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Viva Paolo Rossi!

23 de Setembro de 1956, nascia uma lenda do futebol italiano e mundial em Prato, na Toscânia. Paolo Rossi, uma figura incontornável do futebol e um dos melhores pontas de lança de sempre. Rossi ao longo da sua carreira arrecadou um vasto leque de troféus e títulos individuais, 1 Serie B, 2 Seria A, 1 Coppa Itália, a nível continental conseguiu vencer a Taça dos Campeões Europeus, Taça das Taças e Supertaça Europeia, mas o seu ponto alto foi o Mundial de 1982 em Espanha. A nível individual também Rossi foi muito galardoado, conseguindo ser em épocas consecutivas o melhor marcador da Serie B e Serie A. Outra curiosidade é o facto de Rossi ser um dos únicos 3 jogadores a conseguir vencer o mundial e arrecadar ainda os prémios de melhor marcador e melhor jogadores do mundial, feito que apenas foi acompanhado por Garrincha em 1962 e Mario Kempes em 1978.

Rossi tinha algo de especial, tinha uma capacidade de leitura de jogo e de posicionamento no ataque fora do comum, era um enorme oportunista, estando sempre no sítio certo para alvejar a baliza. Rápido, também actuou como extremo direito no início da sua carreira, de remate fácil e boa capacidade de cabeceamento, Paolo Rossi foi um dos melhores e mais completos pontas de lança de sempre.

O Início

A sua carreira começou na Juventus, onde fez a sua estreia profissional em 1973 fazendo uma partida na Coppa Itália. Mas a sua vida em Turim não foi nada feliz, marcada por uma série de lesões graves que o levaram a fazer 3 cirurgias aos joelhos, isto custou ao jovem promissor Rossi muito tempo de jogo no início da sua carreira, tendo feito apenas 3 partidas para a Coppa Itália pela Juventus entre 1973 e 1975.

Em 1975 a Juventus enviou Rossi para o modesto emblema italiano Como, que militava na Serie A na época, um contexto competitivo do qual o avançado italiano poderia ganhar alguma experiência e tempo de jogo que tão necessitava. Actuou como extremo direito e fez 6 partidas sem qualquer golo marcado naquela que foi a sua estreia na Serie A.

Um Ponto de Viragem

A sua afirmação começou em 1976, na sua passagem pelo Vicenza, numa altura em que o seu passe era dividido com a Juventus. Esta foi a época em que o treinador do Vicenza na altura, Giovan Fabbri começou a colocar Rossi no centro do ataque pois a equipa tinha perdido o seu atacante por lesão, oportunidade esta que Rossi agarrou e com estilo. Esta sua passagem na Serie B acabou com ele sendo o melhor marcador da prova com 21 golos marcados, ajudando também a sua equipa a vencer a Serie B e obter a promoção ao escalão máximo do futebol italiano. Na época de 77-78, Rossi e o seu Vicenza quase fizeram o impossível, tendo ficado em 2º lugar na Serie A na época de promoção, apenas ultrapassados pela Juve. Rossi foi ainda o melhor marcador da prova, desta feita com 24 golos, tornando-se o primeiro jogador a liderar a lista de melhores marcadores da Serie B e Serie A em épocas consecutivas. A veia goleadora do avançado italiano estava já debaixo de todos os holofotes, a sua ascensão para o topo do futebol italiano era inegável, tendo-lhe valido a chamada para o Mundial de 1978 na Argentina.

Rossi com um treinador muito especial na sua carreira, Giovan Fabbri.

Um Apaixonante Tango Italiano na Argentina

O mundial de 1978 na Argentina foi a prova que elevou Paolo Rossi como um dos melhores atacantes do mundo, as suas exibições e dotes de goleador apaixonaram os fãs de todos os cantos do mundo. Foi nesta prova também que Rossi fez o seu primeiro golo, frente à França na fase de grupos, numa vitória de 2-1 para a Itália. Rossi fez em solo argentino um trio atacante formidável com Franco Causio e Roberto Bettega, os três com muitos dotes técnicos e constantes trocas posicionais, fazendo um tango que apaixonou o mundo e aterrorizou as defesas durante a prova. Infelizmente para os italianos, não conseguiram passar na 2ª fase de grupos, ficando atrás da Holanda, contentando-se com o play-off de 3º e 4º lugar diante do Brasil, que venceria os italianos por 2-1. Rossi foi eleito para o melhor 11 do torneio e também 2º melhor jogador. Ele viu pela primeira vez o céu na Argentina, mas não o tocou.

Rossi a representar a Itália no Mundial de 1978 contra a Argentina

Os Fantasmas do Passado e um Escândalo

Em 1978 Rossi tornou-se o mais caro jogador do mundo quando viu a Juventus comprar todo o seu passe por 2.612 biliões de liras, equivalente a cerca de 1.349 milhões de euros hoje. Na época pós-mundial Rossi estreou-se nas competições europeias ao serviço do Vicenza na Taça UEFA e marcou 15 golos na Serie A, mas a época infelizmente acabou por ficar manchada com o regresso dos problemas físicos para Rossi e para agravar, o seu clube desceria de divisão.

Na época de 79-80, Rossi conhecia um novo clube, o Perugia por empréstimo que lhe garantia a permanência na Serie A. Ajudou a equipa com 13 golos e ainda atingiu os oitavos de final da Taça UEFA, mas tudo isto teria um fim triste pois em Itália rebentaria o escândalo das apostas ilegais em 1980 denominado Totonero, onde Rossi foi apanhado como participante, o que lhe valeu 3 anos de suspensão (mais tarde teve o castigo reduzido), e assim, atingiu o ponto mais baixo da sua carreira.

Rossi continua a sua aventura na Serie A pelo Perugia

Glória e Redenção

Na época 81-82 terminada a sua suspensão, Rossi regressou aos relvados ao serviço da Juventus, tendo participado apenas na ponta final da época onde fez 3 jogos e 1 golo, dando um pequeno contributo para a Vecchia Signora agarrar o titulo da Serie A. Mas o caminho para a redenção era grande ainda, chegando a grande oportunidade em 1982, no Mundial de Espanha, onde Rossi voltou a ganhar a confiança do técnico Enzo Bearzot, mesmo com toda a desconfiança da imprensa e dos adeptos italianos. A verdade é que a prova não começou muito famosa para a Itália, com exibições muito apagadas na primeira fase da prova apesar da qualificação para as seguintes rondas e Rossi foi um dos mais visados, mostrando-se no que parecia uma paupérrima forma física.

Exibições cinzentas e alguma sorte no empate a 1 bola com os Camarões

A próxima fase via a Itália a medir forças num grupo de morte, com a campeã do mundo em título Argentina e o grande candidato Brasil, de Falcão, Sócrates e Zico. Bearzot deu novo voto de confiança a Rossi para enfrentar estes 2 poderosos adversários e a Itália começa bem com uma vitória por 2-1, num jogo que foi muito duro a nível defensivo onde os italianos conseguiram suster o poderio ofensivo argentino com Diego Maradona em evidência.

Rossi em mais um embate contra a Argentina

Chegava então o jogo contra os grandes favoritos, o Brasil. Apesar do crescimento exibicional da Itália, Rossi ainda não tinha feito qualquer golo em 4 partidas e apesar da pressão feita para o selecionador retirar Rossi da equipa, o jovem atacante aparece no 11 inicial para defrontar a equipa brasileira. Logo aos 5 minutos de jogo, Rossi abafa o ruído com um valente cabeceamento depois de um cruzamento cheio de classe de Cabrini que levou os italianos à loucura. Sócrates conseguiria depois empatar a partida depois de um passe de Zico, batendo Dino Zoff num ângulo difícil, mas o jogo estava muito longe do fim, Rossi voltou a aparecer com enorme oportunismo depois de um mau passe para trás de Toninho Cerezo, com o italiano a alvejar a baliza brasileira para o 2-1. O Brasil responderia depois com um potente remate de pé esquerdo da parte de Falcão, no entanto Rossi estava naquela que foi possivelmente a melhor exibição da carreira, Rossi não poderia ser parado naquele dia e depois de uma pequena carambola na área do Brasil aproveitou para fazer o remate que daria o 3-2 e um hatrrick a titulo pessoal diante de uma das melhores formações da história do futebol mundial que nesse dia sucumbiu aos pés de Paolo Rossi.

O jogo frente ao Brasil em 1982 foi uma das melhores exibições individuais de sempre

Na ronda final Rossi voltou a brilhar ao bisar frente à Polónia carimbando assim a presença na final do campeonato do mundo, Rossi estava mais perto do que nunca de tocar o céu, mas pela frente aguardava a poderosa Alemanha Ocidental. A Itália venceria o jogo por 3-1 com Rossi a marcar mais 1 golo tornando-se o melhor marcador da prova e finalmente, tornara-se campeão do mundo, o ponto mais alto da sua carreira e a culminação de uma redenção digna de um filme.  A título individual ainda ganhou o prémio de melhor jogador do torneio e posteriormente foi eleito melhor jogador da Europa ela UEFA e melhor do mundo pela World Soccer magazine.

Paolo Rossi ergueu o troféu máximo do futebol como herói de Itália

Mais Títulos e o Final de Carreira

Depois do brilhantismo no mundial, Rossi regressou à Juventus e na época de 82-83, apesar de não ter conquistado o Scudetto, conseguiu sim conquistar a Coppa Itália ajudando com 5 golos. Ainda nessa temporada a Juventus fez uma grande campanha na Taça dos Campeões Europeus onde caiu na final perante o Hamburgo, Rossi foi o melhor marcador da prova com 6 golos. Na seguinte época finalmente reconquista a Serie A com a Juventus, marcando 13 golos e ainda ganha a Taça das Taças, onde na final a Juventus derrotou o FC Porto por 2-1, seguidamente, mais uma conquista continental com a Supertaça Europeia de 1984.

Rossi e a fantástica Juventus de 84′

Em 1985, no seu último ano ao serviço da Juventus, finalmente consegue a glória europeia, e conquista a Taça dos Campeões Europeus batendo na final o Liverpool por 1-0 no fatídico jogo de Heysel Park. Rossi marcou 5 golos na prova, ficando atrás de Platini, seu colega de equipa e o sueco Nilsson do Gotemburgo que acabaram com 7 golos.

Rossi fez parte da equipa da Juventus que venceu a Taça dos Campeões Europeus no fatídico jogo de Heysel Park

Antes de colocar um ponto final na sua carreira, Rossi ainda passou pelo AC Milan, onde ainda hoje é recordada uma exibição de grande nível diante do rival Internazionale marcando 2 golos e ainda pelo Hellas Verona onde ajudou a levar a equipa a um fantástico 4º lugar na Serie A.

O veterano Paolo Rossi em acção naquele que foi o seu último clube, Hellas Verona

Paolo Rossi é o melhor marcador de sempre da Itália em Mundiais com 9 golos em 14 partidas juntamente com Roberto Baggio e Christian Vieiri. Rossi foi um dos mais prolíficos avançados do mundo, que infelizmente abalou o mundo do futebol com a sua morte a 9 de Dezembro de 2020 depois de uma luta contra o cancro. A lenda de Paolo Rossi e sua marca no desporto rei viverá para sempre.

Até sempre campeão.