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FC Vizela: Do Campeonato de Portugal para a I Liga

O clube minhoto confirmou o regresso ao principal escalão português, 36 anos depois. É a segunda vez em 82 anos que o Vizela aparece na I Liga. Uma época de sonho para o conjunto orientado por Álvaro Pacheco, o treinador que conduziu a equipa do Campeonato de Portugal para a II Liga na época transata e agora para a I Liga. Duas subidas em duas temporadas, um feito histórico mas merecido pela consistência e regularidade que apresentaram durante a campanha. 18 vitórias, 12 empates e 4 derrotas, sendo que o último desaire aconteceu na 8ª jornada a 1 de Novembro. Foram 26 jogos sem conhecer o sabor da derrota!

XI Base

Um dos segredos do sucesso do Vizela foi a estabilidade que a equipa encontrou ao longo de toda a temporada. Apesar das soluções de qualidade a equipa utilizou um XI Base com poucas alterações ao longo das jornadas, nomeadamente a nível defensivo. Um plantel constituído maioritariamente por jogadores que acompanharam a subida de divisão da época anterior e que jogavam com a equipa no Campeonato de Portugal. As rotinas e a coordenação de ideias entre os vários elementos e o treinador também foi um aspecto fulcral na subida de divisão.

Pedro Silva partilhou a baliza com Ivo Gonçalves mas o experiente guardião somou mais minutos. Ofori também foi uma escolha regular nas laterais em substituição a Koffi e Kiki. No meio campo Ericson fez vários jogos como médio mais recuado e André Soares como médio mais ofensivo. Guzzo chegou no mercado de Janeiro e rapidamente se afirmou como um jogador fundamental no modelo de jogo. Tavinho funcionou muito como o terceiro extremo do plantel e Diogo Ribeiro foi o avançado que rendeu Cassiano em algumas partidas.

Processo Defensivo

No plano defensivo a equipa sofreu 35 golos, o que constituiu a 5ª melhor defesa da prova. O Vizela estruturou-se num 4-3-3 com uma pressão alta e um bloco médio-alto, não permitindo muito tempo e espaço para o adversário iniciar a saída organizada desde trás.

Cassiano podia ser o elemento mais pressionante, com os dois extremos a partilharem o espaço entre centrais e laterais. O triângulo ofensivo por vezes também se alterava com o avançado brasileiro a baixar no terreno para marcar o médio defensivo e os dois extremo por dentro a marcarem os centrais, quando existia uma saída a três com a participação do guarda redes.

Quando a equipa contrária conseguia arranjar forma de contornar a pressão alta dos homens da frente do Vizela, a equipa conseguia baixar rapidamente e reorganizar-se. Preocupação dos extremos em acompanharem os laterais contrários e o meio campo a reduzir os espaços entre linhas, com a defesa a não afundar muito.

Outra dinâmica defensiva que a equipa apresentou foi uma pressão em 4-4-2 com Kiko Bondoso a juntar-se ao apoio a Cassiano e Samu mais descaído para o corredor esquerdo. O Vizela basculava facilmente de forma a pressionar os defesas do corredor contrário e desta forma atrasar a saída de bola, com a equipa a voltar à sua estrutura base do 4-3-3.

Processo Ofensivo

Ofensivamente o Vizela apontou 59 golos e foi o melhor ataque da II Liga. A versatilidade de opções ofensivas e a qualidade nos vários momentos foram determinantes para estes números expressivos.

Cassiano foi um dos principais responsáveis com 16 golos, ele que foi o melhor marcador da prova. Kiko Bondoso foi outro dos destaques com 10 assistências.

O conjunto treinado por Álvaro Pacheco construía a 3 com Kiki Afonso a juntar-se aos dois centrais, libertando o extremo Kiko Bondoso na frente mas também conseguia ter uma saída com apenas os dois centrais.

Matheus e Aidara pela sua relação com bola, segurança e critério foram sempre jogadores de referência na fase de construção. Os dois laterais a darem largura total, abertos em cima da linha lateral, e os médios a fixarem por dentro o meio campo contrário. Na frente de ataque, um dos extremos mais perto da referência ofensiva, o outro extremo por dentro assim como o médio ofensivo para oferecerem linhas de passe entre linhas. O portador de bola tinha sempre muitas opções para jogar curto ou longo com os colegas de frente para a bola e com espaço para receber e definir.

Os minhotos exploravam muito bem os corredores laterais com o envolvimento dos dois laterais. Triangulações entre lateral, extremo e médio ofensivo, com ataques rápidos à linha de fundo e muita mobilidade para a conquista dos espaços no meio campo contrário.

A equipa minhota apresentou várias soluções no processo ofensivo. Demonstrou qualidade e eficácia em ataque posicional mas também em transições rápidas. Os lances de bola parada também tiveram influência pela capacidade no jogo aéreo que a equipa demonstrou, através dos seus centrais e Cassiano.

O Vizela procurou constantemente os espaços, uma das ideias principais de Álvaro Pacheco. Uma equipa rápida, com várias trocas posicionais e com grande mobilidade do meio campo para a frente. Todos os jogadores apareciam em zonas de finalização e pisavam zonas diferentes daquelas que inicialmente tinham partido no que toca ao posicionamento e estrutura base.

Os adversários sentiram muitas dificuldades em travar as investidas da equipa de Vizela pela qualidade e imprevisibilidade nos seus movimentos ofensivos. Podiam jogar de forma mais posicional ou acelerar o jogo e através das permutas e sobreposições criar situações de superioridade numérica, chegando rapidamente à área contrária. A jogar por fora ou por dentro, o Vizela arranjou sempre soluções para atacar as zonas de finalização.

Álvaro Pacheco mostrou que é possível ambicionar a grandes conquistas com poucos recursos, com uma base maioritariamente proveniente do Campeonato de Portugal. Não foi por isso que o Vizela deixou de garantir a subida e fê-lo de forma histórica, com uma qualidade inigualável pelo seu futebol vertical, rápido e impressível.



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