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Após os fracassos recentes nas últimas temporadas baixo as ordens do experiente treinador Rudi Garcia, o Olympique de Marselha está finalmente conseguindo competir a nível nacional e alcançar os objetivos do clube, de figurar em postos que garantem classificação à fase de grupos da Liga dos Campeões. Graças ao treinador André Villas-Boas, o OM possui uma estrutura tática e ideias de jogo sólidas, que o colocam neste momento como vice-líder da Ligue 1 com 35 pontos somados em 18 jogos disputados, com quatro pontos de vantagem sobre o terceiro colocado Lille e unicamente sete atrás do atual campeão Paris Saint-Germain.

De 26 golos marcados pelo Marselha no Campeonato Francês, 13 tiveram origem em ataque posicional, outros 6 em bola parada, dois em contra-ataques, quatro em penaltis e um auto golo.

Considerando que o futebol praticado em França caracteriza-se por muitos duelos físicos, individuais e transições, André Villas-Boas está buscando se adaptar ao contexto tático da Ligue 1 em detrimento de representar um nome importante para a diversidade tática da liga através de ideias relacionadas à posse de bola e o jogo posicional como, por exemplo, seu compatriota Paulo Sousa no Bordeaux simboliza nesta temporada. Para início de conversa, num desporto cada vez mais sintetizado pelas pressões altas como o futebol atualmente, o ex-treinador de Tottenham ou Chelsea trata-se de um expoente neste sentido dentro do país, com o pressing do Marselha sendo um dos mais sólidos e interessantes do continente europeu em termos de funcionamento em 2019-20. Nos próximos parágrafos, uma análise aprofundada a respeito do trabalho de pressão realizado pelo treinador português em fase defensiva e os mecanismos em organização ofensiva.

Fase defensiva

Como mencionado anteriormente, o Marselha é uma equipa marcada pela agressividade defensiva na hora de pressionar os primeiros passes do conjunto contrário em suas fases de saída de bola. No 4-3-3 fixo de Villas-Boas, a chave da pressão média-alta realizada pelo time marselhês está no papel de seus médios interiores, habitualmente os jovens Morgan Sanson e Valentin Rongier, que através do físico que possuem, saem de zona e lançam pressões fechando linhas de passe para convidar o rival a arriscar um passe por dentro, considerando que os extremos Dimitri Payet e Bouna Sarr se posicionam em uma altura diferente para cortar as conexões dos centrais com os laterais enquanto o médio centro Boubacar Kamara (ou Kevin Strootman) cobre os espaços vazios e o avanço dos interiores em horizontal, formando um posicionamento 3+3 muito semelhante ao utilizado pelo Liverpool dirigido por Jürgen Klopp.

Combinando os momentos de pressão adiantada com um bloco médio estabelecido com a última linha defensiva alta, o controle de profundidade defensiva é uma das principais bases táticas do Marselha, com muita agressividade para pressionar o portador do esférico e sincronia entre os quatro homens que conformam o primeiro escalão do bloco para ganhar metros e forçar impedimentos. Depois da recuperação, a intenção é clara: verticalizar em transição em direção à baliza contrária. Com especialistas em condução com a bola no pé como o extremo Dimitri Payet, as transições ofensivas do OM acontecem preferencialmente pela zona central, atraindo rivais e libertando os corredores exteriores para a progressão em amplitude de outras peças.

Organização ofensiva

Na sua iniciação de jogo, o Marselha não é um conjunto especialmente radical a nível associativo, normalmente minimiza os riscos que assume em saída de bola, mesclando saídas elaboradas com jogo direto na hora de sair jogando desde o fundo. Dito isto, um dos aspectos fundamentais do jogo de André Villas-Boas em organização ofensiva é a construção apoiada e a formação de triângulos exteriores a partir das dinâmicas do 4-3-3 e as relações entre laterais, interiores e extremos na ocupação de espaços em terreno inimigo.

Com muita flexibilidade posicional e trocas de posição entre os intérpretes (variações nas ocupações das zonas ofensivas de amplitude, base de jogada e os espaços entre linhas), um ponto destacável é a presença em zonas interiores do lateral-esquerdo Jordan Amavi para a ativação de Dimitri Payet em posição aberta pelo setor canhoto, com o interior Morgan Sanson diretamente relacionado ao último terço e movimentos verticais sem a bola para adicionar profundidade ao ataque posicional; também ocorre o contrário, com o interior abaixo na base da jogada, o lateral ganhando altura para garantir largura e o extremo em zonas entre linhas, como foi visto no segundo tempo na vitória contra o Bordeaux no Orange Vélodrome.

No lado direito, as dinâmicas comentadas se mantém, com a diferença que o interior, no caso o talentoso Valentin Rongier, assume maior protagonismo com o esférico nos pés na hora da elaboração ofensiva.