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[:pt]A 3ª jornada do grupo E da Liga dos Campeões obriga o SL Benfica a visitar um dos palcos míticos do futebol europeu e mundial: a Arena de Amesterdão. Ou, como recentemente rebaptizada, a Arena Johan Cruyff.

Pela frente, os encarnados terão o Ajax, vice-campeão holandês, que, neste momento, ocupa o 2º lugar da Eredivisie (liga holandesa), a 5 pontos do PSV, e é o actual líder do grupo da Champions, com 4 pontos (fruto de uma vitória caseira por 3-0 sobre o AEK e de um empate, na Baviera, diante do Bayern de Munique). Será o 19º jogo da época para os holandeses.

Tendo em conta o momento actual da turma de Amesterdão, Ten Hag deverá escalar o seguinte onze:

Andre Onana (#24) – Guarda-redes de grandes reflexos e enorme capacidade de reacção, brilhando invariavelmente com defesas junto ao chão (utiliza muito bem os membros nesta dimensão). Pela qualidade que tem com os pés, é o primeiro construtor de jogo da equipa.

Noussair Mazraoui (#12) – Possivelmente o jogador menos dotado tecnicamente. Fisicamente imponente e explosivo, incorpora-se bem no movimento ofensivo, com grande capacidade para chegar à linha de fundo.

Matthijs de Ligt (#4) – 19 anos mas já capitão de equipa, é uma das jóias da coroa. Pelo seu perfil técnico e excelente tomada de decisão, honra a escola holandesa. Isso não desmerece a sua outra faceta: é duríssimo nos duelos e imponente pelo ar.

Daley Blind (#17) – Regressou a casa para se estabelecer como umas pedras basilares. Já actuou como defesa esquerdo e no meio-campo, mas deverá ser titular no eixo central defensivo. Tranquilo, sereno, com capacidade para sair a jogar, por vezes falha no posicionamento e marcação, abrindo espaços.

Nicolás Tagliafico (#31) – Muito inteligente, assertivo, fiável e seguro. É um lateral esquerdo que percebe os momentos de jogo, que se associa bem no momento ofensivo e soma já 2 golos nesta Champions. No 1×1 defensivo apresenta lacunas.

Lasse Schöne (#20) – Um dos elementos do duplo pivot. Jogador de processos simples, com capacidade de passe e visão de jogo e um pontapé-canhão. Algo lento na rotação sobre si mesmo, não é o típico nº 6 de índole defensiva.

Frenkie de Jong (#21) – Já aqui analisado. A placa giratória do meio-campo e o abastecedor do jogo da equipa. Tecnicamente evoluidíssimo, muito inteligente e criativo nas suas acções, tremendamente capaz no passe e em drible. Deixa algo a desejar em termos de posicionamento e evita os duelos aéreos.

Dusan Tadic (#10) – Actuando ora pelo centro ora mais pela esquerda, é um jogador tremendamente completo. Percebe os momentos em que pode arriscar individualmente ou resguarda-se e espera pela equipa. Aparece em zonas de finalização.

David Neres (#7) – Ainda olha muito para o jogo do ponto de vista individual mas o seu lado repentista e a qualidade técnica de que dispõe dão-lhe grande vantagem sempre que assume o 1×1. Tem jogado mais pelo corredor central mas é nas faixas que pode fazer verdadeiramente a diferença.

Hakim Ziyech (#22) – Também já aqui analisado. O elemento diferenciador da equipa. Tem actuado sobretudo pelo lado direito mas o movimento típico é a busca pelo espaço interior – é aí que faz a diferença através de drible, passe ou com a sua imensa facilidade de disparo.

Kasper Dolberg (#25) – Deverá ser o elemento mais avançado da equipa, ele que vem de três jogos consecutivos a marcar depois de uma paragem por lesão. Avançado elegante e completo, que consegue segurar e utilizar o corpo para reter a bola, mas que tem também capacidade para jogar na profundidade, fazendo uso da sua mobilidade.

ORGANIZAÇÃO OFENSIVA

Do ponto de vista estrutural, o Ajax é uma equipa que se monta próximo de um 4-2-3-1, dando liberdade aos laterais para se incorporarem no processo ofensivo e chamando muitas vezes os falsos extremos (Ziyech, Tadic e/ou Neres) para zonas interiores, promovendo inúmeras trocas posicionais no último terço do terreno e um jogo fluído e imprevisível.

Aproveitando a grande capacidade técnica de todas as suas individualidades, o Ajax tenta sair a jogar de forma pausada e apoiada desde trás, ainda que o adversário exerça uma pressão média-alta. Onana, Blind e De Ligt têm boa relação com a bola e conseguem ligar com o resto da equipa, ainda que não seja raro ver De Jong (principalmente) ou Schöne recuar para dar mais uma hipótese de saída e maior conforto neste momento. Onana tem ainda um jogo de pés suficientemente bom para, em momentos de maior aperto, colocar directamente nos laterais, saltando o pressing adversário.

Se não pegar desde logo atrás, De Jong tem um papel fundamental num momento posterior, imprimindo verticalidade ao jogo do Ajax, ora pela sua capacidade de progressão com bola ora pela forma como é capaz de passar a bola ultrapassando linhas adversárias. Esta é, aliás, uma das grandes mais-valias deste Ajax: a habilidade para chamar o adversário, provocando-o, com o intuito de gerar espaços nas costas dos médios contrários – De Jong é brilhante neste ponto, mas Schöne, ainda que com um jogo mais lateralizado, também é capaz de o fazer através do passe.

Pela imprevisibilidade, repentismo, qualidade no drible e tomada de decisão e poder de fogo no remate, o Ajax é uma equipa a temer no último terço do terreno, na fase de criação. É neste momento que emerge a dupla Ziyech-Tadic, que, sem lugares fixos, combinam muito bem entre si, complementam os movimentos um do outro, sendo qualquer um deles capaz de jogar ora mais pelos corredores ora em pleno bloco adversário. Em combinação ou em iniciativa individual, têm total capacidade para desequilibrar. Como auxílio, pela esquerda surge o lateral Tagliafico, muito inteligente e fiável no passe, promovendo as combinações por esse corredor (do outro lado Mazraoui é mais potente e explosivo, mas menos capaz de se associar colectivamente e por isso menos solicitado).

Caso a titularidade recaia em Neres, este será mais um elemento para, fruto da sua tremenda habilidade técnica, promover desestabilização na organização do Benfica; se a opção passar por Van de Beek, este trata-se de um médio mais puro, capaz de dar outra coesão ao miolo do terreno (ainda que com uma assinalável capacidade para chegar às zonas de finalização) mas, tendencialmente, prenderá muito mais Ziyech e Tadic às bandas laterais.

A regressar de lesão, o jovem Dolberg ainda procura atingir o nível que já foi capaz de exibir em momentos passados. Ainda assim, caso seja titular, garante outra mobilidade e capacidade para explorar a profundidade (além de todos os recursos técnicos de que dispõe) que a velha raposa Huntelaar (fortíssimo em termos posicionais e em percepcionar onde “a bola vai cair”) hoje já não apresenta.

 

TRANSIÇÃO OFENSIVA

Não existe um claro padrão na equipa do Ajax no que diz respeito ao momento posterior à recuperação da bola. A maturidade que revela na tomada de decisão é assinalável e há capacidade para perceber se o momento exige uma maior retenção ou a exploração do desequilíbrio do adversário (ainda assim, esta última é a opção mais comum, independentemente da zona do campo em que aconteça).

Neste sentido, se a recuperação é feita no meio-campo adversário (e o Ajax é uma equipa proactiva nesse sentido), a equipa de Amesterdão tem o ímpeto de agredir e aproveitar de imediato, sobretudo se houver oportunidade para activar Neres, Tadic ou Ziyech – velozes, imprevisíveis e fortíssimos no 1×1.

 

ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA

Tal como a imagem ilustra, o Ajax não muda a sua estrutura quando não tem a posse de bola – mantém-se predominantemente disposto num 4-2-3-1. A equipa procura condicionar o jogo do adversário com grande afinco, pressionando desde logo com as unidades mais avançadas (apesar do seu lado claramente técnico, Dolberg, Tadic ou Ziyech nunca se escusam desta missão).

Apesar de tentar manter os sectores próximos uns dos outros, quando o pressing colectivo é activado e o duplo pivot do meio-campo acompanha os movimentos das unidades mais ofensivas, nem sempre a linha mais recuada actua em coerência. Nesse momento, fica claro algum défice no que diz respeito às coberturas defensivas, além de uma nem sempre eficaz ligação entre os dois médios que constituem o duplo pivot, abrindo espaços nas suas costas – uma das possibilidades que o Benfica deve tentar explorar.

O Ajax é uma equipa que se defende bem em largura e tem capacidade para anular a profundidade do adversário, tendo em conta a velocidade dos seus elementos mais recuados e a leitura de jogo e rapidez na reacção de Onana. Ainda assim, Tagliafico e Mazraoui são laterais mais fortes do ponto de vista ofensivo do que defensivo, e Blind sente, por vezes, a necessidade de encostar no homem, abrindo espaços (algo que se viu no playoff de acesso à Champions, diante do Dínamo de Kiev). Por outro lado, De Ligt é muito forte nos duelos aéreos e em tudo o que envolva choque físico, sendo muito difícil de ultrapassar no 1×1.

 

TRANSIÇÃO DEFENSIVA

A ideia, por parte do Ajax, de querer sempre jogar e ser protagonista manifesta-se também neste momento. O instante posterior à perda de bola demonstra uma equipa ávida por a recuperar, com movimentos imediatos de encurtamento por parte de dois ou três elementos, sobretudo médios e avançados, sobre o portador da bola.

Caso essa concentração para recuperação não seja bem-sucedida, a ideia colectiva passa por recuar e organizar-se.

Por outro lado, este é o momento em que o Ajax sente maiores dificuldades, na medida em que, colocando tantos jogadores à frente da linha da bola e ‘aptos’ a receber, caso o adversário tenha a capacidade de sair a jogar e livrar-se da pressão dos comandados de Ten Hag, a ordem defensiva dificilmente é restabelecida. Algo que, por exemplo, o PSV explorou muitíssimo bem no clássico holandês (vitória por 3-0 dos homens de Eindhoven) com um jogo mais directo e profundo, tentando igualdades/superioridades numéricas nas imediações da área de um Ajax descompensado.

 

BOLAS PARADAS

Ofensivamente, ZIyech (pé esquerdo) e Schöne (pé direito) são os homens que habitualmente cobram as bolas paradas (cantos e livres) da equipa do Ajax, ficando Tadic (pé esquerdo) encarregue das grandes penalidades.

Ao nível dos cantos, o jogador-alvo é preferencialmente De Ligt, pela sua capacidade de impulsão e jogo aéreo, sendo ainda de destacar Huntelaar. Nota: Schöne tem capacidade para colocar a bola ao 2º poste, quer mais junta quer mais afastada da baliza, por forma a surpreender o adversário. Este dinamarquês é também detentor de um pontapé-canhão, sendo exímio na cobrança de livres directos (só a barra da baliza de Neuer impediu que o Ajax pudesse marcar em Munique desta forma nos últimos momentos do jogo).

 

Defensivamente, em cantos, a equipa prefere adoptar uma postura de marcação individual, sendo De Ligt, Blind e Huntelaar muito importantes neste momento, além da capacidade de reacção de Onana. A nível de livres, o Ajax procura definir uma linha de coordenação para posterior ataque à bola, não impondo uma marcação individual rígida – este comportamento traz, por vezes, alguma indefinição e gera alguns espaços.

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