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Com ou sem surpresa, o Everton está a ter um arranque brilhante nesta edição da Premier League. A equipa comandada por Carlo Ancelotti fez contratações cirúrgicas que, juntamente com as ideias do técnico italiano, estão a resultar em vitórias, muitos golos e em qualidade exibicional.

Os Toffees são a equipa com menos xG contra (quase 3) na Premier League e o melhor ataque com 14 golos.

XI Base e Contratações

O Everton atua num simples 4-3-3. Este é o onze que Ancelotti tem usado no começo da temporada, apesar de haver nomes como Sigurdsson, Tom Davies, Iwobi e Bernard que são opções no decorrer do jogo.

Este é um 4-3-3 que tem dinâmicas variadas consoante o momento do jogo e aquilo que o jogo pede (ideia do jogo como modelo).

Momento ofensivo

Apesar de passar grande parte do jogo em ataque posicional, o Everton não é uma equipa com uma organização ofensiva muito rígida. Ancelotti sabe que tem criativos e jogadores com inteligência acima da média, logo dá-lhes liberdade para se movimentarem.

Allan é sempre o médio mais recuado, funcionando como âncora para dar equilíbrio defensivo neste momento do jogo. André Gomes joga um pouco mais à frente do brasileiro e serve sobretudo como apoio para os alas, extremos e até avançados. Doucouré é o homem com mais liberdade no meio campo. É um autêntico box-to-box que tanto pode abrir na direita, como aparecer como nº10 ou funcionar como construtor recuado.

James Rodríguez parte sempre da direita, mas nunca é um extremo. Para fazer uso do seu pé esquerdo, está sempre de frente para o seu meio campo e procura muitas vezes os corredores centrais e interiores, assim como pode recuar para facilitar na fase criação ou até aparecer na esquerda. Quando joga no corredor interior é quando pode ser mais perigoso, visto que explora bem o half-space. Por estes motivos, Coleman funciona como um autêntico extremo, jogando muito tempo bastante subido.

Richarlison tem mais veia de avançado e por isso também joga mais por dentro, mas com funções de mexer com a defesa contrária e procurar o golo (ao contrário de James, jogador mais de último passe). É frequente vê-lo a explorar o half-space com Digne a extremo para procurar o cruzamento. O brasileiro também pode formar uma espécie de dupla de avançados com Calvert-Lewin.

Ancelotti pede ao avançado inglês que seja um puro finalizador. Trabalhar bem na área e saber como explorar e quando atacar a zona de finalização são as melhores qualidades de Calvert-Lewin.

Neste exemplo podemos ver Doucouré a construir desde uma posição mais recuada, enquanto James e Richarlison jogam os dois no half-space aproveitando a largura que Coleman e Digne estão a dar. André Gomes e Allan funcionam assim como médios de cobertura.

Nas laterais, os alas e extremos combinam bem. No primeiro exemplo podemos ver que Digne (capacidade para fazer under/overlaps com qualidade) está como extremo após troca com Richarlison. Por norma um médio vai cobrir o corredor exterior, neste caso é André Gomes

Na direita vemos James a mostrar o vagabundo que é, assim como Coleman na direita. Mina sobe para fazer marcação direta ao adversário, mas Doucouré está sempre perto da ação visto que estes três combinam com muita qualidade na lateral. Vejamos também o vídeo como exemplo disso mesmo.

No processo ofensivo do Everton, James é dos jogadores mais importantes. É aquele que tem mais qualidade no último passe, mas também o mais inteligente para combinações e mais fácil de criar dinâmicas com. Neste vídeo, vemos que James toca por dentro e que Digne faz um underlap a Richarlison. André Gomes é o apoio que permite esta circulação dinâmica, enquanto que no fim, James é responsável pelo último passe, procurando o finalizador Calvert-Lewin.

Neste exemplo assim que a bola entra em James vemos que André Gomes capta as atenções dos defesas fazendo um movimento de aproximação ao colombiano. Assim permite que Richarlison faça uma desmarcação e consiga assistir Calvert-Lewin.

No momento de transição ofensiva vemos que o Everton procura explorar a velocidade dos homens da frente, aproveitando a qualidade de passe dos seus médios. Passes progressivos ou diretos e construção rápida, são as armas de Ancelotti para chegar ao golo.

Uma das rotinas ofensivas do Everton é procurar atrair o bloco adversário para a direita, criando espaço no corredor esquerdo. Assim que isto acontece, James Rodríguez consegue colocar passes teleguiados e descobrir Digne ou Richarlison com espaço e tempo para decidirem. O brasileiro desequilibra com o drible, enquanto o francês consegue tirar cruzamentos para Calvert-Lewin, Doucouré ou até James.

Na primeira fase de construção o Everton privilegia uma construção curta e apoiada e tem qualidade a sair de pressão.

Momento defensivo

O Everton não é uma equipa que passa muito tempo em organização defensiva. O grande destaque neste momento do jogo é a pressão intensa que aplicam, sobretudo ao portador. No entanto, há algumas variantes quando os Toffees têm de se organizar defensivamente.

Podem formar um 4-5-1, sempre com o portador da bola e o possível recetor como referências de pressão. Como vemos neste exemplo, Sigurdsson pressiona o portador enquanto Davies já tem o possível recetor debaixo de olho e inicia imediatamente a pressão assim que a bola é passada para ele.

Mais um exemplo de um 4-5-1 (James está na direita), mas desta vez Davies está mais solto e atento a cobrir os espaços defensivos, enquanto Sigurdsson e Doucouré têm referências de marcação diretas.

A forma como Ancelotti pede que os seus jogadores pressionem é simples: o portador tem de estar sempre com um homem em cima e o segundo defesa tem de estar atento ao possível recetor. Quando o adversário circula a bola na sua defesa a pressão é baixa, mas quando a bola entra nos médios, a pressão já passa a ser alta e intensa.

Bolas paradas

Nas bolas paradas ofensivas, jogadores como Keane, Mina, Doucouré, Calvert-Lewin e Richarlison destacam-se pela qualidade das suas movimentações e poderio aéreo. São sempre bem servidos, visto que o Everton tem como batedores James Rodríguez, Digne, Sigurdsson, entre outros.

Nas defensivas, o poderio aéreo mantém-se, assim como a qualidade nas marcações e na cobertura de espaços. A forma como conseguem subir o bloco caso a bola parada seja batida à maneira curta, não deixa o adversário conseguir chegar perto da baliza.

Figuras

Dominic Calvert-Lewin

Sete golos em apenas cinco jogos de Premier League. O começo de época de Calvert-Lewin não podia estar a ser melhor. O avançado é um autêntico finalizador, em quem Ancelotti incentiva a explorar os espaços da área e a saber movimentar-se para chegar a zona de finalização antes de qualquer defesa. É rápido e inteligente e tem tudo para ser um dos melhores marcadores da liga.

James Rodríguez

James e Ancelotti são uma das histórias de amor mais bonitas do futebol. Sempre que o colombiano encontra o italiano, o desempenho de ambos melhora significativamente. É o cérebro ofensivo do Everton e espalha magia com o pé esquerdo. Influência direta em seis golos da equipa nos cinco jogos já realizados.

Allan-André Gomes-Doucouré

Allan e Doucouré foram contratações precisas e que se encaixam perfeitamente na ideia de jogo de Ancelotti. O brasileiro é o pilar defensivo que permite que a restante equipa tenha mais liberdade ofensiva. Por sua vez o francês é um box-to-box, inteligente taticamente e que impõe o físico nos momentos defensivos e ofensivos, com uma ótima progressão com bola. André Gomes não desilude e está a desempenhar o seu papel muito bem, naquilo que é a cobertura defensiva, pressão ao médio contrário e apoios ofensivos com chegada à área.

Futuro

O Everton tem tudo para continuar a surpreender e a marcar posição no top-4 da Premier League. Há qualidade de jogo, há um plantel com muitas soluções de qualidade que se encaixam nas ideias de jogo do treinador, isso é que é o principal. Ancelotti é um dos melhores do mundo, com experiência e conquistas ao mais alto nível. Com o conhecimento tático, capacidade de liderança e de gestão de balneário, o Everton tem tudo para terminar nos lugares de Liga dos Campeões.