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Quem ocupa a vaga de João Mário?

A saída de João Mário para o Benfica foi uma das surpresas do mercado de 2021. Campeão em Alvalade, o internacional português muda-se poucos quilómetros para oeste, voltando a ser orientado por Jorge Jesus, treinador com quem se havia cruzado nos leões em 2015/2016.

Para Rúben Amorim, não é tempo de se agarrar a lamentos, e a próxima época tem de ser pensada com base nas soluções existentes.

Neste artigo pretende-se dar resposta a uma dúvida levantada no seio sportinguista. Quem vai ocupar a vaga deixada por João Mário?

Fundamentação

A análise está divida em 4 momentos:

  • Interpretação do modelo geral de Rúben amorim e das funções pretendidas para a posição ‘8’ independentemente do jogador que a ocupe,
  • O que diz o cruzamento dos dados estatísticos dos quatro jogadores, em momento ofensivo e defensivo,
  • O papel de João Mário na posição e as características de Daniel Bragança, Matheus Nunes, Bruno Tabata e Manuel Ugarte que os aproximam/distanciam de um lugar ao lado de João Palhinha,
  • Conclusões gerais sobre cada jogador e como o modelo se pode adaptar em função da valia/modelo do adversário.

O modelo de Rúben Amorim – o que se espera do ‘8’

Momento ofensivo

1.1 Médios lado a lado

No 3x4x3 de Amorim, os médios jogam muitas vezes lado a lado. Sobretudo em primeira fase de construção, é habitual vê-los atrás da linha dos avançados, sem ferir a estrutura adversária (linha média + defensiva). Este é um dos princípios base do modelo de jogo.

Com João Mário em campo este equilíbrio ofensivo acenta-se, dada a pouca predesposição do médio em receber dentro do bloco adversário, o que o obrigaria a jogar de costas, momento do jogo em que não se sente tão confortável.

1.2 Um dos médios entrelinhas

A espaços, e contra adversários mais fechados, houve uma introdução de um dos médios dentro da estrutura adversária. Isto ocorreu sobretudo no momento de construção em meio-campo ofensivo, e Rúben teve de optar por colocar no 11 jogadores com as características necessárias para o fazer. Nesse capítulo (e já vamos perceber mais à frente) Daniel Bragança foi quase sempre o escolhido.

1.3 A coordenação com os extremos e o ataque à profundidade

Outro dos requisitos pedido ao ‘8’ é a capacidade de coordenação com os extremos. A importância da realização de movimentos contrários (aproximação vs rotura) e o ataque da profundidade através do espaço entre defesa central e o defesa lateral desse mesmo lado. Este capítulo foi fundamental para desmontar a estrutura adversária e criar oportunidades de golo.

Infelizmente para Rúben Amorim, nenhum dos médios presentes no plantel em 20/21 (João Mário, Bragança e Matheus) conseguiu desempenhar os três momentos na perfeição, acabando por ter o treinador de interpretar o melhor para a equipa em cada jogo ou momento dele.

Momento defensivo

Em momento defensivo, a equipa pareceu imune à alteração do parceiro de João Palhinha, perdendo pouca qualidade independentemente da solução apresentada. A estrutura oleada e equilibrada dos leões, acabou por disfarçar qualquer lacuna individual dos médios, ou de qualquer jogador do plantel.

Garantindo equilíbrios em corredor central, aos médios era pedido que se aproximassem da zona da bola. Se esta caísse em corredor lateral, o médio desse lado aproximava ao lateral (para impedir superioridade numérica) e o outro dava cobertura em corredor central. Em caso de variação rápida para o lado contrário, o médio que antes caía em corredor lateral, dava a cobertura em corredor central, e vice-versa.

Analisado o coletivo, é tempo de conhecer os jogadores na linha de sucessão do campeão europeu

O perfil de João Mário, e dos candidatos

  • Todos os dados estatísticos dizem respeito a jogos enquanto médio. Foram desconsideradas as participações de Bragança no papel de ‘extremo’, bem como as de Matheus Nunes como ala. Bruno Tabata não foi considerado por não existir uma amostra estatística considerável (apenas 1 jogo) na posição de Médio Centro.
  • Recorrendo apenas aos dados, Daniel Bragança estaria na pole-position para ocupar a vaga. Maior acerto no passe e maior eficácia no controlo da posse de bola, traduzido num baixo número de perdas de bola (só superado por Ugarte neste aspecto). O internacional sub-21 é ainda o jogador com maior número de duelos defensivos ganhos por 90m, o que se traduz na importância de não confundir a compleição física com a capacidade física de um jogador.
  • De realçar a capacidade de Matheus em condução, reforçada na quantidade de dribles efetuados por 90/m, quase o dobro de todos os restantes.
  • Já Ugarte apresenta piores índices ofensivos, nomeadamente nos passes-chave e nos dribles efetuados por 90m.

A estatística revela que Bragança é o mais próximo de João Mário, mas em campo há algumas nuances em que os dois diferem bastante, sobretudo a nível de posicionamento.

João Mário

  • O novo jogador do Benfica tem como maior arma a fiabilidade que empresta a qualquer meio-campo. Não sendo um jogador que fere o adversário através do drible, remate ou passe vertical, tem o condão de facilitar o jogo e promover uma rápida circulação de bola, tão importante para o desmontar da defensiva adversária.
  • A sua qualidade técnica vai ser difícil de substituir, e o equilíbrio que garantia ao meio-campo também. Ainda assim, ofensivamente, o Sporting pode explorar novas opções, bem como ferir o adversário de novas formas.
Na animação, siga-se o ’17’ para se perceber o que João Mário dá à equipa, mas a sua relutância em entrar na estrutura adversária sem bola

Daniel Bragança

  • De todos, tem a maior capacidade para se imiscuir no bloco adversário. Tem uma visão de jogo extraordinária e uma capacidade com o pé esquerdo de desequilibrar, seja através do passe ou do remate.
  • Defensivamente é um jogador com uma disponibilidade física interessante (manifestado no número de duelos ganhos) emprestando muita seriedade e compromisso a este momento do jogo.
  • Ao contrário de João Mário, não joga em linha com Palhinha, ocupando terrenos mais adiantados, normalmente no espaço entrelinhas, obrigando-o a jogar mais vezes de costas para a baliza adversária.
  • Por jogar mais adiantado, é mais um homem a atacar e a pressionar alto. Porém, se a primeira linha for quebrada, é obrigado a piques de velocidade para recuperar bolas, não estando a equipa tão bem equilibrada como quando está João Mário em campo.
Para fazer a ponte entre Bragança e Tabata, perceba-se o que os dois podem acrescentar no momento de criação, e como o seu posicionamento difere face ao novo jogador do Benfica (Seguir o ‘7’)

Bruno Tabata

  • Muitas dúvidas em torno do brasileiro. As primeiras indicações foram boas, mas há ainda muito para compreender na dinâmica de Tabata a ‘8’.
  • À primeira vista, parece ser o jogador que casa melhor as 3 tarefas ofensivas presentes na ideia de jogo: a coordenação com o extremo, a ocupação do espaço entrelinhas e a capacidade de construir lado a lado com João Palhinha. Apesar de só haver um jogo para a amostra, as indicações são extremamente positivas.
  • Qualidade técnica, no passe, e muita disponibilidade, são valias que para extremo não eram suficientes, mas que podem ser determinantes em corredor central.

Para conhecer o brasileiro na perfeição, deixo aqui o artigo que escrevi ainda esta semana sobre a prestação frente ao Belenenses e o que pode acrescentar face à concorrência.

Matheus Nunes

  • O mais rápido de todos os jogadores desta lista, e por isso foi também muito aproveitado na ala na última época.
  • É também o mais vertical e o que procura mais vezes a profundidade sem bola no espaço entre central e lateral adversário, coordenando-se bem com o extremo, algo que João Mário ou Bragança não fazem tão bem.
  • Gosta de conduzir a bola, e neste meio-campo a 2, em que é mais importante a circulação rápida da bola em poucos toques, tem de mudar algo no seu jogo para ser aposta clara de Rúben Amorim no miolo.
  • O seu posicionamento defensivo é outro aspecto a melhorar, e neste momento, seria jogador para terrenos mais laterais, onde a condução não só é permitida, como encorajada neste modelo de Rúben Amorim.

Ugarte

  • A última possibilidade para a sucessão vem de Famalicão. Não estando ainda fechado um eventual negócio, todo este exercício é meramente especulativo. Ainda assim, e como este tem sido um nome associado ao Sporting, importa perceber se seria a escolha indicada para a posição deixada em aberto.
  • Ugarte é um jogador que gosta de conduzir a bola, algo que pode ser interessante em alguns momentos, mas não primordial para um encaixe perfeito no sistema. Ainda assim, é de relevar a sua capacidade em manter a bola (de todos os candidatos é o que menos bolas perde por 90m) facto que deve ser exultado sobretudo pelo contexto em que se inseriu na última metade da época passada.
  • Defensivamente é muito capaz, estando sempre atento a equilíbrios ofensivos e ao posicionamento dos companheiros de equipa.

Conclusão

Diferentes soluções para diferentes momentos. Numa análise conclusiva, Tabata parece ser o jogador mais capaz de oferecer mais e diferentes soluções no plano ofensivo, mas ainda é demasiado cedo para se concluir algo definitivo. A sua prestação defensiva é outra conclusão por se tirar, algo que chegará na altura de duelos mais difíceis.

Daniel Bragança parece uma opção muito válida para equipas que joguem em bloco baixo. A sua capacidade de se intrometer no espaço entre os defesas e os médios pode ser uma mais-valia contra adversários mais fechados. A sua meia-distância também é um fator a ter em conta na interpretação do seu posicionamento.

Ugarte (que pode nem chegar) e Matheus Nunes, correm um pouco por fora, sendo que o médio luso-brasileiro pode saltar do banco e funcionar como um abre-latas através da capacidade de provocação através do drible. Em jogos a precisar de um abanão, o médio é o candidato ideal. A sua frieza em momentos-chave (importância dos golos na temporada passada), pode também ser um fator a acrescentar à sua candidatura ao lugar.

Ainda assim, no jogo frente ao Sp.Braga, a contar para a supertaça, Tabata e Bragança parecem os mais próximos de emparelhar com João Palhinha, dono e senhor da posição, e também do meio-campo leonino



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