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Sporting CP: As dinâmicas da defesa menos batida em Portugal

Desde Março de 2020 que Rúben Amorim vem preparando a temporada que vai decorrendo. Para lá da imaginação dos mais otimistas, a turma de Alvalade lidera o campeonato à 23.ª jornada com nove pontos de vantagem sobre o segundo classificado.

Ofensivamente, o registo nem tem sido extraordinário. O Sporting é o segundo melhor ataque da prova com 45 golos, uma média de quase dois ao jogo.

Defensivamente, a equipa tem sido inexcedível, com uns impressionantes 11 golos sofridos na Liga NOS, uma média de 0,47 golos encaixados por jogo.

Números impressionantes que fazem os adeptos esquecerem-se de Mathieu e Acuña, saídos no último verão.

Mais do que interpretar o que os dados estatísticos confirmam como a melhor defesa a atuar em Portugal, pretende-se analisar a forma, escrutinar alguns processos da linha defensiva que tornam a equipa de Rúben Amorim quase impenetrável.

A estrutura

O modelo 3x4x3 que o treinador tem vindo a desenvolver, desdobra-se numa linha defensiva de cinco homens no processo defensivo.

A linha mais recuada e a articulação dos seus cinco membros é o estandarte principal da solidez defensiva do Sporting, alicerçado na ajuda dada por João Palhinha, o médio com mais tarefas defensivas.

Ainda assim, dois momentos diferentes de pressão sugerem duas estruturas dominantes na organização defensiva do Sporting.

Em bloco médio (na foto) ou alto, o Sporting organiza-se em 5x2x3, pressionando alto com os três homens da frente, entregando o meio campo a Palhinha e João Mário e recuando os laterais Porro e Nuno Mendes para a linha defensiva, criando superioridade numérica na zona mais perigosa do terreno.

Em bloco mais baixo, os dois extremos recuam para perto dos médios para dificultar o aparecimento de espaço entrelinhas. O recuo dos médios pode ser também estratégia para anular um adversário cujo poderio com bola passe pela boa utilização do corredor central, por exemplo.

Posicionamento médio da linha defensiva do Sporting

As dinâmicas da linha de 5

Como em todas as equipas, as dinâmicas do Sporting, por muito que bem trabalhadas, dependem da qualidade de execução e da capacidade dos seus jogadores. Coletivamente conseguem-se identificar várias, obra de Rúben Amorim e da sua equipa técnica.

O patrão desta defesa é o uruguaio Coates que ganhou nova vida após a saída de Mathieu (pareceu incapaz de assumir a defesa ao lado de um jogador com o currículo do francês que tinha na comunicação um dos seus principais défices.)

Ao capitão do Sporting pede-se, nesta temporada, que controle a profundidade da equipa, tão importante no futebol moderno, ansioso por roturas e bolas em profundidade.

O ex-Liverpool tem estado muito bem e são raras as vezes que sob o seu comando, a defesa é apanhada desprevenida. A sua capacidade de estar atento a toda a linha defensiva é uma das mais valias da defesa a cinco.

A linha da grande área

Uma das marcas deste Sporting é a utilização da linha da área como recurso físico de controlo da profundidade.

Não são raras as vezes em que a equipa pára de correr quando chega à linha, mesmo sob a possibilidade de bola nas costas ou cruzamento.

Este mecanismo prende-se, não só com a linha limite da grande área personificar uma linha de fora de jogo, vísivel a todos os jogadores, mas também com a distância (razoável) a que esta se encontra da baliza, para uma eventual saída de Adán dos postes.

O desfazer da estrutura

Por não ser um jogo imóvel, muitas vezes é necessário que a linha defensiva seja desfeita para uma melhor proteção da baliza. Isto resulta de movimentos de desequilíbrio criados pelo ataque adversário, em constante movimento.

Daqui pode resultar que haja um desbloqueamento dos centrais ou dos alas em jogadores adversários. (Para efeitos de texto, entenda-se o desbloquear como a saída de um jogador da linha para o pressing de um adversário).

Desbloqueio de laterais

Como alas, Pedro Porro e Nuno Mendes (os laterais que mais vezes preenchem a vaga) têm de cobrir um raio alargado de terreno. Se tiverem de sair num extremo em posição recuada, abre-se espaço nas suas costas. Este espaço é controlado já que faz parte do plano estratégico de Amorim que os alas desbloqueiem em extremos recuados (por só existirem dois jogadores no centro do terreno, que não podem abandonar essa zona).

A equipa de Amorim tem, por isso, alguns processos que permitem um reajustamento rápido e eficaz da estrutura defensiva:

  • Ajustamento rápido da linha de 5 para linha de 4 (como se vê no vídeo),
  • Alas muito velozes capazes de recuperar posição na linha defensiva rapidamente,
  • Superioridade numérica na defesa permite abordagens mais agressivas dos laterais e em zonas mais adiantadas do terreno.

Desbloqueio de centrais

Um dos maiores problemas identificados à estrutura defensiva do Sporting.

Quando um dos centrais sai da linha, normalmente por ser atraído por um avançado que baixa para receber entrelinhas, o ajuste defensivo não é tão capaz como quando o jogador atraído é um dos alas.

Neste capítulo, Feddal arrisca em demasia o desarme em terrenos adiantados, saindo da linha com uma postura menos ativa do que o expectável.


Analisou-se o comportamento defensivo dos cinco defesas do Sporting em lances de bola corrida. A bola parada e o envolvimento dos jogadores de outros setores não podem ser descartados do brilhantismo da equipa de Alvalade neste momento do jogo, mas esses ficarão para outras ocasiões!



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