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O começo de Tiago Nunes no Grêmio

Tiago Nunes foi anunciado pelo Grêmio FBPA em 21/04/2021 com a missão de substituir Renato Gaúcho, um dos maiores ídolos do clube. Após pouco mais de 4 anos de comando do antigo treinador, viu-se a necessidade de algumas mudanças na forma como a equipe adentrava aos relvados para manter o alto nível competitivo no seguimento da temporada 2021. Tiago foi o nome escolhido por ter apresentado trabalhos em consonância com o modelo de jogo que vinha sendo praticado pelo clube nos últimos anos (especialmente pelo seu sucesso no Athletico Paranaense onde foi campeão da Copa Sul-Americana 2018 e da Copa do Brasil 2019) com um futebol ofensivo e uma estruturação tática que baseava-se nas individualidades para vencer as partidas.

Mesmo com pouco tempo de trabalho, ainda mais levando-se em conta o contexto brasileiro, o novo treinador já conseguiu implementar algumas ideias que evoluíram coletivamente o conjunto em comparação com o próprio time de alguns meses atrás. Pelo fato do técnico também buscar um futebol propositivo não houve uma rotura imediata com o que vinha sendo apresentado, embora sejam visíveis novos comportamentos relacionados a alguns pormenores táticos mostrados em etapa ofensiva e defensiva.

Jogadores como Brenno, Rafinha, Thiago Santos e Ferreira (10 golos e 7 assistências na atual época) são algumas novidades que firmaram-se como titulares da equipa gremista.

PROCESSO DEFENSIVO

Aqui reside uma das grandes alterações nos princípios da equipa. Anteriormente o Grêmio era um time que tinha como predomínio uma marcação com maiores encaixes por setor, com ocorrência de perseguições longas em determinadas ocasiões, e sem mecanismos de counterpressing ou tentativas de impedir a iniciação rival em saídas de jogo (sendo muito passivos em processo defensivo geral). Agora já ficam claras as intenções de ter uma orientação zonal em organização defensiva em 4x1x4x1 ou 4x4x2 e uma agressividade maior nos saltos de pressão e na intensidade sobre o portador da bola.

Logicamente esta alteração de comportamentos demanda certo tempo para ser absorvida pelos atletas, ainda mais após repetidos anos com uma proposta diferentes da atual. Portanto, conceitos de defesa da profundidade (bola coberta/descoberta), indicadores de pressão e coberturas intersectoriais ainda estão sendo gradualmente desenvolvidos, tendo compensações para que haja algumas perseguições individuais de determinados jogadores (como centrais) em organização defensiva.

Outro ponto notável que vale a pena ser sublinhado é a maior intensidade de pressão em transição defensiva, com um pós-perda forte e que auxilia o conjunto a manter o domínio das ações no jogo. Aqui é necessário destacar o papel dos médios, como Thiago Santos e Matheus Henrique, por estarem sempre próximos ao setor da bola como opção de passe em fase ofensiva e serem capazes de alterar rapidamente de posicionamento quando a equipa perde a posse.

PROCESSO OFENSIVO

Estruturalmente a equipa costuma partir de um 4x2x3x1, onde existem variações basicamente de acordo com seus jogadores de meio e ataque. Pode haver a descida de um médio defensivo para agregar em 1ª ou 2ª fase de construção entre os centrais, de modo a já criar uma situação de superioridade numérica nesta etapa de jogo. Outros movimentos estão intimamente ligados com a natureza de alguns jogadores do elenco gremista, como Matheus Henrique, Maicon e Jean Pyerre, que preferem estar em constante contato da bola para ser diferenciais técnicos em organização ofensiva. Desse modo, há deslocamentos coordenados entre os médios para que, quando juntam-se próximos aos centrais 2 meio-campistas, sempre tenha um companheiro adiantado entrelinhas para ser opção de passe.

Existem também ações intercaladas entre laterais e extremos para, além de garantir amplitude e profundidade exterior, também serem agressivos em ataques a última linha de defesa e gerar superioridades numéricas em movimentações para zonas interiores. Ferreira, por exemplo, tem estado em evidência nesse começo de trabalho do novo treinador por estar conseguindo ser ativado constantemente em progressão com bola logo nos espaços entre médios, laterais e centrais rivais, estando com liberdade para movimentar-se e partir em direção a meta rival com dribles em velocidade.

Além disso, o trabalho dos médios em juntar passes e progredir de forma conjunta também consegue ser potencializado pela junção de Diego Souza em apoios e pivôs frontais que possibilitem triangulações internas e criação de espaços para serem explorados. A verticalidade desses passes é crucial para que sejam eliminadas as tentativas de pressões adversária e o encontro dos homens de frente em condições de desequilíbrio. Assim novos estímulos são observados para que a circulação da posse entre os corredores seja mais rápida e que os médios sejam também opções em infiltrações na área de remate.

Início consistente e futuro promissor

É verdade que são poucas partidas e Tiago Nunes ainda terá maiores desafios adiante em sua jornada como treinador do Grêmio e ainda existe uma margem de evolução gigantesca em sua equipa (questões de bolas paradas, por exemplo, ainda estão sofrendo alguns desacertos), mas o começo consistente e alicerçado em alguns princípios que devem ser chave do modelo de jogo do treinador apontam para um futuro que promete e empolga, até pelo fato de qual patamar o tricolor conseguirá atingir com a provável chegada de Douglas Costa ao elenco.



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