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O Sporting Clube Farense está de regresso ao escalão máximo do futebol português. Embebido num espírito de garra, de paixão pelo clube, as gentes de Faro empurraram a equipa para o topo. Um São Luís vibrante, revestido de adeptos poderia ter sido o desfecho ideal para mais uma bonita história do futebol português, mas uma pandemia inesperada veio colocar um ponto final na epopeia de Sérgio Vieira.

Os Leões de Faro estiveram 22 das 24 jornadas disputadas em lugar de subida. No total, somaram 48 pontos dos 72 possíveis. Marcaram 35 golos, sendo o segundo melhor ataque (apenas atrás do Nacional da Madeira).

O Perfil do Treinador

Aos 37 anos, Sérgio Vieira já leva um vasto currículo, em Portugal e no Brasil. Ingressou no mundo do futebol profissional como observador na Naval e, no ano seguinte, na Académica de Coimbra com Manuel Machado e Domingos Paciência.

“Começar pela área da observação e análise, para mim, foi fundamental para perceber todos os processos que existem dentro do futebol”

In Scout Talks | Sérgio Vieira, da observação para o treino

Em 2015, embarcou numa viagem pela América do Sul. Ingressou como treinador dos sub-23 do Atlético Paranaense, terminando essa temporada como treinador principal da equipa ‘A’ do clube. Teve ainda passagens pelo Ferroviária, América Mineiro e São Bernardo antes de regressar ao futebol português. O regresso ao seu país deu-se pela mão do Moreirense. Uma época menos conseguida, levou o clube a abdicar das suas funções. No ano seguinte, assume o comando técnico do Famalicão e foi um dos obreiros da subida à 1ª Liga. Abandonou o clube à jornada 26 (a 8 do final do campeonato) com um registo de 14 vitórias, 6 empates e 6 derrotas, num total de 48 pontos que lhe garantiam o 2º lugar.

Nesta nova época, mereceu a confiança do SC Farense e voltou a fazer um trabalho digno de registo, ao levar a equipa do Algarve a uma histórica promoção ao escalão principal do futebol português.

XI Base

XI Base – Farense 2019/20

Este é o XI Base do Farense de Sérgio Vieira. Assente num 4x1x4x1, com algumas variâncias, nomeadamente a possibilidade de jogar com um duplo pivôt, em 4x2x3x1, ou de jogar com dois jogares na frente de ataque, em 4x4x2.

No lado direito da defesa, Matheus Silva (1517 minutos) e Miguel Bandarra (1049 minutos) foram alternando. No centro da defesa, Luís Rocha é o detentor do lugar, Rafael Vieira (17 titularidades) e Cássio Scheid (16 titularidades) foram alternando a titularidade.

Ryan Gauld, um dos elementos mais desequilibradores e criativos da equipa, mudou a sua posição no esquema tático de Sérgio Vieira com a saída de Mayambela em Janeiro. Inicialmente jogava ao lado de Fabrício Isidoro no meio campo, após a saída do extremo Mayambela para o Bnei Yehuda de Israel, passou a ocupar a posição de extremo, também motiado pela contratação de Jonatan Lucca ao Belenenses SAD, em Janeiro.

Organização Defensiva

No momento defensivo o Farense dispõem-se em campo num 4x1x2x3, num bloco médio alto. São uma equipa intensa e agressiva neste momento do jogo, clarificando a importância da reação à perda de bola e do pressing na equipa.

Tentam impedir a construção do adversário desde a 1ª fase. Pressionam alto, com duas linhas de pressão bem vincadas (vísivel no vídeo). Os extremos juntam-se ao ponta de lança para pressionar e são acompanhados pelos dois médios centro, obrigando, em diversas situações, o adversário a jogar um futebol mais direto, ou acabando por conduzir o adversário ao erro.

No momento da perda de bola, a equipa procura reagir rápido. Esse momento da reação rápida à perda é visível ao longo dos vários jogos. Perder, pressionar, recuperar. Este momento da reação à perda é fundamental para a estrutura da equipa. Uma equipa que jogue com um bloco médio-alto ficará em perigo se não conseguir impedir saídas rápidas do adversário. É isto que acontece neste Farense. Quando o adversário consegue ultrapassar a primeira e segunda linhas de pressão, ficam algo expostos. Nessa situação a equipa recua e fecha as linhas interiores, concentrando um número elevado de jogadores no corredor central.

Ações Defensivas – SC Farense 2019/20

Organização Ofensiva

No processo ofensivo, o Farense era das equipas mais temidas da 2ª Liga. 35 golos marcados fazem dos Leões de Faro o segundo melhor ataque do Campeonato.

Na 1ª Fase de construção, a equipa procura construir a três. Se não for pressionada, o médio defensivo (habitualmente Felipe Melo) baixa e encaixa no meio dos centrais, permitindo a subida dos laterais. Os laterais projetam-se bastante no ataque, dando profundidade à equipa. Com a subida dos laterias, os extremos procuram espaços interiores e são, muitas vezes, o elemento desequilibrador nesta equação. Ao abandonar a sua posição, trocando com o lateral ou com um dos médios centro, os extremos confundem a defensiva adversária e criam espaços. As movimentações referidas anteriormente são visíveis principalmente pelo lado direito, onde Matheus Silva, Fabrício Isidoro e Fábio Nunes compõem o trio ofensivo.

Outro movimento característico no momento ofensivo da equipa de Sérgio Vieira são as diagonais dos alas procurando explorar a velocidade e a profundidade através de bola longa, executada pelo defesa central.

As transições rápidas são, igualmente, uma aposta forte do Farense. Com poucos toques na bola, a equipa tem a capacidade para chegar às zonas de finalização, priveligiando a verticalidade no seu jogo. O ponta de lança Fabrício Simões torna-se um elemento importante neste momento do jogo, pela sua capacidade de ser referência ofensiva de equipa, de jogar de costas para a baliza, temporizar e executar.

A importância dos Esquemas Táticos

Foram oito as vezes que as redes das balizas adversárias abanaram na sequência de um esquema tático ofensivo, seja pontapé de canto ou livre lateral. Com o plantel mais alto da 2ª Liga (média de 184cm), Sérgio Vieira rapidamente percebeu a vitalidade que este momento do jogo poderia ter no ganhar da sua equipa.

Na lista de melhores marcadores da equipa lideram Ryan Gauld (9) e Fabrício Simões (8), seguidos de cinco jogadores com 3 golos marcados: um ponta de lança (Christian Irobiso), um extremo (Fábio Nunes), um lateral (Matheus Silva) e dois centrais (Luís Rocha e Cássio Scheid).

Todos os golos de bola parada foram marcados entre a marca de grande penalidade e o segundo poste, um indicador evidente da zona para onde o Farense bate as suas bolas paradas.

Esquemas Táticos Ofensivos – SC Farense 2019/20

Os Destaques

Liga Portugal

23 – Ryan Gauld

Ryan Gauld foi o melhor marcador da equipa esta temporada, com 9 golos marcados. Rápido, ágil, vertiginoso, criativo, intenso, tecnicista, é assim que se pode definir Ryan Gauld. Esta temporada iniciou o seu percurso no meio campo, passando depois para o corredor lateral. É um jogador diferenciado e capaz de criar desequilíbrios na defesa adversária, seja por passe ou em progressão com bola.

Liga Portugal

14 – Fabrício Isidoro

Médio centro, capaz de realizar qualquer uma das funções do meio campo. Aos 28 anos vai ter a sua primeira experiência no principal escalão do futebol português. Boa leitura de jogo, bom posicionamento, é um jogador capaz de cobrir metros, sendo importante no momento das transições, quer ofensivas, quer defensivas. Boa capacidade de passe, criatividade e progressão com bola, fazem do Fabrício um médio diferenciador em contexto de 2ª Liga.

Liga Portugal

17 – Miguel Bandarra

Proveniente do campeão do Campeonato de Portugal, o Casa Pia, Miguel Bandarra é mais uma prova da qualidade que abunda no terceiro escalão do futebol português. Com um concorrente de qualidade, Matheus Silva, proveniente do Bahia, onde na época passada participou no estadual, acabando por conquistar o Campeonato Baiano, o Miguel foi se impondo e conquistando o seu lugar. É um lateral seguro, assertivo e com boas nuances táticas. Na próxima temporada fará parte do plantel no regresso à 1ª Liga.

Liga Portugal

9 – Fabrício Simões

Aos 35 anos de idade, Fabício voltou a ser uma peça fundamental numa equipa que subiu de divisão. Depois da conquista da 2ª Liga em 2011/12 ao serviço do Estoril e da subida alcançada com o Famalicão na época passada, Fabrício voltou a sorrir e festejar uma subida de divisão. Avançado possante, forte fisicamente, rápido e agressivo na disputa de bola. É um jogador inteligente no ataque às zonas de finalização, posicionando-se bastante bem e com uma finalização aprimorada.