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O Sheffield desde o início da Premier League fora considerado forte candidato ao rebaixamento por muitos fãs de futebol e também por prognósticos de casas de apostas. Sendo um clube modesto que não realizara grandes contratações para seu elenco, sendo formado por jogadores considerados incompatíveis com os padrões da maior liga do futebol inglês. No entanto, contra todas as probabilidades, devido ao sistema de jogo único e à excelente compreensão coletiva e harmonia entre os jogadores, o Sheffield United se coloca próximo a principal surpresa da temporada 19/20.  A expectativa esperada foi mudando drasticamente ao longo desta temporada, passando de lutar pelo não rebaixamento, para uma briga ferrenha por uma classificação em uma liga europeia. Seu entendimento do futebol total e das rotações posicionais com zagueiros e zagueiros a realizar ultrapassagens, tomando as posições de alas e atacando mais profundamente nas posições do meio-campo pode ser considerado excepcional.  

Formação mais utilizada por Chris Wilder 

A equipe vem utilizando uma formação com três zagueiros e dois laterais, além de três no meio-campo, com Oliver Norwood no papel de volante. Chris Wilder mudou a forma do meio-campo para a Premier League,  atuando com dois meio-campistas box-to-box, John Fleck e John Lundstram em um papel mais avançado, que alternam com as contratações Sander berge e apoiando as laterais e a parte central sobrepondo  áreas amplas. As duas posições de ataque são as que mais demonstram caratér competitivo, com Chris Wilder apostando em um rodízio entre quatro jogadores – Sharp, Mousset, McGoldrick e McBurnie, todos recebendo muitos minutos ao longo da temporada. 

Nesta temporada houve muita rotação em relação ao meio-campo e ao ataque, devido ao maior nível de desgaste que uma competição de maior competitividade e exigência, como é a Premier League. Mesmo que exista este rodízio os papéis dessas posições tendem a permanecer os mesmos e, quem quer que esteja assumindo a posição em uma partida específica, terá que estar fazendo um ótimo trabalho. 

Construção de jogo 

Chris Wilder utiliza em seu Sheffield uma plataforma 3-5-2 bem simples, não demonstrando muita variação como vimos ultimamente (3-1-4-2 ou 3-4-1-2), quando tem a posse da bola. 
Na maioria das vezes, um dos zagueiros, O’Connell ou Basham, buscam ocupar os espaços nos corredores, devido a subida dos laterais, quando participam da construção, se transformando em alas, com isto os zagueiros avançam próximo ao meio-campo. 
Dependendo da abordagem utilizada pelo adversário, a equipe pode apostar em diferentes modos de posicionar sua linha defensiva, para a saída de jogo. 
Pode utilizar os ótimos lançamentos do goleiro Dean Henderson, visando um jogo mais direto, ativando atacantes ou meias em zonas altas. 
Se a equipe adversária tem apenas um atacante, os dois zagueiros restantes (por exemplo, Egan e O’Connell) permanecem na primeira linha, com a proteção de Norwood por dentro, mas uma linha acima. 
Se o adversário tem dois atacantes ou aplica pressão de alta intensidade, Norwood pode entrar se juntar aos zagueiros, substituindo Basham ou O’Connell para direcionar ataques a partir da linha defensiva, criando superioridade ou igualdade numérica. Assim, um dos outros dois médios também pode retornar como opção de saída desde trás. 

Saída de bola do Sheffield, com um dos medioscomo opção de saída (Fonte: Instat / Edição: Juno Martins) 

Com a progressão em campo, a equipe tende a buscar utilizar as laterais para agredir os adversários, através de conduções de ambos os lados, contando também com a capacidade física de seus médios box-to-box (Fleck e Lundstram), que possuem ótima capacidade de infiltração no campo ofensivo. 
Com a bola ao lado em um dos laterais, se forma superioridade no setor, tendo a participação de muitos jogadores, sendo um deles o zagueiro, que pode atacar espaço no corredor, através de sobreposição exterior, empurrando o lateral para dentro, atacando o meio-espaço, tendo próximos o meio-campista e um dos atacantes, assim gerando muitas opções e superioridade no setor da bola, buscando sempre o fundo para cruzamentos visando a chegada de companheiros atrás das linhas de marcação.  

Superioridade numérica, com sobreposição dos zagueiros atacando o corredor em zona alta (Fonte: Instat / Edição: Juno Martins) 

Outra importante característica é a capacidade de mudança de direção do ataque de um lado para o outro do campo de forma rápida e eficaz. Norwood é um dos melhores da equipe em termos de passes, tendo uma boa taxa de acertos, conquistando rapidamente a mudança de setor, tirando a bola da zona de pressão. 

Defesa 

A defesa do Sheffield United tem sido um dos aspectos chave da temporada, conquistando diversos jogos sem levar gols, consequentemente, sendo um dos primeiros times que sofre menos gols.  
Em uma formação defensiva 5-3-2, com um meio-campo que flexibiliza sua amplitude, caso o adversário busque jogar em saídas curtas por dentro. 
Os atacantes são constantemente utilizados para fechar linhas de passe, ao invés de pressionar o homem com a bola, dificultando a circulação do oponente,  lhes oferecendo uma vantagem de retardar o avanço adversário e realizar com qualidade o balanço defensivo, conseguindo manter uma boa marcação no setor da bola em superioridade, na tentativa de obrigar seu adversário de sair com bolas longas, sendo facilmente contestado pelos defensores, com o restante do time se compactando logo atrás. Os três médios se posicionam acima da linha de defesa dos zagueiros, e o laterais retornam e se tornam “zagueiros” com os três da linha defensiva. Os laterais enfrentam jogadores próximos à linha de lateral em geral. Assim a tentativa é de induzir o adversário a buscar jogo externo, buscando os flancos, onde o Sheffield realiza uma dobra, gera superioridade através de uma forte marcação ao meio-espaço. 

Superioridade numérica nos flancos com pressão, após induzir o adversário para o setor (Fonte: Instat / Edição: Juno Martins)  

Em algumas situações se nota o time utilizando abordagem diferente, realizando pressões já na saída adversária, com atacantes e um ou dois médios buscando zonas altas para auxiliar nesta ação. Geralmente isto é feito contra equipes que tem por característica uma saída em jogo direto, mas que demonstrem dificuldades (West Ham por exemplo). 
Se a bola vencer essa primeira pressão, os jogadores devem retornar rapidamente, reagrupar e manter a formação defensiva, para não sofrerem e mesmo que o adversário consiga chegar próximo à área, principalmente pelos lados, a equipe está sempre compacta, com muitos defensores, para repelir o ataque opositor. 
Uma característica importante é que os médios do time possuem uma boa capacidade de cobertura de grandes espaços, por possuírem boa leitura de espaços e agilidade em seus movimentos. Também conseguem bloquear passes, quando o adversário busca circular a bola e mudar o lado através de toques curtos, maximizando suas chances de recuperar a posse e partir em rápida transição. 
 

Chris Wilder e seu corpo técnico criaram uma das melhores estratégias da temporada 19/20, conquistando sucesso nesta temporada jogando um estilo de futebol que não se esperaria de um time recentemente promovido. Seus zagueiros sobrepostos foram uma estratégia inovadora na Premier League nesta temporada, mas sua resistência defensiva em vencer duelos em zonas altas do campo sem uma alta pressão, provavelmente merece ainda mais atenção do que as ações dos zagueiros. Apesar de terem marcado poucos gols por jogo, os Blades permanece firme na metade superior da tabela, já tendo garantido seu objetivo de permanecer na Premier League e esperamos que sejam por mais alguns longos anos, trazendo inovações como as propostas agora.