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River x Palmeiras: Abel com luz verde para a final

Na madrugada desta quarta-feira jogou-se o River Plate – Palmeiras, referente à primeira mão das meias-finais da Taça dos Libertadores, a maior prova de clubes da América do Sul.

O encontro teve um cariz especial por haver (pelo segundo ano consecutivo) um português ao leme de uma das equipas envolvidas. Na última edição, o Flamengo de Jorge Jesus venceu de forma muito suada este River de Gallardo na final e ergueu a taça, na primeira vez que um português o conseguiu.

Felizmente, não foi preciso esperar muito até que um nosso conterrâneo repetisse a proeza (leia-se estar em fases adiantadas da competição). Abel e o seu Palmeiras deslocaram-se até ao Monumental para defrontar o papão da prova e saíram de lá com pé e meio na final.

O River é das equipas mais consistentes desta Libertadores. Antes da final perdida no ano passado, venceu a edição de 2018 e desde 2016 que marcou sempre presença nas meias-finais, no mínimo. Um atestado de competência passado a Marcelo Gallardo e à sua equipa, que faz dos jogos em casa uma verdadeira missão para os adversários.

Por isso mesmo, foi com alguma surpresa que o 3×0 caiu na imprensa internacional. Quem viu o jogo percebeu a estratégia de ambos os treinadores, com mérito para Abel, que soube incutir a experiência necessária aos seus jogadores nos momentos decisivos.

O jogo começou de forma positiva para o River. Aos 5′ já podia estar a vencer fruto de duas boas oportunidades que criou, e foi aproveitando a entrada em falso dos brasileiros, que demoraram uns minutos até se organizarem coletivamente.

Ofensivamente, o River alternou entre o 2x5x3 e o 2x3x5 consoante a zona do campo que ocupava com bola em organização. Os laterais bem abertos deram o espaço necessário entre o central e lateral adversários para as roturas dos extremos.

Assim que o Palmeiras se organizou, não foram concedidas grandes oportunidades à equipa de Gallardo. Este lance (que exemplifica bem o que se passou durante grande parte do primeiro tempo) mostra o Palmeiras com uma linha defensiva composta por cinco homens, a linha média com quatro, e Luiz Adriano a funcionar como apoio frontal para tentativa de contra-ataque.

Apesar de ter mais bola, o River repartiu as oportunidades com o Palmeiras até surgir o primeiro golo, num minuto algo atípico do jogo.

Nos poucos momentos em que o Palmeiras consegue o controlo da bola, chega ao seu golo. Nota para o excelente trabalho de Luiz Adriano e de Roni, que se afastaram para baralhar os defesas e permitiram a Gabriel Menino que entrasse no espaço vazio e tirasse o cruzamento.

Regressados do intervalo, o Palmeiras capitalizou a transição rápida da melhor forma. Luiz Adriano a recuar para dar apoio frontal, e ao aperceber-se do posicionamento do defesa – excelente a utilização do corpo e dos braços para sentir o defesa– roda sobre Rojas e segue para a baliza, formalizando o 1×0 com relativa facilidade.

Momento capital do jogo, (o regresso dos balneários) e o Palmeiras dobrou a sua vantagem.

O 3-0 surgiu num esquema tático cobrado de forma superior. Os dois homens que se encontravam próximos à bola fingiram confundir-se apenas para fazer recuar a linha defensiva e colocar todos os seus jogadores em jogo. Assim, na altura do cruzamento de Scarpa, Vina saltou sozinho e fez o 3×0 para o seu coletivo.

Nota para a expulsão infantil de Carrascal, que deixou ficar mal a sua equipa num momento difícil, com a dupla penalização de da sua falta ter surgido o 3×0.

A partir daí, o Palmeiras geriu muito bem o jogo, e mesmo com menos um recolheu para impedir que o adversário sofresse golos. Afinal, marcar três no Monumental é obra, mas sair sem golos sofridos é ainda melhor.

Abel continuou fiel ao 5x4x1 em organização defensiva e deu-se bem, pois saiu do jogo com a baliza inviolada.

Grande vitória do Palmeiras e de Abel Ferreira que estão com um pé e meio na final da Libertadores. O River é uma equipa de quem se deve sempre desconfiar, mas o 3×0 é uma vantagem que permite ao técnico português encarar o jogo caseiro com outra tranquilidade.

A lição foi bem estudada pelo português, que se apresentou num bloco baixo para suprir as dificuldades causadas pelo ataque de Gallardo. Teve sorte em alguns momentos (faz parte) e conseguiu adiar o golo do adversário até que surgisse uma oportunidade para marcar o seu. A partir daí, o seu Palmeiras foi uma equipa com ADN vencedor, muito fria nos momentos-chave. Marcou no recomeço da partida, aproveitou da melhor forma a expulsão de Carrascal e soube gerir (mantendo-se fiel à ideia levada para a Argentina) a superioridade numérica até final.

Está de parabéns o Verdão!