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1ª Parte

  • Famalicão a surgir neste jogo no seu habitual 4-2-3-1, mas com duas alterações nos titulares com as entradas de Roderick para médio mais defensivo e Guga para a posição de médio mais ofensivo.

Braga à procura de surpreender alterando o seu sistema de jogo do 3-4-3 para um 4-2-3-1. Aqui, o treinador Custódio procura claramente inverter as últimas exibições menos conseguidas, através da supresa de uma alteração tática. Assim sendo, Ricardo Horta surge mais pelo corredor central e no vértice mais adiantado do triângulo do meio campo. O seu irmão, André Horta entra também directo no onze para fazer dupla com Fransergio.

  • Pese embora a alteração tática bracarense, alguns princípios mantiveram-se como a saída a 3 defesas (recuo do lateral Sequeira para o trio), agora com André Horta a tentar pegar no jogo logo na sua primeira fase de construção, dando-lhe capacidade de passe. Juntamente com o seu irmão Ricardo, a equipa técnica bracarense procurou dotar o corredor central de maior criatividade e visão de jogo que pudessem trazer mais imaginação e imprevisibilidade ao jogar da equipa.
  • Uma pressão alta e com um bom posicionamento no terreno de jogo, permitiu ao Braga criar grandes dificuldades nas saídas de jogo do Famalicão (4 defesas + 2 médios), obrigando-os a falhar vários passes em zonas mais recuadas e perigosas, forçando-os mesmo a ter de esticar o jogo através de passe longo, quase sempre à procura do possante avançado Toni Martínez (que várias vezes até se “escondia” no corredor esquerdo (nas costas do lateral adversário) para poder ganhar mais facilmente a 1ª bola e ficar em posse do esférico com maior segurança.
  • Apesar do bom posicionamento em campo, tendo encaixado as marcações, aliado a alguma surpresa pela alteração de sistema tático que não estaria certamente nos planos do Famalicão, a agressividade de pressing sobre o portador da bola não era tão forte quanto o desejável, e a prova disso foi que pelo menos por duas vezes, o “Fama” conseguiu quer pelo central Nehuén Perez, quer por Roderick, ultrapassar essa pressão através de iniciativas individuais e em transporte de bola pelo corredor central.
  • Os Arcebispos procuravam o recurso ao passe mais longo para variações rápidas do centro de jogo, ora por passes para o lateral Esgaio poder tirar cruzamentos sem grande oposição, ora para o criativo Galeno, na tentativa que este pudesse usufruir de situações de 1×1, onde é extremamente perigoso. No entanto, tal foi muito bem estudado por João Pedro Sousa e sua equipa técnica que conseguiram bloquear o brasileiro com recurso a um triângulo no corredor formado pelo lateral Ivo Pinto, o médio centro e o extremo desse lado.

2ª Parte

  • Com os momentos das substituições, João Pedro Sousa ia transmitindo à equipa que a ideia seria a de defender melhor com a entrada de Gustavo Assunção, para junto do central adaptado a médio Roderick, e consequente subida de Racic para jogar na frente da dupla de médios e poder também ele, ganhar mais bolas longas na frente e ajudar a reforçar do ponto de vista defensivo, o corredor central. Mais tarde, iria colocar ainda o central Patrick na posição de lateral direito e assim reforçar melhor o miolo defensivo.
  • Custódio, por sua vez, ia arriscando e lançando para o terreno de jogo jogadores mais ofensivos, até com nova alteração tática para um 4-4-2 mais clássico com a entrada de Wilson Eduardo para uma dupla com o desamparado Paulinho. Saída do apagado Galeno e com Ricardo Horta como falso médio ala. Interessantes movimentações ofensivas de Horta nessa posição, sempre à procura de diagonais com bola do corredor lateral para dentro, e consequente contra-movimento de um avançado na tentativa de criar instabilidade nas marcações adversárias (daí a entrada em jogo de Patrick para proteger melhor esse sector).

O jogo criava grandes expectativas pela luta que ambos os clubes, separados apenas por 3 pontos, travam pelo acesso às competições europeias da próxima época. No entanto, o jogo embora rico do ponto de vista tático, demonstrou um Famalicão que não tínhamos visto até aqui, algo pragmático, despersonalizado, incapaz de impor o seu jogo de posse e circulação de bola curta com agressividade de pressing, e com linhas demasiado recuados no terreno. Uma equipa à procura mais de transições num momento de jogo em que o Braga os obrigava a recuar no campo.

Já o Braga continua sem ganhar neste regresso pós-pandemia e sob comando do novo técnico Custódio, isto antes do próximo derby frente ao Vitória SC, também ele na disputa pelos lugares de acesso a competições europeias.