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Hoje foi dia de meias-finais no Campeonato Europeu de sub-19. Itália e França emergiram como vencedoras, (Itália 2-1 Inglaterra, e Portugal 1-3 França) e vão disputar a final no próximo domingo.

Também se disputou o play-off, com a anfitriã Alemanha a bater a Holanda no penaltis por 5-4, após um empate a 2 nos 90 minutos e a 3 no prolongamento, apurando-se para o Mundial de sub-20 2017, a disputar-se na Coreia do Sul.

Surpresa no primeiro jogo do dia. Os transalpinos bateram os britânicos, tidos por muitos como os favoritos à conquista da competição. Contudo, para quem viu o jogo, o resultado final não foi surpreendente. A Inglaterra tentou sempre ter a iniciativa, mas baqueou perante a falta de criatividade do conjunto, individual e colectivamente, e uma organização defensiva italiana do melhor que se viu neste certame, com a linha defensiva e a linha média quase juntas, bom controlo da profundidade, agressividade sobre a bola e coberturas que impediram que os ingleses tivessem situações de 1×1 ou espaços livres para combinar entre si.

No lado italiano, vários jogadores estiveram em destaque, com Coppolaro muito assertivo nos duelos e a interceptar muitos dos cruzamentos que os ingleses fizeram. Romagna com o seu estilo elegante e discreto a comandar a linha defensiva. Locatelli com a sua maturidade táctica, sempre a dar coberturas aos colegas e a equilibrar a equipa, mostrando ainda alguma capacidade de passe a retirar a bola das zonas de pressão e o suplente Minelli que mal entrou, mostrou ser o criativo que, por vezes, falta a estas selecções transalpinas, com passes de ruptura e conduções que fixaram elementos da linha defensiva contrária. Porém, o destaque tem de ser atribuído a Dimarco que mostrou muita qualidade na cobrança das bolas paradas e boa capacidade nos duelos defensivos, muito agressivo sobre o adversário.

No lado inglês, não houve muitos destaques positivos, a equipa esteve muito amarrada em termos ofensivos e defensivamente sofreu bastante com os ataques rápidos dos mediterrâneos. Os jogadores que apresentaram um rendimento aceitável foram: Onomah, que apesar de várias perdas de bola e algumas decisões algo duvidosas, foi muito importante na forma como a equipa tentou construir desde trás, assumiu o transporte de bola e tentou servir de placa giratória do jogo ofensivo, forçou o remate por diversas vezes e, apesar de ser uma das suas armas, não teve grande sucesso; e Brown, que foi o jogador que mais jogadas de perigo criou, aquele que melhores movimentações sem bola efectuou, aquele que se mostrou na fase de criação e não fugiu às responsabilidades, apesar de não ter estado muito feliz em várias decisões que tomou durante o encontro.

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Na outra meia-final, a França bateu Portugal por 3-1, num jogo onde ficaram patentes as dificuldades que Portugal tem quando está sem bola – algo que foi muito visível, também no jogo contra a Alemanha. Num jogo em que se denotaram as deficiências defensivas de ambas as equipas, a França a deixar demasiado espaço entre as duas linhas mais recuadas e Portugal com os jogadores algo dispersos pelo campo, sem muita noção de quais os posicionamentos correctos para impedir a progressão dos adversários. Com este cenário, ganhou a equipa que teve mais bola, a França, que mais riscos tomou e aquela que evidenciou mais qualidade ao nível dos duelos individuais, bem como maior capacidade física.

No lado francês, o 1º destaque tem de ser dado a Mbappe que massacrou Dalot no corredor esquerdo do ataque gaulês, fazendo uso da sua capacidade técnica e do poder de aceleração que detém, o que deixou patente a diferença entre um jogador que actua regularmente no campeonato sénior francês e outro que os últimos jogos que fez ao serviço do seu clube foram disputados no escalão de juvenis. Mostrou ainda capacidade para invadir a área, tendo facturado por duas vezes e assistiu para o primeiro golo do encontro. O outro destaque vai para o jogador que mais tem surpreendido na França, Harit. Um criativo como não é muito hábito encontrar-se no seu país. Dotado de boa capacidade de passe e visão de jogo, mostra-se confortável com a bola no seu pé direito enquanto provoca os adversários com o esférico. Defensivamente também mostra alguma qualidade, não desistindo dos lances após a perda, o que mostra bem o seu carácter competitivo e o compromisso para com a equipa e os seus objectivos.

No lado português, não houve um jogador que tenha feito uma exibição de encher o olho, embora alguns tenham revelado alguns pormenores interessantes. Pedro Silva, mostrou, uma vez mais, a qualidade que tem entre os postes e nas saídas aos pés dos adversários. Contudo, mostrou também um dos seus principais problemas, as saídas a bolas aéreas, situação que ficou patente no 3º golo da França. Francisco Ferreira mostrou a segurança habitual em termos defensivos, boa capacidade de desarme, de antecipação e um jogo aéreo de qualidade, apresentou ainda uma arma no passe longo em diagonal para a direita – algo que precisa de melhorias para ser uma arma fiável -, mas esteve algo errático quando tentou sair curto desde trás, cometendo erros que causaram perigo para a equipa. Gonçalo Rodrigues mostrou o seu espírito guerreiro em todas as disputas de bola, recuperando várias vezes o esférico, conseguiu lançar algumas transições com qualidade, fruto da sua qualidade de passe. Por outro revelou alguma dificuldade em perceber que zonas deveria pisar no momento defensivo, mostrando-se algo perdido. Depois, João Carvalho, o criativo da equipa e aquele que mais fez para que as jogadas nacionais tivessem perigo. Apareceu entre linhas a causar desequilíbrios, transportou a bola, driblou, rematou, apresentando qualidade em todas as acções a nível técnico e da decisão. No entanto, revelou alguma inconstância, tendo tido períodos de ausência, algo que pode ser explicado pela estratégia adoptada pela equipa nacional de se posicionar mais baixo no terreno, abdicando um pouco da bola, situação que não favorece o jogo do jogador.

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No jogo que atribuía a última vaga de acesso ao Mundial sub-20 do próximo ano, defrontaram-se a Alemanha e a Holanda, terceiros classificados dos seus grupos na primeira fase da prova.

Os alemães, que jogavam em casa, dominaram completamente a 1ª parte do jogo, com a Holanda a ceder completamente ao domínio adversário e a remeter-se para o seu meio-campo, não mostrando praticamente nada. Não foi de estranhar que os germânicos fossem a vencer para o intervalo, já que Philipp Ochs com mais um golo na competição, deu a vantagem à sua selecção. Não foi uma grande 1ª parte, com o ritmo de jogo a ser baixo.

Depois do que foi o 1º tempo, ninguém esperava tanta emoção como aquela que acabámos de ver. O treinador do país das tulipas mexeu logo ao intervalo, fazendo duas substituições. A Holanda melhorou nesta fase, e também quando entrou Dennis Van Der Heijden. Os últimos 10 minutos foram emocionantes. A Holanda deu a volta ao jogo com um golo de Nouri aos 81 minutos e outro de Dennis Van Der Heijden aos 88 minutos, dando-lhes uma vantagem de 2-1 no marcador. Quando já tudo esperava a vitória dos holandeses, Suat Serdar empata o jogo aos 93 minutos e leva a decisão para o prolongamento.

O prolongamento foi também recheado de emoção. A Alemanha adiantou-se no marcador aos 96 minutos com um golo de Marvin Mehlem, mas a Holanda respondeu com o empate aos 111 minutos por Sam Lammers. Nos últimos minutos, drama ao máximo, como oportunidades de golo flagrantes em ambas as balizas, mas que não deram golo, levando o jogo para a decisão através de grandes penalidades.

Aí, a vitoria acabou por sorrir aos alemães por 5-4. Nouri, capitão da Holanda, teve nos pés a vitória para a sua equipa, mas atirou à trave. A Alemanha empatou de seguida, sendo que depois os holandeses voltaram a falhar e no penalti decisivo Benjamin Henrichs não tremeu, dando o apuramento à sua selecção.

Num jogo em que os destaques podiam ser vários, Benjamin Henrichs voltou a mostrar que é um dos melhores jogadores em prova. Tem uma qualidade impressionante e muito dificilmente não chegará muito longe. Quem também voltou a fazer um bom jogo, coroado com mais um golo, foi Philipp Ochs, que sai também muito valorizado deste certame.

Pese o penalti falhado, Abdelhak Nouri provou que é o melhor jogador da sua selecção, mostrando de novo capacidades acima da média, como em praticamente todos os jogos anteriores. Sam Lammers só entrou ao intervalo, mas voltou a marcar um golo, movimentando-se bem e sendo a referência ofensiva da equipa.

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