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Estoril – Processos de primeira em equipa de segunda

Bruno Pinheiro está a fazer um ótimo trabalho ao comando técnico do Estoril neste arranque de campeonato. Apesar da equipa ter menos um jogo que os rivais (8) são a segunda melhor defesa do campeonato. O Estoril é uma equipa muito bem organizada, com processos simples, mas de qualidade e eficazes. Os códigos sensoriais estão bem desenvolvidos e os posicionamentos bem definidos e treinados, sobretudo tendo em conta que estamos numa fase inicial da temporada.

Juntam a experiência à juventude, tendo uma média de idades de 24 anos. Pelo menos seis titulares não têm mais de 25 anos, sendo jogadores que ainda têm margem de progressão, mas que já estão com um entendimento do jogo elevado.

XI Inicial

O Estoril estrutura-se num 4-3-3, com um médio defensivo e dois interiores. Em organização ofensiva, João Gamboa alterna jogar entre os dois centrais na primeira fase de construção ou um pouco mais à frente para ser uma opção de passe mais central. Os laterais sobem até uma posição intermédia, isto porque são os extremos que dão mais largura e ataque à profundidade, porém Aziz também é forte neste tipo de movimentações. Em organização defensiva variam entre um 4-1-4-1 ou um 5-4-1, dependendo das superioridades defensivas que queiram criar. O setor defensivo e Gamboa têm um alto entendimento do jogo, e organizam-se mediante aquilo que o jogo pede.

Momento ofensivo

A equipa privilegia uma construção lenta atrás e chegar apoiado ao meio campo. João Gamboa muitas vezes junta-se aos centrais na primeira fase de construção para formar uma saída a 3, mas é o central Hugo Gomes que inicia quase sempre os ataques. O Estoril privilegia sobretudo dois tipos de ataque a partir do passe vertical de Hugo: a procura dos interiores que estão nas costas dos médios adversários, ou o lançamento rápido dos extremos na profundidade. Este central é uma arma forte para a equipa, visto que junta visão de jogo com qualidade de passe.

Porém a equipa sabe sair a jogar apoiado, fazendo também a ligação defesa-meio campo através de Miguel Crespo, médio que desempenha todas as funções no setor intermédio. Têm capacidade para chegar apoiado ao ataque e criar situações de perigo através da exploração das entre linhas, ou das desmarcações dos avançados.

Em ataque posicional procuram jogar com a linha defensiva mais subida. Nessa situação os dois interiores continuam a colocar-se entre linhas, mas procuram mais a zona do half-space de forma a desequilibrar a defesa contrária. Jogando nos últimos 40 metros, explorando o passe vertical, o recetor consegue rodar e ficar de frente para o jogo. A partir daí podem procurar combinações interiores com o avançado, ou aproveitar a largura dada pelos extremos.

Em transição ofensiva raramente optam pela velocidade, só em ocasiões em que claramente isso é vantajoso. Por norma preferem reorganizar atrás e iniciar um ataque mais pensado.

A equipa ainda pode melhorar naquilo que são as combinações dos interiores com os extremos. Triangulações podem ser uma arma eficaz para este Estoril. Caso o adversário tenha superioridade numérica no meio campo, têm dificuldade em ligar jogo e criar pelo corredor central. Melhorando estes aspetos, podem-se tornar numa equipa mais completa e com mais soluções ofensivas.

Momento defensivo

Defensivamente são uma equipa bem organizada, com os processos, posicionamentos e coberturas interiorizadas. Variam o sistema em organização defensiva de um 4-1-4-1 ou 5-4-1, dependendo daquilo que o adversário ofereça em ataque posicional. Dão pouco espaço entre linhas e não têm problema em defender em bloco baixo, favorecendo depois a transição ofensiva apoiada ou, caso seja vantajoso, até lançamento rápido na frente.

Raramente pressionam a primeira fase de construção do adversário, preferindo que a bola entre nos médios para depois pressionarem e recuperarem a bola alto. Os extremos também pressionam e recuam, mais quando a bola está em zonas laterais de forma a criar superioridades numéricas. O posicionamento dos médios varia mediante o alvo de pressão, sendo que um pode estar mais subido para pressionar adversário que cria dentro, e depois recua caso a bola mude de zona.

Reorganizam-se bem em transição defensiva, visto que os processos nesta fase do jogo estão bem definidos e raramente cometem erros neste momento. No geral, têm uma boa reação à perda, conseguindo recuperar a bola rapidamente.

Figuras

Miguel Crespo

Um dos médios centro do Estoril e uma das peças mais importantes na ideia de Bruno Pinheiro. É uma espécie de box-to-box, sabendo cumprir com qualidade todas as tarefas que lhe são pedidas. É forte nas transições e na pressão, conseguindo também progredir com bola e definir com qualidade. Sabe jogar mais encostado à linha, mas a sua qualidade vem ao de cima quando joga por dentro, sobretudo na exploração dos espaços.

Hugo Gomes

Defesa central com inteligência de médio. Para além de ser um defesa evoluído na cobertura de espaços e técnica defensiva, a qualidade de passe, sobretudo vertical, e a visão de jogo tornam-no como uma das principais armas do Estoril. Muitas vezes lança ataques e encontra desmarcações ou colegas entre linhas através de passes de zonas mais recuadas.

Zé Valente

Talvez o médio mais criativo que o Estoril tem. Tem um sentido posicional e leitura de jogo evoluídas, e junta estas qualidades à capacidade de receber orientado e criar, sendo muito forte no último passe. Para retirar dele todas as suas qualidades é dar-lhe liberdade de movimentos para explorar os espaços que ache mais uteis para criar.

Conclusão

O Estoril tem perfeitas condições esta época para regressar à primeira divisão. O técnico Bruno Pinheiro ainda tem de evoluir alguns aspetos da sua ideia, sobretudo nas combinações ofensivas, mas há qualidade neste plantel e uma coisa importante: nota-se que os jogadores têm boas relações entre eles dentro de campo. Já mostram muita qualidade numa fase inicial da época, portanto, o futuro é claro para os canarinhos.