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Dezembro foi o mês do campeão brasileiro, mais conhecido como Brasileirão.

No entanto na época passada, o campeonato Brasileiro de futebol, foi um misto de tristeza, com o acidente aéreo da equipa do Chapecoense e por outro lado, uma sensação de alegria e satisfação com o regresso de um dos clubes mais prestigiados a nível sul-americano e mundial pelos seus inúmeros títulos conquistados, a Sociedade Desportiva Palmeiras. A equipa orientada por Cuca voltou a conquistar o Brasileirão, 22 anos depois.

Um Palmeiras que combina experiência, com juventude, vendo esta mescla de idades reflectida no seu estilo de jogo. O conjunto paulista é uma equipa intensa e contundente na defesa, com jogadores veteranos que dominam bem os tempos de jogo, com capacidade para controlar o jogo na defesa e saindo em transições aproveitando a verticalidade de Gabriel Jesus.

A qualidade individual dos seus jogadores permite-lhes também controlar o jogo em posse, com saídas curtas desde o guarda-redes, até conseguir chegar à baliza rival, através da mestria dos seus centro campistas.

A sua estrutura organizacional varia entre o 1-4-2-3-1 e o 1-4-3-3.

Na baliza o Palmeiras foi alternando entre os seus dois guarda-redes experientes. Numa primeira fase da época Fernando Prass, que sofreu uma lesão que o afastou durante toda a segunda parte da época, da titularidade, dando lugar a Jailson.

Na linha defensiva pontificaram Yerry Mina e Vitor Hugo no centro. Nas laterais situaram-se pela direita Jean e pela esquerda o veteraníssimo ex-jogador do Real Madrid, Zé Roberto de 42 anos. Na frente da linha defensiva, encontramos uma das revelações do Brasileirão, Danilo, ou Tché-Tché como é conhecido, deixando para trás as características típicas do pivot defensivo e dotando a equipa de grande capacidade ofensiva. Junto a este jogador apresentaram-se Moisés ou Cleiton Xavier. No tridente ofensivo destacamos na banda direita o jovem extremo Roger Guedes, na esquerda Dudu e pelo centro o líder e promissor Gabriel Jesus.

As atuações de destaque do central Yerry Mina, pretendido já, pelos grandes da Europa, a revelação Tché-Tché no centro do campo e o talento, verticalidade e desequilíbrio da nova contratação do Manchester City, Gabriel Jesus, foram decisivas para a concretização deste título.

As diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu são evidentes, nomeadamente no ritmo com que as ações de jogo são executadas, quer seja pela intensidade da circulação de bola, velocidade de deslocamento dos jogadores, mas acima de tudo  pela capacidade de raciocínio dos jogadores. A este nível o jogador europeu é desde cedo treinado a pensar rápido principalmente em espaços cada vez mais reduzidos, bem como a pensar o jogo do ponto de vista puramente táctico.

No Brasil a bola não circula de jogador em jogador, procurando com isso desequilibrar a organização defensiva do adversário, movendo a bola de um corredor para o outro, buscando romper as linhas defensivas adversárias, através de passes entre linhas. Verifica-se isso sim a repetição frequente dos duelos individuais em que o jogador com bola, a retém nos seus pés durante um período de tempo alargado, procurando desta forma desequilibrar a ordem defensiva do opositor.

A Sociedade Desportiva Palmeiras no início da 1ª fase de construção dos adversários, tende a ceder espaço para este sair a jogar, atrasando o seu bloco. Desta forma convida o rival a desorganizar-se defensivamente fruto da sua organização ofensiva para contra-atacar com espaço quando recupera a posse de bola.  Quando o adversário entra nas proximidades do meio campo do Palmeiras, começa a exercer uma pressão mais acentuada, sempre com referencias individuais, em que os jogadores abandonam as suas responsabilidades dentro da zona. O exemplo mais claro que podemos dar prende-se com os movimentos dos laterais que deixam a sua zona de acção, quando os extremos adversários se movimentam para o corredor central.

Do ponto de vista da organização ofensiva a equipa de São Paulo dispõe de jogadores com grande capacidade técnica, capazes de sair a jogar desde as zonas mais recuadas do campo. Os centrais e o pivot defensivo são as primeiras referencias para a saída de bola curta. Se a bola sai do guarda-redes para um dos centrais, o pivot ou um dos pivots oferece de imediato uma linha de passe diagonal. Inclusivamente dão-se situações em que a saída de bola faz-se a três com o recuo de um dos médios para o meio dos centrais, procurando desta forma dar mais profundidade à equipa através dos centrais. No entanto é a capacidade de Dudu, Roger Guedes e Gabriel Jesus que faz com que rapidamente o jogo ofensivo passe rapidamente da 1ª para a 2ª fase de construção. Nesta 2ª fase de construção a equipa acrescenta a capacidade ofensiva dos dois laterais, bem como a atitude e a capacidade de transporte de bola dos três jogadores do meio campo.

Sem dúvida que a principal referencia ofensiva é Gabriel Jesus que funciona como a principal conexão para iniciar a progressão do jogo ofensivo até à baliza adversária ou para finalizar as jogadas de ataque.

 

 

 

 

 

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