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O primeiro passo de história – PAOK x SL Benfica

O SL Benfica estreou-se esta quarta-feira na UEFA Women’s Champions League e conquistou a primeira vitória de sempre na competição. As encarnadas foram à Grécia vencer o PAOK por 1-3 e apuraram-se para a segunda eliminatória da prova.

A equipa encarnada iniciou o encontro num 4x4x2, com um losango na zona central e uma dupla atacante composta por Cloé Lacasse e Nycole. A canadiana conferiu maior mobilidade à dupla, enquanto a canarinha se assumiu mais como uma referência em zona central. As gregas, por outro lado, apresentaram-se num 4x3x3.

A superioridade numérica na zona central (4 vs 3) foi importante para o SL Benfica dominar a batalha a meio-campo. O facto de possuir uma unidade a mais do que as helénicas nessa zona permitiu à equipa lisboeta, por exemplo, descobrir Ana Vitória no espaço entre linhas, livre de marcação, em inúmeras ocasiões.

Com uma defesa alta, a equipa portuguesa dificultou muito a saída de bola ao PAOK e obrigou quase sempre a equipa grega a jogar direto, o que resultou grande parte das vezes em bolas despejadas para terra de ninguém e onde Carole Costa e Sílvia Rebelo puderam recolher o esférico e iniciar um novo ataque.

O primeiro golo nasce de uma recuperação de bola dentro do meio-campo adversário, fruto da pressão alta imposta pelo SL Benfica. A mobilidade de Cloé Lacasse, que fugiu muitas vezes para o flanco esquerdo, serviu depois de chave para desbloquear o nulo. A canadiana rompeu pela esquerda, ganhou a linha de fundo – um movimento muito caraterístico de Cloé – e cruzou atrasado para o remate de Nycole, defendido pela guardiã contrária e de seguida emendado por Ana Vitória para a baliza.

O segundo golo surge de uma boa jogada de uma paciente equipa encarnada. Numa primeira fase, o SL Benfica leva o PAOK a bascular para o lado esquerdo – da perspetiva de quem defende – e opta depois por rodar o centro de jogo através das defesas centrais. Nesta altura a equipa grega já está “desencaixada” da equipa encarnada em termos defensivos e Christy Ucheibe, apercebendo-se do espaço, procura as costas da interior grega, onde vai receber a bola de Carole Costa. A partir daí, a nigeriana só teve de rodar e colocar a bola entre defesa central e lateral contrária, a explorar a diagonal da esquerda para o centro de Cloé Lacasse, que finalizou com qualidade.

O golo grego surgiu numa fase ainda precoce da segunda parte e relançou de certa forma o encontro. Poderia ter sido assinalada uma falta sobre Cloé Lacasse no início do lance, mas a juíza da partida optou por deixar jogar e Christy Ucheibe, que procurava apoiar as colegas do lado esquerdo, acaba traída por um ressalto que leva a bola a sobrar, em zona central, para Thomai Vardali. A grega assinou um grande golo, sem hipótese de defesa para Carolina Vilão.

O golo sofrido podia, de certa forma, fazer tremer o SL Benfica. Contudo, a equipa de Luís Andrade manteve os índices de concentração elevados e a resposta não podia ser melhor, com o 1-3 a surgir quatro minutos depois. A jogada é iniciada e finalizada por Catarina Amado, que arrancou da direita para o centro e, quando Nycole não lhe devolveu o esférico para completar a tabela, teve a inteligência tática e velocidade de pensamento necessários para se aperceber do espaço que a avançada brasileira criou nas suas costas ao recuar para receber o passe, atraindo a marcação da defesa central. Catarina Amado continuou o movimento e surgiu sozinha em zona de finalização, ainda que o cruzamento de Cloé Lacasse não lhe tenha chegado à primeira tentativa e tenha tido depois alguma sorte no facto da bola sobrar para o remate.

Em suma, o SL Benfica nunca pareceu estar em reais dificuldades perante o PAOK. A equipa encarnada apareceu na Grécia com a lição bem estudada, impôs o ritmo que quis no encontro e controlou tranquilamente um adversário que só num lance isolado conseguiu chegar ao golo, fruto de um ressalto fortuito e, depois, da inspiração de Vardali.