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All-in: os 4 ‘grandes’ e a luta pelo(s) título(s)

Em dia de início da final-four da Taça da Liga, procurámos analisar o momento de forma das quatro equipas classificadas para esta prova que, por sua vez, são também as quatro melhores equipas da Liga NOS, até ao momento.

Não há, de facto, surpresa no top 4 da classificação da Liga NOS, bem como na identidade dos quatro protagonistas da Taça da Liga. Sporting, FC Porto, Benfica e SC Braga ocupam os primeiros lugares da tabela, sendo que a novidade está na sua distribuição pelos mesmos. Sporting é líder isolado com 36 pontos, à frente do FC Porto, 2º classificado, com 32 pontos, os mesmos que SL Benfica. O SC Braga aparece em 4º classificado com 27 pontos.

Com este artigo pretendemos tentar explicar o porquê desta classificação, atendendo a alguns aspetos como:

– Ideia de jogo e dinâmicas do momento ofensivo das 4 equipas;

– Comparação de dados estatísticos quantitativos acerca do processo ofensivo das mesmas;

– Perceber se existe alguma relação entre a sua posição na tabela e desempenho na Taça da Liga e a forma como procuram ferir os seus adversários;

Braga como os 3 ‘grandes’, mas não na estatística

Como sempre, na análise estatística, importa compreender que a interpretação dos números não deve ser descontextualizada de uma interpretação do modelo de jogo de cada equipa. Nesse sentido, e apesar de apresentarmos uma interpretação analítica dos dados, procurou-se perceber como os números encaixam na ideia dos treinadores.

  • Em termos de tipo de passes, tudo muito igual entre os quatro emblemas. O Benfica é a equipa que mais ‘mastiga’ a sua fase de construção ofensiva, com 88% dos seus passes a serem rasteiros e de curta distância. Ainda assim, os números não andam muito longe dos seus três principais rivais.
  • De igual forma, o clube encarnado é o que mais vive da qualidade individual dos seus jogadores, algo que contrasta com o pressuposto tático de JJ nas anteriores épocas, em que o coletivo sobressai face a qualquer jogador. No total, são 23 dribles bem-sucedidos por jogo, mais que FC Porto (18), Sporting (17) e SC Braga (12).
  • O dado mais relevante desta análise acaba por ser o cruzamento dos golos e do xG de cada equipa. Segundo estes, FC Porto e Sporting ‘vivem acima das suas possibilidades’ e a manter-se a tendência, os seus adeptos podem esperar cada vez menos golos destes dois emblemas. As duas equipas são as que mais faturam no campeonato- 36 e 31 respetivamente- mais 7 que os xG que lhes são atribuídos. Já o Benfica (29 golos) e o SC Braga (23) encontram-se dentro daquilo que a estatística aponta como o expectável.
  • Por último, e apesar de não ser um dado da relevância do anterior, o Benfica é a equipa que mais vezes chega com a bola controlada ao último terço adversário. E apesar de o fazer mais 10 vezes por jogo que o FC Porto, ambas conseguem entrar na área adversária um número idêntico de vezes, o que pode apontar para problemas na 2.ª fase de construção encarnada.
  • O SC Braga, sempre envolvido em disputas de taças e na luta europeia do campeonato é a desilusão segundo os números. Os minhotos apresentam vários dados estatísticos inferiores à concorrência, algo que pode explicar a incapacidade da equipa em dar o salto para o topo da classificação.

Sporting Clube de Portugal

Rúben Amorim monta a sua equipa num 3x4x3. É fiel ao seu sistema predileto, e apesar de mudar as peças consoante o momento do jogo, o sistema permanece inalterado.

Líder ao momento em que o artigo é escrito, o Sporting apresenta dinâmicas interessantes que o tornam numa das equipas mais perigosas do campeonato em ataque rápido/contra-ataque.

O número 9 anda muitas vezes longe da área para trazer consigo um dos defesas centrais e permitir a rotura dos extremos que jogam muitas vezes por dentro para permitir a subida dos laterais em organização ofensiva. O 9- posição que esta época foi ocupada por Sporar, Jovane e TT – serve de apoio frontal e de isco para as defesas adversárias.

O Sporting, como é comum nas equipas que se organizam com três homens em primeira fase de construção, projeta os laterais e encosta-os à linha para permitir a utilização da largura do campo- e ter os extremos mais por dentro. O seu posicionamento (de Porro e Nuno Mendes habitualmente) fá-los ser frequentemente solicitados pelos centrais em movimentos que procuram a profundidade de ambos.

Ataques por corredor – Sporting
Dados de remate – Sporting

Os extremos têm igualmente um papel determinante no sistema, secundados por uma dupla de meio campo antagónica na missão do jogo. A Palhinha cabe destruir e equilibrar a equipa, a João Mário a organização e clarividência no controlo da bola em corredor central.

Análise de vídeo – Sporting CP

Futebol Clube do Porto

O FC Porto, comandado por Sérgio Conceição, é uma equipa com uma identidade muito bem definida, naquilo que são os ideais do clube e da estrutura técnica. Equipa muito agressiva, com muita personalidade e muito inteligente do ponto de vista estratégico.

O FC Porto utiliza, predominantemente, os corredores laterais para criar situações de perigo, solicitando os avançados para responder aos cruzamentos dos extremos ou laterais, que procuram muitas vezes sobreposições exteriores em velocidade.

Ataques por corredor – Porto
Dados de remate – FC Porto

Em grande parte dos jogos, opta pelo sistema 4x4x2, em fase ofensiva, ainda que com algumas variantes. Extremos bastante móveis, podendo partir do corredor central para exploração de diagonais interiores, ou juntando-se aos avançados, perto da linha defensiva adversária, procurando movimentos interiores de apoio frontal e ligação com avançados, ou mesmo optando por jogar em profundidade através de movimentos de rotura no espaço lateral-central.

Os dois avançados apresentam dinâmicas muito bem definidas: ou procuram desmarcações de rotura em simultâneo de forma a atacar as costas da linha defensiva, a passe dos extremos ou médios interiores (normalmente passes longos), ou com movimentos “opostos”, com um deles a deslocar-se para receber entrelinhas e o outro a procurar aproveitar o espaço gerado pela atração do movimento anteriormente mencionado.

Preferindo o ataque organizado, são bastante eficazes no contra-ataque ou ataque rápido, através da velocidade dos seus jogadores, nomeadamente dos extremos e avançados.

Análise de vídeo – FC Porto

Sport Lisboa e Benfica

A equipa às ordens de Jorge Jesus é, atualmente, 3ª classificada na Liga NOS. Antes do início da competição, as expectativas para o desempenho dos encarnados não podiam ser maiores, dados os valores despendidos em transferências e alarido em torno da contratação do seu treinador. Ainda assim, as coisas poderiam estar a correr melhor, sendo que o objetivo seria a conquista do campeonato, algo que, digamos, não está nada fácil.

Privilegia a utilização do sistema 4x4x2 ou 4x2x4 em organização ofensiva, algo a que Jesus nos tem habituado, nomeadamente, nos anos anteriores em que orientou os encarnados.

Valorizando um ataque posicional, é uma equipa que dá preferência aos corredores laterais para progredir no terreno e criar situações para ferir o adversário. A elevada mobilidade dos seus jogadores mais adiantados, bem como dos seus laterais, causam muitas dificuldades e permitem desequilibrar a organização defensiva do seu oponente.

Ataques por corredor – Benfica
Dados de remate – Benfica

Ainda que predomine o passe curto, recorrem diversas vezes por jogo ao cruzamento, sendo que a chegada e ocupação de zonas de finalização está bem definida, com um grande nº de jogadores a subir à área, contando com avançados fortes no jogo aéreo, como Nuñez e Seferovic.

Procuram a criação de superioridade numérica nos corredores laterais, quer através de ligações entre lateral, extremo e médio interior, explorando combinações diretas e indiretas para criação de oportunidades de cruzamento, como também através das movimentações de um dos avançados, que ao descair na ala permite atrair jogadores da linha defensiva de forma a criar espaços interiores entre lateral-central ou central-central, para incursões dos médios interiores, avançado do lado contrário ou sobreposição interior do lateral.

A velocidade dos seus jogadores mais adiantados permite também a utilização de desmarcações de rotura para explorar o espaço nas costas da linha defensiva, aproveitadas através da qualidade de passe curto e longo dos médios interiores como Weigl, Pizzi, Gabriel e Taarabt.

Sporting Clube de Braga

O SC Braga é das equipas que mais problema deve criar aos analistas adversários. Carvalhal já o disse, mais que uma vez que não acredita em sistemas. Trabalha a flexibilidade dos mesmos, em busca de uma identidade muito própria.

Assim, não é de estranhar que o SC Braga se apresente em 3x4x3, 4x3x3, 4x4x2 ou outros sistemas tradicionais durante o mesmo jogo , mas que possam ter escapado a uma qualquer vista desarmada.

A equipa apresenta dinâmicas próprias, fruto das características individuais dos seus jogadores. É muito comum Ricardo Horta e Paulinho procurarem o espaço entrelinhas para poderem receber de frente para o jogo, sendo que a imprevisibilidade dos extremos Iuri Medeiros e (sobretudo) Galeno, aumentam exponencialmente a variabilidade de soluções disponíveis aos gverreiros.

Ataques por corredor – Braga
Dados de remate – SC Braga

Os laterais, mesmo num sistema com 4 defesas, integram o ataque de forma regular e capaz, com Ricardo Esgaio a destacar-se neste momento da equipa.

A competição é muita, sendo que resta esperar para ver com que argumentos se apresenta cada equipa e se de facto é uma competição tão equilibrada quanto se espera.

Todos estão “dentro”, para uma feroz disputa a 4 pelo título nesta final-four da Taça da Liga e resto de campeonato.



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