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O Benfica recebeu esta terça-feira o Liverpool nos oitavos de final da Youth League e apresentou-se com uma exibição tremenda, com um nível de maturidade, intensidade e qualidade de jogo impressionante dos jovens encarnados. As águias controlaram o ritmo do jogo desde o início, procurando sair a jogar de forma apoiada, encontrando soluções diferentes dependendo da pressão do Liverpool (que contava também com alguns jovens que já alinharam pela equipa principal este ano, tal como Morato, Tiago Dantas e Nuno Tavares).

Imagem Zerozero

Um dos momentos onde o Benfica se destacou foi na sua pressão. Com timings bem definidos, os encarnados conseguiram durante a primeira meia hora anular quase por completo as investidas do Liverpool, com duas linhas de quatro bem definidas atrás de Gonçalo Ramos e Ronaldo Camará. Com o objetivo de atrair o Liverpool para os corredores e aí iniciar a pressão, o Benfica teve muito sucesso no seu processo defensivo:

Pressão bem definida do Benfica

Soluções dentro do caos do jogo

Os momentos de transição são sempre essenciais, e foi aqui que os jovens encarnados orientados por Luís Castro mostraram toda a sua interpretação e conhecimento dos momentos do jogo. Com critério, encontrando os espaços e os colegas corretos, a manutenção da posse de bola foi sempre a prioridade, onde Rafael Brito e Ronaldo Camará se destacaram pelas suas decisões.

O momento após a recuperação de bola foi essencial para o Benfica conseguir controlar o ritmo do jogo.

Com Tiago Dantas a jogar como um “falso extremo” e beneficiando da verticalidade de Nuno Tavares, o Benfica encontrou muitas vezes momentos de superioridade no corredor central, com Brito a ser acompanhado de Camará ou Dantas na 1ª fase de construção. Com Paulo Bernardo em zonas mais adiantadas, eram quase sempre estes quatro criativos que desbloqueavam a pressão intensa do Liverpool, frustrando os ingleses e partindo para o ataque rapidamente após quebrar a pressão.

Processo de construção do Benfica

Com bola, a qualidade desta geração é evidente. Como já foi referido, os jovens benfiquistas controlaram os diferentes momentos do jogo, evidenciaram toda a sua qualidade, mas isto só foi possível pela capacidade e quantidade de soluções criadas pelo processo coletivo, que beneficia a (excelente) tomada de decisão dos jogadores do Benfica. Desde o guarda-redes até ao avançado, todas as decisões têm um propósito, são influenciadas pelo que o caos do jogo oferece e os jogadores através do seu posicionamento, qualidade com bola e tomada de decisão conseguem encontrar soluções em situações que podiam ser de sufoco. Todo o mérito para a equipa técnica e para os jogadores, porque tudo isto é resultado do treino e do trabalho coletivo. Se não der para construir curto, os jogadores procuram superar as linhas por cima, se a equipa contrária está desposicionada procuram o ataque rápido (a jogada entre Kobuko, Tiago Dantas e Paulo Bernardo é simplesmente fantástica), e em situações de pressão a qualidade individual dos jogadores acaba por decidir em prol da equipa. Delicie-se com algumas destas jogadas:

O jogo é um caos, e quem o souber organizar estará sempre mais perto de encontrar as melhores soluções.

Depois dos destaques coletivos, é impossível não referir o capitão desta equipa: Tiago Dantas. A intensidade não se mede aos palmos, mas sim pelos comportamentos corretos e pela sua eficiência; a velocidade não se mede pelos músculos, mas sim pela capacidade de decidir mais rápido que os outros. O craque português faz (quase) tudo bem, desde gestos técnicos que parecem simples, às decisões e linhas de passe que só ele parece ver. Controlando o ritmo do jogo a seu prazer, o número 10 e capitão dos encarnados mostra uma maturidade que vai muito além do que os nossos olhos vêem. Já mostrámos vários momentos onde Dantas foi decisivo, mas acabamos com um pormenor que distingue jogadores bons dos grandes jogadores: a capacidade de fazerem a diferença através da receção. Um lance que resume o génio dentro do corpo franzino de Tiago Dantas: