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Luxemburgo e Palmeiras possuem uma grande história entre si. Com 374 partidas em quatro passagens no clube, Luxa é o terceiro técnico que mais vezes dirigiu o Palmeiras na história – fica atrás somente de Oswaldo Brandão (585 jogos) e de Luiz Felipe Scolari (485 jogos). Os números dão a Luxemburgo outro destaque: ele é o terceiro com mais vitórias na história palmeirense (227), mais uma vez atrás apenas de Brandão (341) e Felipão (238). 

A primeira “Era Luxemburgo” foi histórica, com a conquista do Campeonato Paulista de 1993, que encerrou um jejum de quase 17 anos sem título. Ao longo dela, o Palmeiras também venceu o Rio-São Paulo de 1993, a competição estadual do ano seguinte e duas edições do Campeonato Brasileiro (1993 e 1994). No fim de 1995, o treinador retornou para mais um trabalho marcante: montou e dirigiu a equipe que marcou 102 gols em 30 partidas e ganhou o Paulistão de 1996. Para 2020, ele tem conhecimento de que pode fazer o Verdão jogar de acordo com as suas exigências históricas e marcar época. 

A história gloriosa do técnico fala por si, mas o que ele tem apresentado nesta nova passagem pelo alviverde paulista? 

A principal mudança em relação ao modelo anterior fora a utilização do 4-3-1-2, como sistema tático base. Como sabemos, sistemas táticos influenciam pouco na forma de jogo de uma equipe sendo apenas um ponto de partida para o movimento dos jogadores, sendo mais visíveis no momento defensivo, o que não delimita o sistema como sendo o primário. O 4-3-1-2 é muitas vezes notado, quando um dos interiores aparece fechando o setor esquerdo e formando um losango, deixando o meia mais avançado mais à frente e os atacantes quase alinhados. 
Este sistema tem sido bastante utilizado,  quando Lucas Lima está em campo, para que o Palmeiras busque ter maior presença na entrelinha e ter maior pausa e ritmo de jogo mais cadenciado.

4-3-1-2 como sistema base no revitalizado Palmeiras de Luxemburgo. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins) 

Este jogador, chamado de terceiro homem, precisa possuir intensidade e resistência para ir e voltar da defesa e capacidade de visão de jogo e bom passe para se apresentar ao ataque e também entrar na área. 

Outro ponto que chama a atenção é a utilização de Felipe Melo como zagueiro central, ao invés de na função de primeiro volante. 

Por ser um jogador que já não possui grande mobilidade para cobrir espaços como único volante em um esquema que busca a manutenção da posse e jogadas em velocidade, ter um jogador lento no momento da transição defensiva pode custar caro ao ceder espaços de contra-ataque ao adversário. Portanto Vanderlei opta por utilizar o experiente jogador como zagueiro, por possuir boa leitura de jogo para se posicionar defensivamente e também por ter uma grande capacidade na saída de jogo, ótimos lançamentos longos para viradas de jogo, saindo da pressão adversária, por ser um jogador técnico, mesmo que já demonstre maior dificuldade no momento de troca de direção. 

A estrutura montada por Vanderlei pouco se altera, mesmo que as peças sejam alteradas, dependendo das características dos jogadores escolhidos, para formar esse losango de meio campistas, sendo sempre o ponto de partida, tendo sempre um dos meias fechando o setor esquerdo, junto com o volante e o outro meia interior, realizando marcações por encaixe, algo bastante utilizado por Vanderlei Luxemburgo, para limitar os espaços de seus adversários. 

Com a saída de Dudu, o técnico tem mantido as ações defensivas e os encaixes individuais, que a maioria de seus times realiza, mas utilizando o sistema 4-1-4-1 para defender. 

A marcação realizada pelo Palmeiras resumiu-se a utilizar encaixes nos adversários. Marcação de maior preferência do técnico Luxa, desde os anos 90. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins) 

Construção 

Neste início de trabalho, já se nota uma grande dificuldade de construção de jogadas, tendo o Palmeiras com dificuldades de encontrar espaços para trocar passes com mais desenvoltura, principalmente quando os adversários adotam uma postura mais defensiva. 
A equipe busca uma saída de bola tendo os volantes encostando próximos aos zagueiros, colocando o terceiro homem de meio próximo ao meia armador buscando sempre  entrelinha, formando uma espécie de quadrado, algo típico dos sistemas de jogo brasileiros, muito difundidos nos anos 90 e 80, onde Vanderlei obteve grandes êxitos. 
Os atacantes se vêem na obrigação de também recuar, transformando o ataque em uma espécie de torre, para que o time consiga progredir e isso faz com que as trocas de posicionamento sejam constantes, mas sem efetividade. 

Saída de bola sempre buscando formar um quadrado entre volantes e centrais, com laterais se projetando. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins)

Com isto, Vanderlei opta muitas vezes (sempre no segundo tempo, quando o time demonstra as dificuldades informadas anteriormente), para um time com maior capacidade de correr com a bola, ou gerar passes mais progressivos. 
 
O técnico utiliza jogadores como Gabriel Véron, William e Zé Rafael, que são jogadores com capacidade de conduzir a bola em transição e apostar em dribles nestas transições. Anteriormente contava com Dudu mais por dentro como um jogador capaz de criar oportunidades desta forma, por demonstrar todos os predicados de um segundo atacante característico brasileiro.  

Com a saída do meia-atacante,  Vanderlei pauta o seu time ainda mais em jogadas de transição, na tentativa de vencer os duelos contra seus adversários, também apostando na entrada de Rony, como um ponta agressivo a última linha defensiva, alterando o sistema para um 4-3-3 em momento ofensivo. 

O técnico tem utilizado um meio-campo mais combativo, mas que tem qualidade no momento com bola.  
Ao utilizar Gabriel Menino, Ramires e Patrick de Paula, prioriza a pressão no setor central do campo através de muita pressão nos encaixes, quando a bola cai neste setor do campo, além de zonear a ação de jogadores que busquem a entrelinha do bloco defensivo de sua equipe. Isso foi notório nos dois embates contra o Corinthians, nas finais do Campeonato Paulista de 2020. 

A ideia é alternar velocidade, chegada a área por infiltrações e também passes longos dos jogadores (Felipe Melo), na tentativa de aproveitar falhas defensivas do time do Santo André, que marcava o Palmeiras próximo a linha de meio-campo, mas sem gerar pressão na saída, mas fazendo ótima marcação por dentro, dificultando o espaço entrelinha.  

Busca intensa dos pontas, as costas da linha defensiva. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins) 

O time também conta com a utilização de jovens oriundos da base da equipe, para entregar frescor, competitividade e vitalidade ao time.  
O destaque fica em Patrick de Paula, um polivalente meio campista descoberto na várzea carioca, encantou Vanderlei Luxemburgo, por possuir capacidade física, ótimos gestos técnicos de controle de bola, boa chegada a frente, com uma finalização consistente e um primeiro toque primoroso ao realizar a saída de bola, além de uma boa capacidade de leitura defensiva para conquistar desarmes limpos em duelos contra seus adversários. 
Outro destaque fica pela capacidade defensiva de Gabriel Menino, que consegue realizar boa leitura para mapear espaços a serem defendidos, quando o time adversário busca atacar por dentro, sendo um ótimo marcador a jogadores na entrelinha, sendo agressivo na pressão ao desarmar, agilidade para interceptar passes e boa capacidade de domínio para somar na saída de bola. 

Tendo ambos em campo, o outro meio-campista interior (Ramires) consegue atuar em zona mais alta, tendo campo para receber, girar e acionar os companheiros à frente, que correm atacando os espaços na defesa adversária. 

Luiz Adriano realiza pivô e atrai marcador, com Dudu já buscando romper linha defensiva ao dar continuidade a jogada. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins) 

Outro ponto importante neste Palmeiras é a utilização da versatilidade de Luiz Adriano. O jogador é capaz de atuar utilizando sua leitura de espaços, para receber a bola em profundidade, atrás da linha defensiva e também realizar o pivô ofensivo, uma de suas melhores características neste modelo, pois recebe a bola em jogo direto e a prepara para um dos companheiros em progressão. Além disto com a ação ele arrasta um dos zagueiros com ele, quebrando a linha adversária e liberando espaços aos companheiros que demonstra muita chegada ao ataque. 

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PALMEIRAS 
SANTO ANORE 
27:15 10 
Ramires 
Luiz Adriano 
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Aqui Luiz Adriano sai da referência e abre corredor para a infiltração. (Fonte: Instat/Edição: Juno Martins) 

Aos poucos Luxemburgo vai demonstrando o que pensa ser o ideal para um grupo de jogadores, que a mais de dois anos jogava pautado em uma forma reativa de jogo, mas que tinha capacidade e qualidade técnica para buscar um jogo através da posse. 
Ainda é uma mudança lenta, mas que pode colher frutos logo à frente.