo que apresentava acabava por abrir alguns espaços na sua defesa, com os adversários a aproveitarem bem estas situações. Também os passes em profundidade com movimentos de rotura nas costas dos dois centrais, assim como o jogo aéreo nos lances de bola parada, foram outros dos pontos menos fortes no que toca ao processo defensivo.

Processo Ofensivo

Ofensivamente a equipa não apresentou um dos melhores registos da liga com 64 golos marcados, contra 86 do PSG, 81 do Lyon e 76 do Monaco. Mesmo com números magros o Lille apresentou muitas opções no plano ofensivo e um futebol de qualidade.

Burak Yilmaz foi a grande referência e surpresa da equipa. O avançado turco de 35 anos decidiu pela primeira vez na sua carreira deixar o seu país e experimentar outro campeonato. Foi o melhor marcador da equipa na Ligue 1 com 16 golos marcados. O experiente jogador teve a companhia de Jonathan David que foi o segundo melhor marcador com 13 golos. O compatriota Yusuf Yazici também foi um dos jogadores utilizados na frente de ataque ou a partir de uma faixa e apontou 7 golos, sendo o terceiro melhor marcador. A nível de assistências, destaque para o extremo esquerdo, Jonathan Bamba. O francês de 25 anos deu a marcar 11 golos e apareceu em 2º lugar dos melhores assistentes da liga, juntamente com Di María.

Relativamente aos princípios ofensivos, o Lille procurava uma saída a 3 mas com diferentes dinâmicas. A mais habitual era com o lateral direito, Zeki Celik, a juntar-se a José Fonte e Sven Botman.

Pontualmente Benjamin André também podia baixar para o lugar de Celik para libertar este em posições mais adiantadas. O guardião Mike Maignan também chegou a ser peça importante na fase de construção.

Mais do uma saída criteriosa e com segurança com três elementos, o Lille procurava ganhar espaços no meio campo ofensivo. Os dois médios posicionavam-se em diagonal para oferecer diferentes linhas de passe, consoante a pressão do adversário. Do lado esquerdo, Reinildo tinha mais liberdade ofensiva que o lateral direito Celik. Um dos extremos podia jogar como médio interior, papel que Renato Sanches desempenhou em alguns jogos desta temporada. Sendo que o outro extremo era mais vertical, de ataque a zonas de finalização e à linha de fundo.

Os campeões franceses conseguiam sair com critério desde trás, dando largura pelos seus laterais, nomeadamente Reinildo no lado esquerdo. Celik joga mais por dentro o que permite ao extremo do seu corredor estar bem aberto. O meio campo tem capacidade para ligar o jogo por dentro e qualidade para circular com boa intensidade e dinâmica. Soumaré e André foram dos médios mais utilizados, com Renato Sanches e Xeka logo de seguida.

Na frente uma dupla complementar. Yilmaz a servir de referência ofensiva para um jogo mais directo e David a explorar os movimentos em rotura. O avançado turco ligava o jogo por dentro com apoios frontais e conseguia segurar a bola em espaços reduzidos, libertando depois espaços para a entrada do canadiano. Yilmaz também demonstrou qualidade no trabalho dentro da área, pela sua capacidade física, assim como num jogo mais directo, funcionando como elemento de ligação em caso de pressão contrária.

A equipa apresentou qualidade no ataque posicional mas destacou-se sobretudo pela eficácia no momento de transição ofensiva. Pela velocidade e mobilidade da frente de ataque, o Lille criava muitas situações de finalização através de ataques rápidos. Ikoné, Bamba, Luiz Araújo, David e Weah foram algumas das referências ofensivas nas transições ofensivas, pela facilidade de chegada ao último terço e pela velocidade que apresentavam no ataque aos espaços.

Christophe Galtier foi o principal responsável pela conquista do Lille esta temporada. Uma obra que merece ser reconhecida pela sua qualidade. Um título com tons portugueses pelos jogadores, equipa técnica e responsáveis da estrutura que representam as cores de Portugal.



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