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Regresso europeu – Rio de possibilidades

O duelo da passada quinta-feira a contar para a 2ª eliminatória da Liga Europa entre Rio Ave e o Borac Banja Luka marcou o regresso competitivo e europeu da equipa de Vila do Conde, bem como a estreia oficial do técnico Mário Silva no comando dos vila-condenses. Tivemos então a primeira oportunidade de dissecar o modelo de uma formação que teve um impacto positivo pelo que produziu internamente na época passada e que, pela amostra da estreia, demonstra já sinais muito interessantes para aquilo que se avizinha.

Jogo interior – Superioridades e dúvidas

A estrutura base do modelo em 1-4-2-3-1 rapidamente é enriquecida pelas dinâmicas e princípios:

  • Movimento em diagonal dos dois médios (Filipe Augusto e Tarantini) com incorporação de um deles no primeiro nível da construção, em regime 3+1 a partir de um 2+2.
  • Largura dos laterais, encarregues geralmente por todo o corredor, com os alas (Mané e Piazón) a procurarem espaços interiores (até para o médio-centro que não integrou a primeira linha ter opções de passe/dinâmicas de 3º homem para progressão), criando dúvidas na marcação do lateral, central e médio adversário do lado da bola .
  • Médio-ofensivo (Geraldes) livre, aproveitando a superioridade gerada pela presença dos colegas do corredor no meio e as dúvidas que os mesmos criam para se associar e procurar espaço nas costas da linha dos médios (e não tanto o ataque à profundidade em alternância com o avançado) para orientar de frente e criar.

Pressão alta – Afirmar uma intenção

Com intenção de impor a sua superioridade e instalar-se durante largos períodos em momento de organização ofensiva (onde é mais forte, relativamente ao momento de transição), a equipa de Mário Silva mais uma vez impõe os seus princípios, agora em momento defensivo:

  • Reação rápida à perda da bola no local com envolvimento de muitos elementos, limitação das linhas de passe de referência e bloco de pressão alto, com linhas organizadas e juntas.
  • Estrutura de pressão em 1-4-4-2, possibilidade de referências individuais para chegada na pressão.
  • Dupla de avançados em regime de pressão + cobertura na pressão à saída em 2+1 do Borac.

Ainda para mais num jogo com estas características (adversário a investir essencialmente no jogo de transições), estes princípios limitaram tanto o jogo em apoio frontal, tal como a procura da profundidade por parte dos bósnios em momento de transição ofensiva. Mesmo em bola descoberta, o posicionamento correto e boa orientação corporal da dupla de médios permitiu recuperar muitas bolas por interceção no momento de ligação vertical adversário.

Ser estratega – Mexer sem empobrecer

Com dificuldade em criar volume suficiente de jogo nos últimos metros para confirmar o controlo efetivo que estava a ter no jogo, interessante perceber algumas nuances de Mário Silva no segundo-tempo:

  • Construção assimétrica, Ivo Pinto a continuar a ocupar o corredor direito com Piazón dentro, mas do lado contrário passa a ser Matheus Reis a envolver-se mais por dentro (tanto a integrar a primeira linha de construção como já em fase de criação – variedade interessante do lateral) e Mané (mais forte no 1v1) a assumir a largura, forçando muitos duelos individuais com um lateral já amarelado.
  • Entrada de Gelson Dala por Geraldes. Partindo da mesma posição, o angolano revela uma postura mais agressiva no ataque aos espaços entre central-lateral (abertos pela largura dos alas) e central-central, em que a alternância de movimentos de rotura para apoio e de apoio para rutura com Bruno Moreira criam o desequilíbrio que gera o golo de Tarantini.