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No caminho dos milhões: o que esperar do Spartak de Rui Vitória

Quis o destino que o Benfica enfrentasse o Spartak de Rui Vitória no caminho para a Liga dos Campeões. Em mais um round Jesus-Vitória, os encarnados jogam o acesso à fase de grupos, e aos milhões que a entrada nessa fase representam.

Neste artigo, mais que toda a mística e história do encontro, do duelo entre os treinadores e do passado de Rui Vitória no Benfica, pretende-se analisar quais são as reais mais-valias do clube russo, bem como as principais dinâmicas e jogadores a ter em conta.

Esquema utilizado

O esquema base do treinador português em pouco difere do que utilizou durante a sua passagem pela Luz. 4x4x2 em organização ofensiva e defensiva, com o segundo avançado (Bakaev ou Jordan Larsson) a ser responsável por fazer a ligação do jogo entre os médios e os avançados.

Os dois médios –mais de contenção- são o principal garante do equilíbrio ofensivo de uma equipa que coloca pelo menos cinco jogadores em zonas de criação, havendo muita envolvência dos laterais neste momento do jogo, sobretudo do brasileiro Ayrton Lucas, dono de uma passada larga e de uma velocidade consideráveis.

Momento Ofensivo

  • Apesar de montar a construção com dois jogadores (os dois defesas-centrais), a equipa consegue comportar-se quase como se de uma linha de cinco se tratasse, dada a largura implementada no sistema, materializada no posicionamento dos defesas laterais. Os centrais também jogam muito afastados um do outro, o que revela muita confiança do português no seu jogo de pés e na sua capacidade em construir.
  • É uma equipa que procura sair a jogar pelo chão, mas a inteligência dos jogadores permite soluções alternativas, e a equipa já está preparada para isso. Sobolev (PL), por exemplo, é muito forte nos duelos aéreos. Normalmente encosta em corredor lateral para dividir com os laterais- normalmente mais baixos- e permitir que a equipa comece a jogar a partir daí.
  • A colocação de muitos jogadores em zonas de finalização é outra característica deste Spartak, não sendo ainda assim fácil de contra-atacar em superioridade devido aos equilíbrios garantindo pelos dois médios centro (aqui destaco o internacional jovem russo, Umyarov).
  • Há muita criatividade nos jogadores da frente. A equipa torna-se muito imprevisível pois tem jogadores de recorte técnico apurado, algo difícil de contrariar, por muito organizada que seja uma equipa.
  • Por último, é uma equipa muito perigosa nas bolas paradas. Nos três jogos analisados, conseguiu lograr três golos em cantos ofensivos, fator de sobreaviso à turma de JJ.

Momento defensivo

A equipa mantém o sistema a defender (4x4x2) e tem-se dado bem. O equilíbrio dos médios centros garante que estejam sempre 5 jogadores a defender, ou preparados para o efeito em caso de perda de bola.

Um dos poucos problemas identificados, que em jogo não tiveram repercussões graves, passa pela atração dos laterais a corredor lateral, quando esta zona é ocupada pelo extremo adversário. Assim que este recebe, os jogadores saltam na pressão, abrindo um espaço muito grande entre ele e o defesa lateral do mesmo lado. Essa zona é sempre compensada por um colega de equipa– formando-se momentaneamente uma linha de cinco jogadores- mas o tempo que este processo leva pode ser um ponto a explorar por um Benfica com uma circulação de bola célere.

Se o Benfica jogar com linha de 5 defesas, o que será expectável, a pressão dos dois avançados fica logo anulada pela superioridade numérica nessa zona, e isso pode ser um fator decisivo para a qualidade da primeira fase de contrução encarnada. O que pode acontecer neste caso é Rui Vitória baixar o segundo avançado para a zona dos médios, para criar superioridade em corredor central, deixando o benfica trocar a bola em meio campo defensivo à vontade.

Jogadores Chave

O sorteio não foi o mais favorável, é certo. Do lado russo há uma equipa bem oleada, confiante pelos últimos resultados (ainda que em amigáveis) e com dois jogos de campeonato de avanço. Um conjunto com muita qualidade individual, sobretudo na linha da frente, com os pés esquerdos de Sobolev -muita qualidade no remate- Larsson- um grande desequilibrador- e Bakaev – cérebro, a poderem ter alguma influência no jogo.

Há ainda Umyarov (já destacado), o lateral Ayrton Lucas– muita propensão ofensiva mas alguns erros de julgamento defensivo, e os internacionais Victor Moses e Quincy Promes. É de resto dos pés do holandês que pode surgir a maior parte da imprevisibilidade mencionada anteriormente.

Não é facil, volto a dizê-lo, mas não é uma tarefa impossível para o Benfica, e para o futebol português, voltar a ter três equipas na fase de grupos da Liga dos Campeões, algo que não acontece desde a temporada 2017/2018.



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