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Pressão e intensidade: as ações que deram o tom do empate

Um jogaço no Beira-Rio. Internacional e Flamengo justificaram a briga acirrada pela liderança do Brasileirão. Quatro gols, dez cartões amarelos, bolas na trave e equilíbrio que reflete a tabela. Os cariocas buscaram o empate por 2 a 2 já nos acréscimos, e os gaúchos seguem em primeiro pelos critérios de desempate. Abel Hernández e Galhardo fizeram para o Colorado, Pedro e Everton Ribeiro igualaram. 

Inicialmente Inter gera sua costumeira pressão na saída de bola adversária, com um bloco de marcação alto, na tentativa de induzir o Flamengo a realizar lançamentos longos e recuperar a segunda bola e apostar em transições pelo corredor direito de ataque, tendo Heitor como catalisador de cruzamentos para o aproveitamento em finalização de Thiago Galhardo e Abel Hernandez. 

Com esta ação o time colorado conseguiu abrir o placar já nos minutos iniciais, com Patrick ao pressionar Isla, recuperando a posse e com um cruzamento rasteiro encontra Abel em infiltração para finalizar. 

O contra veneno do Flamengo foi utilizar a mesma ação contra a saída de jogo colorada e dificultar a saída adversária. Desta forma gerou a mesma pressão e empatou a partida logo após sofrer o gol, pelos pés de Pedro, um dos destaques do time rubro-negro. 

A partida então se desenhou com o Flamengo com maior posse, ao realizar maiores situações de quebra dos encaixes de marcação do Inter, principalmente com a mobilidade de Vitinho e Everton Ribeiro, que transformaram o lado direito como setor forte de construção de jogo.  
Já Vitinho encontrava espaços à frente da área pelos espaços que Rodrigo Lindoso cedia ao gerar coberturas, mas mesmo ao ceder espaços ao adversário Inter não abdicou de gerar pressão alta na saída, sendo coordenada por Patrick, que é o jogador que melhor demonstra a ideia de jogo de Eduardo Coudet dentro de campo. Assim o Inter ampliou o placar, com falha de Gustavo Henrique, aproveitada por Thiago Galhardo. 

Grande trabalho do Inter sem bola diante do Flamengo. Pressão e intensidade como soluções para atacar. Finalizou 8 vezes mesmo com só 33% de posse, tendo Patrick com 10 ações sem bola bem sucedidas. Uma máquina de fazer pressão. Flamengo distante do seu melhor jogo, na primeira etapa. 

Além da pressão, Inter conseguia gerar quebra de marcação da linha defensiva do Flamengo, com as movimentações da dupla de atacantes Thiago Galhardo e Abel Hernandez, que demonstrava muita convergência de movimentos, mudança de funções ofensivas, ao desestabilizar seus marcadores, na busca por gerar espaços para a chegada dos companheiros da linha de três meias. 

Inter mantém o 4-1-3-2 de sempre, com Marcos Guilherme ao lado de Edenilson e Patrick, atrás de Abel-Galhardo. Dome apostou em Gerson na esquerda, com Vitinho por dentro atrás de Pedro. Éverton Ribeiro completa a linha de armadores do 4-2-3-1. 

No início da segunda etapa, Dome mudou na volta do intervalo, ao posicionar Gerson pelo meio junto a Arão e Thiago Maia, por dentro, de frente pro jogo. Vitinho ficou com a missão de abrir o campo agora, pelo lado esquerdo. Com a mudança o Flamengo se postou mais avançado, ao ocupar a zona da entrelinha com mais jogadores, sendo mais agressivo no ataque. Já o Inter realizou uma marcação de bloco médio, com algumas perseguições na saída. Mesmo com um cuidado maior ao fechar espaços, voltou a ceder zonas de progressão no entrelinhas, muito bem exploradas pelo Flamengo, principalmente por Pedro, que descia para o setor e desestabilizava a linha de marcação dos centrais, gerava apoios aos companheiros e também buscava realizar pivôs com ótima qualidade no domínio. 

Ao perceber estas questões Coudet colocou em campo Rodrigo Dourado, para aumentar a proteção à frente da área e Andrés D’Alessandro na tentativa de reter mais a posse de bola em campo ofensivo, mas pouco foi efetivo em realizar a ação. Tendo ainda dificuldades em conter o Flamengo, Coudet lançou em campo Damian Musto, no lugar do volante Rodrigo Lindoso, para continuar com a proteção a frente da área com dois médios defensivos, Moisés no lugar de Uendel cansado e William Pottker como opção de saída em velocidade de contra-golpes.

Com as alterações realizadas pelo mandante, Dome buscou aumentar o poderio ofensivo com as entradas de Lincoln e Michael. Assim o Flamengo foi mais agressivo pelos corredores e em com um cruzamento de Gerson da intermediária, que encontrou Everton Ribeiro em infiltração para marcar o gol de empate que selou o placar de um espetacular duelo no estádio Beira-Rio.